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LITTLE BOY – Além do Impossível
El Gran Pequeno – EUA-México/2015
 
Nair Lúcia de Britto
 
Pepper (Jakob Salvati) é um garoto de oito anos de idade, que mora em O’Hare, Califórnia, na década de 40. Ele adora o  pai, James (Michael Rapaport), com quem tem uma grande afinidade e com quem compartilha as alegrias e fantasias relacionadas ao mundo infantil. E, assim, sua infância transcorre alegremente, com seu parceiro e melhor amigo: o pai.
 
Mas a felicidade do garoto desmorona quando o seu pai é obrigado a deixar sua família para lutar na Segunda Guerra Mundial. Uma grande tristeza toma o coração do menino que, além da dor da ausência do pai, tem de suportar ser constantemente agredido pelas outras crianças, só por ter uma estatura menor que o normal… Daí o apelido de “Little Boy”
 
Movido pelo desejo de ver o pai voltar para casa, procura ajuda junto ao padre Oliver (Tom Wilkinson). O padre o incentiva a ter fé. E o menino pergunta o que ele poderia fazer para obter o milagre de ter seu pai de volta. O padre explica que o milagre depende da vontade de Deus e do merecimento de quem o solicita. “A fé remove montanhas”, mas além da fé era preciso praticar boas ações. E dá ao menino uma lista de boas ações, sendo a primeira delas ser benevolente para com os inimigos.
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O menino pega a lista e procura se aproximar de um japonês idoso que sofria grande preconceito pela raça amarela e porque os EUA estavam em guerra contra o Japão. O “Japa”, como era chamado na cidade, aceita a amizade e se solidariza com o garoto; esclarecendo, porém, que o nome dele não era “Japa”, mas sim Hashimoto (Cary Hiroyuki).
 
Segundo o diretor, Alejandro Monteverde, o que o motivou a produção de El Gran Pequeno, juntamente com Eduardo Verástegui, partiu da opinião que ele tem de que as crianças precisam acreditar no “impossível”.
 
“É uma história de amor filial de um menino para com seu pai e que faz o impossível para trazer seu pai de volta. O filme tem várias mensagens importantes e profundas. É um conto para adultos que explora vários temas”, revela o diretor numa entrevista.             
 
Surpreendeu-me a beleza do filme, a magnífica interpretação de Jakob Salvati, no papel de “Little Boy”, e a genialidade de um cineasta tão jovem que usou de rara leveza para abordar fatos trágicos da nossa História, como a Bomba de Hiroshima (denominada Little Boy” e  que matou mais de 140 mil pessoas, no Japão, no dia 15 de agosto de 1945.
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Segundo pesquisa o próprio co-piloto americano, do avião que lançou a bomba, ficou tão abismado com a gigantesca nuvem de fumaça provocada pela bomba, que escreveu em seu diário de borbo:
“Deus, o que nós fizemos?” O filme mostra o quão é desprezível o preconceito de raças, que se transforma num ódio absurdo e inadmissível entre pessoas inocentes; pelo simples fato de pertencerem a diferentes raças.
 
O imenso sofrimento do menino “Little Boy”, causado pela ausência do pai, que poderia estar ferido ou morrendo, na guerra, representa a dor de cada um, numa multidão de pessoas, que sofre pela ausência, ferimento ou perda irreversível de um ente querido por causa da guerra, marca cruel de tempos bárbaros; quando falta o amor e a humanidade.      
Fontes de pesquisa:
Nair Lucia Britto é jornalista e colaboradora da Partes

Nair Lucia Britto é jornalista e colaboradora da Partes

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