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O trânsito representa o que há de mais caótico nas grandes metrópoles, é o cenário que parece condensar drasticamente o conflito e as disputas que marcam a vida urbana.

Nas ruas e avenidas da cidade, as pessoas se digladiam para ir e vir usando o transporte coletivo público ou as formas individuais e privadas de mobilidade. Dessa necessidade que se impõe diariamente a milhões de pessoas surge uma realidade permeada por desavenças, violência e mortes. O trânsito brasileiro apresenta números, entre mutilados e mortos, semelhantes aos de uma guerra civil. Muito tem sido feito para amenizar essa realidade, mas seria possível pensar num espaço público menos violento ou o seu oposto, isto é, um trânsito amistoso onde as pessoas se respeitam e até se solidarizam uns com os outros?

Em meio ao conflito e as disputas de toda ordem, a pesquisadora Mara Rovida encontrou no trânsito da Região Metropolitana de São Paulo (RSMSP) – a maior macro-metrópole do Brasil, formada por 39 municípios habitados por 10% da população brasileira – momentos que contrariam a lógica dominante. Num estudo baseado na imersão em campo, a pesquisadora coloca em evidência aquilo que parece impossível nesse espaço urbano, o diálogo entre sujeitos que atuam profissionalmente no trânsito da metrópole.

Foram vários dias acompanhando o trabalho de uma equipe de repórteres que cobrem o trânsito de São Paulo in loco. A pesquisa teve como meta compreender como certas narrativas sobre esse espaço urbano pareciam repercutir de forma diferente entre os ouvintes da Rádio SulAmérica Seguros Trânsito (FM 92,1) cuja grade de programação é totalmente dedicada a essa cobertura. A equipe de jornalistas da emissora teve seu dia a dia esmiuçado, mas não foram os únicos personagens de uma pesquisa que perseguia o diálogo possível entre sujeitos normalmente vistos como antagonistas. Além de observar o cotidiano dos repórteres, a pesquisa traz a tona a vivência de um grupo profissional muito hostilizado e sempre visto como vilão do trânsito urbano, os caminhoneiros. Assim, na segunda etapa da pesquisa empírica, os motoristas de caminhão foram acompanhados e observados de perto. É possível conhecer detalhes interessantes e bastante elucidativos da experiência urbana a partir do prisma dos integrantes desse grupo profissional.

Os resultados dessa pesquisa que uniu trabalho de campo e reflexões teóricas pode ser conhecido no livro, lançado pela Editora da Universidade São Carlos (Edufscar), “Jornalismo em trânsito – o diálogo social solidário no espaço urbano” de Mara Ferreira Rovida. O texto é resultado de pesquisa de doutorado, defendida em dezembro de 2014 na Escola de Comunicações e Artes da USP, sob orientação da professora Cremilda Medina.

A narrativa da pesquisa foge, em várias passagens, ao padrão acadêmico e o tom usado para contar as vivências dos personagens do estudo é pautado pela arte narrativa. Muda-se a mancha do texto para marcar essas passagens, mas o livro, divido em quatro partes, é permeado de narrativas descritivas e autorais sobre um espaço urbano caótico, conflituoso, mas que guarda momentos de encontro, de afeto e de diálogo.

Serviço

Disponível para compra no site da Edufscar, na categoria Ciências Sociais Aplicadas/Comunicação, por R$ 36,00 (sem o frete que deve ser calculado no momento da compra). Mais detalhes, acesse o site www.editora.ufscar.br.

Jornalismo em trânsito – o diálogo social solidário no espaço urbano

Mara Ferreira Rovida

Cód.: 7558

Ano de publicação: 2015

Autora: Mara Ferreira Rovida

Edição: Primeira

ISBN: 978-85-7600-420-2

Páginas: 254

Veja também entrevista com a autora:

http://www.partes.com.br/2015/04/13/o-jornalismo-e-o-dialogo-social-solidario/

Dica de Leitura – Jornalismo em Trânsito

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