Uma vida injustificada Mara Rovida*   Ana Maria era média, mediana, talvez medíocre, não no sentido pejorativo. Mas era certamente dessas pessoas que não têm grandes destaques para se gabar. Da estatura ao desempenho nas atividades escolares, sempre esteve nem muito lá, nem muito cá. Sabia o suficiente para passar na média ou pouco acima. Não estava entre as beldades do bairro, mas, quando bem arrumadinha, conseguia chamar a atenção do pretendente. De meio assim em meio assim, foi crescendo e se descobrindo parte de outra média ainda maior. Ser mulher é, na média, uma sucessão de justificativas. Foi assim que a moça nem magra nem gorda, nem alta nem baixa foi se percebendo logo que saiu do colégio....
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