Crédito da foto: http://morguefile.com/search/morguefile/1/words/pop

Crédito da foto:
http://morguefile.com/search/morguefile/1/words/pop

Empoderamento, a palavra da hora

Gilda E. Kluppel

Existem palavras que vêm à tona, seja por um motivo ou outro. Ultimamente ouvimos, com muita insistência, a palavra empoderamento. É uma apropriação do termo inglês emporwement, já consta em alguns dicionários em português, como o Dicionário Priberam, com a definição: “Ato ou efeito de dar ou adquirir poder ou mais poder”. Empoderamento é o ato de “empoderar”, realmente um verbo estranho para conjugar.

Quando uma palavra é mencionada, demasiadas vezes, gera uma desconfiança pela expressão. Escutamos empoderamento da internet, empoderamento dos cabelos, empoderamento através da moda e tantos mais. Empregada em várias áreas e em qualquer ocasião, sempre aceitando novas possibilidades.

Algumas palavras parecem que perdem a força, com o passar do tempo, assim surgem ou retornam outras, com o mesmo significado, capazes de recuperar a energia perdida. Empoderar está em evidência, ao ressaltar a necessidade de conquista da cidadania para segmentos da população, de certa maneira, ainda marginalizados pela sociedade, mulheres, negros, indígenas, moradores de comunidades, entre outros.

O empoderamento pretende promover a dignidade e a liberdade, para que esses segmentos possam conduzir o próprio destino. Neste contexto, a partir da consciência social dos direitos individuais, seja possível a conscientização coletiva, necessária para a superação de situações de precariedade e carência. Logo, reconhecer a devida importância e “dar voz”, para que determinados grupos da população tenham poder de opinião e decisão.

Contudo, ao adotar indevidamente, a palavra assume um significado banal, quando embasada no individualismo, mascarando uma série de reivindicações pertencentes a um grupo. Afinal, existe a necessidade de um grupo específico para pleitear o empoderamento. O enfoque individualista, reforçado pela grande mídia em geral, que aprecia o uso de palavras da moda, porém, está muito distante do desejado empoderamento, principalmente feminino. Vale lembrar, a grande mídia frequentemente destaca que o empoderamento da mulher ocorre por meio dos atributos físicos.

Gilda E. Kluppel é professora de Matemática do ensino médio em Curitiba/PR, Mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná

Gilda E. Kluppel é professora de Matemática do ensino médio em Curitiba/PR, Mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná

Do modo que se apresenta o empoderamento, na perspectiva individualista, embarcado também por empresas interessadas em promover a venda de seus produtos, a verdadeira emancipação dos grupos é relegada a um segundo plano. Reduzida para meros avanços individuais, que podem até acarretar um acréscimo no bem-estar pessoal. Entretanto, está desviando o foco da discussão de questões fundamentais, centradas em ações coletivas que resultem em efetivas mudanças na qualidade de vida de muitos grupos de pessoas.

Mais uma palavra que surge para tentar alavancar as conquistas de alguns segmentos da sociedade e se alastra, como um vírus, em discursos ideológicos de campos antagônicos. Como se não bastasse, certamente, neste ano eleitoral, teremos que ouvir muitos candidatos pronunciando a palavra empoderamento, que causa o impacto tão desejado politicamente, entre outras palavras “marcantes” para atrair a atenção dos eleitores.

Compartilhe esse texto

Share to Google Buzz
Share to Google Plus
Share to LiveJournal
Share to Yandex