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por Miller Matola, CEO da Brand South Africa

Ao ler o artigo “The hard edge of hammerpolitics”, escrito por Ferial Haffajee, somos lembrados mais uma vez que, nas preparações das festas pelos 20 anos de democracia no país, ainda há muitos cidadãos que optam por violência e protestos para defender opiniões pessoais. Não aprendemos nada durante esses 20 anos sobre como fazer uma mudança real e alcançar o progresso com entendimento, perdão, reconciliação, diálogo pacífico e negociação ao invés de armas e violência?

A Sra. Hafajee está certa ao nos lembrar de que sempre há outra maneira de fazer nossa voz ser ouvida, como nos protestos de 1956 em que aconteceu a marcha das mulheres aos prédios dos Sindicatos em Pretoria para protestar contra os ‘dompas’ (passaportes diferentes para negros e brancos). Na ocasião, nenhuma arma foi empunhada, nenhuma pedra foi arremessada – as únicas armas eram palavras, argumentos, petições e uma grande determinação para mudanças acontecerem por meios pacíficos. O sacrifício e coragem que mulheres ao redor do mundo demonstram, com suas ações para fazer mudanças reais e duradouras para o bem mundial, nos fazem lembrar o poder de protestos pacíficos e negociações e, acima de tudo, tolerância com as opiniões e direitos dos outros, que podem ver o mundo de forma diferente de você.

Esse ano em que celebramos 20 anos de liberdade e democracia na África do Sul é o melhor momento para nos lembrarmos de que a tolerância é o coração de uma democracia bem-sucedida, e um pilar para nossa nação atualmente. Nosso ídolo, o ex-presidente Nelson Mandela, foi o símbolo da tolerância por toda sua vida e encorajou todos os sul-africanos a demonstrar o mesmo nível de compreensão e respeito com os outros e suas opiniões, não importando as diferenças. Essa era a parte principal de seu legado para nós, a fim de continuarmos construindo a Rainbow Nation com cidadãos que vivem juntos em paz, com um espírito de tolerância e entendimento mútuo, visão comum de fazer uma África do Sul melhor para todos.

Em seu artigo “The Prophet of Tolerance”, o arcebispo demérito Desmond Tutu escreveu sobre o valor intrínseco da tolerância em uma nação como mostrado pelo presidente Nelson Mandela durante sua vida e o exemplo que ele deu para todos nós, cidadãos sul-africanos. “Ele chocou a todos com sua vivência espetacular de perdão e generosidade, e ele salvou nossa terra da chacina que muitos previam ser nossa forma de resolver o problema da opressão do Apartheid, que atingia a maior parte do povo de nossa pátria. O sofrimento pode amargar, mas também enobrecer, e Deus nos abençoou muito quando o último deles sucedeu-se no caso de Madiba. Ele cresceu em estatura moral, assim que crescia em atributos de tolerância; ele sempre tentava ver o ponto de vista do outro, e com isso estava pronto para fazer concessões e compromissos que auxiliavam na pacificação dos dilemas. O espírito de tolerância agora está eternizado com a prática realizada diariamente pelo Parlamento, com um minuto de si lêncio para cada pessoa usar sua fé e refletir”.

Os exemplos de tolerância de nosso ex-presidente Mandela foram muitos para o país: é melhor e, ao final, muito mais efetivo tomar o tempo para ouvir aqueles que têm opiniões políticas diferentes, participar de debates políticos que oferecem a todos uma oportunidade de expressar suas opiniões e pontos de vista, e usar o processo democrático para promover mudanças, ao invés de recorrer às ameaças ou ações violentas. Com os 20 anos de democracia, é tempo de promover a tolerância política prevendo as eleições que serão realizadas e lembrar todos os cidadãos do exemplo deixado por Mandela, que nossa democracia vai prosperar como resultado do respeito, não de violência ou uso de armas. Com certeza, essa é a principal lição que aprendemos após esses 20 anos de liberdade, para nunca mais termos o retorno da “hammerpolitics” para tornar uma ideia pública.

Todos nós temos que cumprir nosso papel e seguir os exemplos, independentemente do partido político que participamos. Nenhum de nós deve estar acima da obrigação de refletir sobre o legado que Mandela nos deixou. Nenhum de nós deve ousar sentir vergonha disso.

Sobre a Brand South Africa

Brand South Africa, anteriormente conhecida como o Conselho Internacional de Marketing da África do Sul, foi criada em agosto de 2002 para ajudar a criar uma imagem de marca positiva e atraente para a África do Sul. O nome mudou oficialmente para melhor alinhar seu mandato de construir a reputação da marca da nação da África do Sul, a fim de melhorar sua competitividade global.

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