chicken at hen house from countryside farm in morning

Rodrigo Berté, André Pelanda e Augusto da Silveira

Atualmente no Brasil, a forma como se produz carne e outros alimentos passa por um processo de uso dos animais domésticos como meras máquinas de produção. De um lado, o frango come ração e do outro sai o ovo, em um verdadeiro confinamento, um cenário repleto de medicamentos e hormônios para evitar doenças e em especial o canibalismo entre as aves.

A galinha feliz é aquela que expressa o comportamento natural, ou seja, ciscar, dormir em poleiro, pastar, tomar banho de areia, bater as asas, empoleirar, ter espaço suficiente para se movimentar – o que é impossível em confinamentos com menos de 50 centímetros para cada uma.

O bem-estar animal encontra-se entre os assuntos mais discutidos atualmente na produção animal, pois existe uma crescente convicção da sociedade de que os animais utilizados para a produção de alimentos devem ter um tratamento adequado. O debate envolve aspectos como saúde, felicidade e longevidade.

No Brasil, essas práticas são adotadas, auditadas e certificadas pela ECOCERT, uma certificadora que está atenta a pontos importantes da Declaração Universal do bem-estar animal –  liberdade fisiológica, ambiental, sanitária, comportamental e psicológica. É importante salientar que um animal não pode ser exposto a situações que lhe provoquem ansiedade e medo. No caso das galinhas poedeiras, por exemplo, há a necessidade de os animais poderem expressar seus comportamentos naturais, como ciscar e dormir em poleiro, sendo livres de dor e sofrimentos desnecessários.

Infelizmente os abates de animais domésticos no Brasil não respeitam o bem-estar animal e somente alguns produtores aplicam as técnicas do ECOCERT. Mas é importante perceber que é vantajoso atender as demandas de consumo sem comprometer a qualidade natural e ambiental dos animais. Os consumidores estão demonstrando uma preocupação cada vez maior em relação ao tratamento adequado e responsável com os animais. Precisamos avançar, pois sabemos da necessidade de produzir alimentos que proporcionem saúde e equidade, em um cenário mais favorável na criação e abate dos animais, buscando o bem-estar animal como premissa para a sustentabilidade. Com a aplicação de técnicas de criação mais responsáveis e a mudança na atual forma de produção, poderemos, quem sabe em um futuro próximo, consumir ovos de galinhas felizes.

Rodrigo Berté, André Pelanda e Augusto da Silveira, professores da área socioambiental do Centro Universitário Internacional Uninter.

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