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Por Gilberto da Silva

Vou ficar por aqui, num canto de praça, esperando o ano acabar. Sentado no banco da praça olhando os pássaros. Como paulistano que sou poderia ver tiririzinho-do-mato, ferreirinho-de-cara-canela, beija-flor-preto, tesoura-de-fronte-violeta, beija-flor-roxo. Ah! tucano-de-bico-verde e bico preto verei com certeza.

Na espera de meus braços abertos, com generosidade e paciência, abraçarei amigos e amigas que não se furtam a um afeto caloroso. Revisarei meus toscos textos, meus enroscos, meus desgostos, minha falsa modéstia.  De posse de meu caderno de anotações – com traços firmes e de cor forte – riscarei os nomes indesejáveis, primeiramente este, depois aquele etc. Olharei na agenda de telefones do celular e deletarei contatos inoportunos e incluirei outros poucos.

Na virada para o ano seguinte, vestirei todas as cores possíveis e gritarei para todos que nenhuma cor é pior ou melhor que a outra.  Do armário de roupas velhas e novas usarei as disponíveis sem distinção de modelo, corte, marca ou tecelagem.  Olhando com meus olhos – já em processo de envelhecimento – para o jardim ao meu redor esperarei por imagens de uma sociedade mais democrática e menos preconceituosa. Mirando o jardim exercitarei o prazer do olfato e sentirei o cheiro das flores, das dálias, das orquídeas, das rosas: das mais simples para as mais complexas. Tentarei extrair o aroma das coisas mais simples.

Na hora dos fogos de artifícios fecharei os ouvidos em respeito aos meus sentidos e a dos outros animais. Beberei uma água simples, comerei um bolo de fubá e tentarei respirar profundamente por alguns instantes. Se existir uma pequena farra, por que não farrear?

Na entrada do ano seguinte chamarei para sentar ao meu lado amigos de verdade, gente boa para prosa alegre ou nem tanto. Que tragam um bom livro, uma boa conversa, um café ou mesmo um bom etílico para momentos comemorativos.  Que venham os amigos velhos e os mais novos. Tentarei num esforço hercúleo não pedir nada em troca a não ser que eu esteja num processo de caducidade.  Mas quem – sem corrupção- não gosta de uma agradinho. Uma bala, um chocolate, um sorriso verdadeiro? Que tudo seja de coração e sem rancor.

Já no ano seguinte, no sereno das manhãs seremos serenos. Seremos?

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