ENTRE VOOS E QUEDAS Margarete Hülsendeger Nós lidamos mal com a morte, essa coisa banal, única; não conseguimos mais colocá-la num contexto mais amplo. Julian Barnes Todos, em algum momento, desenvolvemos estratégias para lidar com a morte. Alguns choram, outros permanecem em silêncio, há os que se voltam para a religião e existem aqueles que, simplesmente, surtam. Eu, segundo familiares, estou no último grupo. Quando minha mãe faleceu, há mais de 20 anos, tive uma reação estranha: no velório mantive-me falante, quase alegre, fazia piadas, e não parava de repetir, para quem quisesse ouvir, que ela estava bem e, mais importante, eu estava ótima. Sim, é estranho, mas não faça julgamentos apressados. Obviamente, esse “bem” ou esse “ótima” era...
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