rondonia

A COLONIZAÇÃO DE RONDÔNIA NARRADA PELOS OPRIMIDOS: “DESENVOLVIMENTO” REGADO A SONHOS, DESILUSÕES E PERDAS

Gesse Ricardi Batista Garcia [1]

 

Graduado em Gesse Ricardi Batista Garcia  - Pedagogia pela Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), campus de Ji-Paraná. Pesquisador do Grupo de Pesquisa em Educação na Amazônia (GPEA). E-mail: garciarbg.21@gmail.com

Graduado em Gesse Ricardi Batista Garcia – Pedagogia pela Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), campus de Ji-Paraná. Pesquisador do Grupo de Pesquisa em Educação na Amazônia (GPEA). E-mail: garciarbg.21@gmail.com

Resumo: este artigo é oriundo de um trabalho realizado na disciplina de “Educação com Povos da Floresta”, ministrada pela Prof.ª Dr.ª Josélia Gomes Neves, no curso de Pedagogia da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), campus de Ji-Paraná. Tem como objetivo uma reflexão a respeito do processo de colonização de Rondônia na perspectiva dos sujeitos oprimidos. O texto está fundamentado em depoimentos concedido por um colono que veio para o atual estado na década de 1970. Além disso, utilizamos a pesquisa bibliográfica como forma de subsidiar nossa reflexão: Neves (2012; 2013); Silva (2013). Enfim, acreditamos que reflexões dessa natureza podem contar uma história que por vezes é esquecida por grande parte da população local, fato que em nosso entendimento não deveria acontecer, considerando as inúmeras consequências desse processo.

 

Introdução

[...] as populações indígenas têm sido submetidas a todo tipo de crueldade e seus direitos constantemente violados, principalmente no que se refere ao expurgo e invasão de suas terras, culminando em casos variados de etnocídios, soma-se a esse processo a tentativa – muitas vezes com sucesso – de negação de suas espiritualidades e culturas por meio de missões religiosas (SILVA, 2013, p. 97).

A região amazônica possui uma grande diversidade cultural, isso graças ao grande número de etnias indígenas e do surto migratório, que partir da década de 70 promoveu um intenso fluxo de pessoas para a região norte, em especial para o atual estado de Rondônia. Com isso muitos conflitos ocorreram entre os povos que aqui estavam com os que aqui chegaram conflitos esses que causaram a morte e o desaparecimento de grupos indígenas a exemplo dos Urupás (NEVES, 2016), e os que resistiram, desde então lutam por suas terras e por respeito ao modo de vida tradicional.

 Mas não foram só os indígenas que sofreram os impactos da colonização do estado. Muitas famílias que deixaram suas terras em outros estados em busca de uma vida melhor tiveram seus sonhos despedaçados pelos “grileiros” que falsificavam documentos das terras e expulsavam os trabalhadores, geralmente quando grande parte dos lotes já havia sido “derrubado” e a terra pronta para o cultivo.

 O que sobrava para esses trabalhadores eram as dívidas nos bancos, que haviam feito para a compra de produtos agropecuários, e a decepção de não ter a o pedaço de terra que vieram conquistar, restavam a estes trabalhar de “meeiro” em terras alheias para não passar fome.

Nessa perspectiva este trabalho tem como objetivo principal fazer algumas reflexões a respeito do processo de colonização do estado de Rondônia tendo como foco principal o depoimento de um colono, que assim como tantos/as outros/as aqui chegaram em busca de terras prometidas a eles/as. Discorreremos brevemente a respeito do atual sistema de educação dos indígenas, com base em um depoimento do Cacique geral do povo Gavião, os quais residem na “Terra Indígena Igarapé Lourdes”.

I – Relato da migração recente em Rondônia

Nessa primeira parte do trabalho apresentaremos o relato de um colaborador que veio para Rondônia na década de 1970 no auge do fluxo migratório. A intenção é aproximar o leitor, principalmente de outras regiões, dos acontecimentos da época. Por razões burocráticas usaremos um nome fictício para nosso colaborador.

Eu me chamo Pedro, tenho 68 anos, nasci no Paraná em uma cidadezinha chamada Campina da Lagoa. Vim para Rondônia em 1972, com meu pai minha mãe e meus onze irmãos[...]. Viemos “pra cá” querendo terra pra família, porque lá no Paraná a gente tinha terra, mas era pequena pra tanta gente[...]. Meu pai ouviu falar daqui com uns amigos nossos, que falaram que era o “lugar das oportunidades” e que aqui a gente iria ter terra pra cada irmão nosso. [...]. A gente veio de caminhão, a viagem durou uns vinte dias mais ou menos, foi um sofrimento grande, eu era mais velho já, mas minha irmã mais nova só tinha 8 anos [...][2]

Relatos como esse apresentado acima, são bem comuns entre os habitantes mais antigos do estado de Rondônia, pessoas que enfrentaram longas viagens vindas principalmente do Sul do Brasil em busca de terras, embalados por uma forte propaganda do governo, com chavões do tipo “integrar para não entregar” e “terra sem gente para gente sem terra”, chavões esses que também tinham como objetivo a “[...] resolução dos problemas agrários na região sul do país” (NEVES, p. 8)[3].

Seguindo com o relato de nosso colaborador, percebemos em suas palavras a perfeita tradução da realidade da época. Uma situação de muito sofrimento, onde muitas expectativas foram frustradas:

A gente veio aqui pra Ouro Preto, na época tinha umas três casinhas só [...]. Nosso lote era ali na 4 (linha) da 81[4], uns quarenta alqueires, lá do lote até na vila dá uns 15km[...]. Pra derrubar aquela mata toda foi um sofrimento sabe, não tinha motosserra como hoje tem, até tinha mas era mais difícil de conseguir, as primeiras derrubadas que a gente fez foi no machado mesmo depois a gente arrumou um motor (motosserra) pra derrubar as arvores maiores.

Além de outras consequências geradas pela maciça chegada de colonos no estado, podemos destacar o grande desmatamento que ocorreu, onde a ordem do INCRA era que se derrubasse a floresta. As derrubadas vieram seguidas de queimadas, as quais poluíram o ar da região, de fato esses processos de preparação da terra para o trabalho agropecuário causaram danos irreversíveis ao meio ambiente, e os maiores prejudicados foram os Povos da Floresta, que culturalmente necessitam da floresta “em pé” para a subsistência.

Além de presenciarem o desmatamento em demasia na região esses povos, entre eles os indígenas, enfrentaram muitos conflitos territoriais com os colonos recém-chegados. Conflitos esses que ocasionaram em muitas mortes de ambos os lados, sendo que a balança pesou mais para o lado dos indígenas que além das mortes resultantes desses conflitos armados, foram atingidos por doenças do não índio como por exemplo a gripe, a qual matou um grande contingente de pessoas em diferentes etnias existentes no estado após o contato.

No entanto, nosso colaborador não teve nenhum contato com os povos indígenas quando chegara à Rondônia, mas têm relatos de violência contra esses povos. Apesar de não ter se envolvido em conflitos com os indígenas, não teve a mesma sorte quanto à doença típica da época: a malária.

Não, não tivemos contato com índios não, não sei se é porque eles não moravam naquele lugar ou se já tinham se espantado[...] sei que um pessoal que veio com a gente foi ali “para bandas” de Urupá e lá sim teve umas brigas entre eles, mas isso eu soube bem depois que a gente estava aqui, [...] fiquei sabendo que colocavam fogo nas “ocas” dos índios na calada da noite enquanto estavam dormindo[...]. Isso sim tinha muito, (malária) perdi as contas de quantas vezes eu peguei esse “troço”, teve gente que contou até a vez 70[...]. Foi um tempo difícil pra gente, mesmo a gente tendo conseguido nossa terrinha aqui, acho que seria melhor a gente ter ficado lá no Paraná, lá a terra era pouca mas era boa, aqui não é tão boa [...].

Percebe-se novamente na fala do colaborador um sentimento de frustração com a vinda para o Rondônia, evidenciando que o preço da conquista da terra foi muito alto. Aliás, pelo que foi estudado durante a disciplina de “Educação com os Povos da Floresta”, não é nenhum exagero dizer que apesar das dificuldades enfrentadas pelo colaborador, este ainda conseguiu seu objetivo: conquistar as terras e permanecer com elas. Fato que não se repetiu com inúmeras famílias, algumas até conseguindo as terras mas sendo retiradas delas por grileiros “na base da bala”.

Desse modo, pode-se dizer que as marcas da brutal colonização estão presentes até os dias de hoje em Rondônia. Os indígenas da região que conseguiram resistir ao grande impacto tem hoje em sua grande maioria terras demarcadas pela União, no entanto, o espaço hoje ocupado por eles não permite que eles continuem como “seminômades”, o que ocorria antes do contato, hoje as aldeias são fixas o que compromete a caça, a agricultura e a pesca, pois com a permanência em um mesmo local os animais diminuem sendo preciso ir mais longe para caçar, bem como o solo para o plantio das roças se torna a cada ano menos férteis.

 II – Os Povos da Floresta de Rondônia: indígena, extrativista, quilombola e ribeirinho.

As consequências da migração em massa para o estado de Rondônia não podem ser medidas com uma régua, no entanto, caso fosse possível poderíamos dizer que dentre todos os povos da floresta os que mais foram prejudicados foram os indígenas, que de repente viram a floresta caindo sem que seus esforços fossem capaz de interromper a ação dos novos habitantes das terras, que tinham a enorme barreira linguística que impossibilitava a comunicação, e, que além de serem mortos em conflitos armados, se viram morrendo por consequência de doenças desconhecidas por eles.

No entanto, quando faço essa afirmação não significa dizer que os extrativistas, ribeirinhos e quilombolas não sofreram com a colonização, pelo contrário, todos foram afetados com danos irreversíveis para cada grupo. Contudo, esse tópico do trabalho tem como objetivo problematizar a colonização do estado na perspectiva dos povos indígenas, discorrendo sobre as consequências do contato no modo de vida desses povos.

Como bem coloca Neves (2013), o estado de Rondônia possui atualmente uma população de aproximadamente 1.560.501 pessoas, destes 12.015 são indígenas que pertencem a 29 sociedades conhecidas e que são distribuídas em 23 Terras Indígenas demarcadas, essas terras contabilizam cerca de 20, 82% da extensão territorial de todo o estado, ou seja, além de terem suas populações drasticamente reduzidas os indígenas viram suas terras serem diminuídas substancialmente, e só não perderam tudo por causas das lutas que bravamente travaram (e ainda hoje travam) para proteger ao menos uma parte de seu território, além disso sofreram vários tipos de violência como explica a autora:

No decorrer do estabelecimento do contato com as várias etnias aconteceram sucessivos episódios de violências e violações, tais como: expulsão dos índios de seus territórios tradicionais, rapto de crianças e mulheres, genocídios, etnocídios, redução populacional extrema e em várias situações, a extinção de nações indígenas. A colonização em Rondônia, tão festejada pelos governantes da época, significou perdas e conflitos para os povos Indígenas [...] (NEVES, 2013, p.9).

Toda essa violência ocorrida no estado foi fruto de grandes empreendimentos econômicos, os quais começaram no primeiro ciclo da borracha e tiveram seu ápice na década de 70, durante a “Ditadura Militar” com a migração em massa para o estado. A intenção de exploração dos recursos naturais e territoriais da Amazônia tiveram destaque na agenda do governo, o qual não poupou esforços para a divulgação do estado de Rondônia, que foi chamado de “Novo El Dourado”, dentre outras denominações utópicas e falaciosas.

E quando já não podiam mais lutar contra os novos habitantes, os indígenas fugiam mata adentro tentando buscar abrigo no interior da floresta. Isso porque de acordo com Souza; Pessôa (2009, p.2). “Os conflitos entre grileiros e índios não foram exceção em Rondônia, foram regra. Grande parte dos grupos indígenas, quando entravam em contato com a frente pioneira, migrava para o interior da região amazônica, os que assim não fizeram foram exterminados[...]”. Alheio a essa situação o governo brasileiro agia como se não existisse indígenas no estado ou como se sua existência não importasse. Desse modo “[...] as populações indígenas acuadas, resistiam talvez sem entender o desenvolvimento etnocêntrico que excluía sua participação no processo através de mecanismos de invisibilidade, preconceito e descaso social [...]” (NEVES, p. 4)[5].

Apesar de tudo o que foi feito para expulsar os indígenas de seus territórios tradicionais, o saldo também foi bastante negativo para as famílias de colonos que buscavam terra no estado, sendo que segundo Souza e Pessôa:

Foram assentadas na década de 1970 e início de 1980, aproximadamente, 25 mil famílias no estado, fato que é ressaltado como uma efetiva reforma agrária. No entanto, ainda hoje, lutam pela terra, no estado, mais de 20 mil famílias, de acordo com dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra). Se somado àqueles que não estão inseridos nos movimentos de luta pela terra, esse número certamente passa de 30 mil famílias. Portanto, foram expropriadas mais famílias do que foram assentadas, o que nos permite assegurar que o que ocorreu em Rondônia foi uma contrarreforma agrária. (2009, p.13-14)

Essa contrarreforma agrária, como bem definida pelos autores, só beneficiou grandes latifundiários do estado, os quais até hoje ostentam riquezas a custas das perdas dos Povos da Floresta. No entanto, há uma exaltação quanto ao desenvolvimento do estado durante os anos da migração, as quais comemoram a entrada e permanência de parte dos colonos no estado. Mas há uma cicatriz desse tempo que dificilmente desaparecerá, uma vez que:

[...] o processo de constituição do estado de Rondônia, tem sido marcado por eventos, que não silenciam e permanecem nas fontes orais e escritas, em nomes de ruas e escolas, nas falas do povo, como por exemplo, a morte do Padre Ezequiel Ramin em 1985 por jagunços em função de conflitos de terras no município de Cacoal ou do massacre dos trabalhadores sem-terra no ano de 1995, no município de Corumbiara por policiais militares, no sul de Rondônia e outras possíveis repercussões do processo colonizatório (NEVES, p. 10).[6]

 

Acontecimentos esses que sempre nos remeterão a avaliar o preço do desenvolvimento no estado nos fará pensar quantas vidas foram ceifadas sem o menor pudor em prol do capitalismo? Quantas crianças ficaram sem seus pais e mães? Quantos pais e mães não ficaram sem seus filhos, mas ao que parece “os fins justificaram e justificam os meios”, não importa quantos morram, se isso favorecer uma minoria dominante que trata pessoas como ferramentas na obtenção de lucro.

 

III – Educação Intercultural nas comunidades indígenas

Passadas mais de quatro décadas do início da febre migratória para o estado de Rondônia, as comunidades indígenas começam a colher frutos das lutas travadas diariamente no que diz respeito ao contexto educacional. Diante dessa questão esse tópico pretende discorrer sobre a situação educacional nas aldeias indígenas, e mais especificamente da etnia Gavião.

A respeito da educação indígena nas aldeias, o Cacique Catarino Gavião avalia que em sua aldeia apesar de todas as dificuldades históricas enfrentadas pelos indígenas a situação educacional começa a melhorar de forma significativa, e se mostra bastante contente com a atuação do poder público dentro da aldeia, nesse sentido temos a fala do Cacique:

[...] em nossa terra indígena, cada uma aldeia, cada uma aldeia não, onde tem uma população maior e tem uma escola para os nosso filhos estudar, então nossos filhos estão estudando, nosso filhos estão aprendendo falar português, nosso filho tão muito adiantado, então por isso que nós estamos tudo feliz que nós temos um apoio do governo né, isso é muito importante pra nós (CACIQUE CATARINO GAVIÃO).[7]

Além da educação básica nas aldeias, uma outra grande conquista dos indígenas de Rondônia diz respeito a educação superior. Foi através de articulações de lideranças indígenas e indigenistas que criou-se no ano de 2009 o Curso de Licenciatura em Educação Básica Intercultural, o qual habilita os indígenas a lecionarem nas aldeias em diferentes áreas do conhecimento, possibilitando a promoção de uma educação intercultural. Umas das fomentadoras do curso a Prof.ª Drª. Josélia Gomes Neves e o Cacique Gavião possuem falas que se encontram em perfeita harmonia no que se refere à entrada dos indígenas na Universidade:

Avaliamos que a presença dos índios na Universidade, de forma geral, tem repercutido positivamente nas aldeias. A comunidade avalia como algo muito importante os estudos dos professores e das professoras na instituição, talvez porque a educação superior tenha representado uma resposta pública da demanda por formação docente (NEVES, 2012, p. 152-153).

É, mais esse estudo que eles colocaram pros índios aprender, esse povo que está estudando na unir, esse é o professor indígena[...]. É professor indígena que estão estudando aí pra poder ensinar os povo os filhos indígenas melhor, então por isso que tão estudando ali, isso é muito importante pra nós, muito, muito, muito importante, eu me orgulho dos povos indígenas, estão muito interessados pra estudar, e saindo já vão pro trabalho dele, isso é muito importante pra nós (CACIQUE CATARINO GAVIÃO).

Mais do que a materialização de um sonho, a possibilidade de estar em um curso de nível superior significa uma forma de afirmação cultural dessas sociedades, uma maneira de fortalecer a cada dia a relação que os indígenas têm com sua cultura, com suas terras, e especialmente com o que se refere a alfabetização na língua materna. E é nesse sentido que Neves (2012) destaca as perspectivas das comunidades indígenas:

As perspectivas para o Curso de Licenciatura Intercultural possuem uma relação direta com a melhoria do processo aprendizagem nas aldeias. Os índios esperam que os docentes se qualifiquem cada vez mais, de modo que a escola indígena possa oferecer uma educação satisfatória, o que se configura como um mecanismo de permanência das crianças, adolescentes e jovens nas aldeias [...] (NEVES, 2012, p.154).

Ao que parece, os povos indígenas de Rondônia vêm ao longo dos anos garantindo seus direitos através de lutas políticas, travadas incansavelmente por suas lideranças. É claro que a situação está longe da idealizada por eles, no entanto não se pode negar que o caminho já começou a ser construído ao longo das últimas décadas, resgatando primeiramente o orgulho de ser indígena e se articulando politicamente com o intuito de estar à frente das questões que estão ligadas aos seus pares.

Considerações Finais

Neste texto foi abordado de forma sintética o processo de colonização do estado de Rondônia, as dificuldades enfrentadas pelos migrantes quando chegam ao estado de Rondônia com sonhos de possuir suas terras. Evidenciaram-se também os conflitos por terras no estado, o qual deixou um rastro de sonhos destruídos e sangue derramado, sendo que os povos da floresta – indígenas, ribeirinhos, extrativistas e quilombolas – foram os mais prejudicados nesse processo.

O objetivo foi destacar o processo de colonização na perspectiva dos oprimidos, através da narrativa de um migrante que veio do estado do Paraná, que como tantos outros traziam na mala sonhos e perspectivas de um futuro melhor, e que se transformaram em arrependimentos e frustrações. Procuramos também ouvir uma liderança indígena da região, que assim como outros grupos oprimidos ainda sofrem as consequências da migração em massa para o estado na década de 1970.

Ao final pode-se destacar a importância de tentar compreender a colonização na perspectiva dos povos que foram oprimidos, resgatando as injustiças e crueldades ocorridas na época e mostrando que nosso estado foi/é/está sendo construído a um preço altíssimo, e que foi/é/está sendo pago pelas pessoas e grupos fragilizados. Por isso o debate sobre a colonização do estado, bem como suas consequências devem ser colocadas em evidência, sobretudo no dia 4 de janeiro, data que comemoramos uma história que é contada parcialmente.

Referências

NEVES, J. G. Currículo Intercultural: o processo de aplicação da Lei 11.645/2008 nas escolas públicas da Amazônia. Revista Partes – ISSN 1678-8419, São Paulo, 2013.

__________. Ensaios de interculturalidade: a presença indígena na UNIR. In: ALMEIDA SILVA, A; NASCIMENTO SILVA, M. G. S; SILVA, R. G. C. (orgs.). Colonização, Território e Meio Ambiente em Rondônia: Reflexões Geográficas. Curitiba: SK Editora; Porto Velho: PPGG/UNIR, 2012. p. 139-156.

SOUZA, M. M. O. PESSÔA, V. L. S. A contra-reforma agrária em Rondônia: colonização agrícola, expropriação e violência. Disponível em: http://w3.ufsm.br/gpet/engrup/vengrup/anais/1/Murilo%20Mendonca_NEAT-UFU.pdf. Acesso 17 de junho de 2015.

GARCIA, G. R. B. A colonização de Rondônia narrada pelos oprimidos: “desenvolvimento” regado a sonhos, desilusões e perdas. Revista P@rtes: São Paulo, 2016.



[1] Graduado em Pedagogia pela Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), campus de Ji-Paraná. Pesquisador do Grupo de Pesquisa em Educação na Amazônia (GPEA). E-mail: garciarbg.21@gmail.com

[2] Depoimento de um migrante cedido no dia 17 de junho de 2015 na cidade de Ouro Preto do Oeste-RO.

[3] NEVES, J. G. Educação com povos da floresta. Texto 1 da disciplina Educação com os Povos da Floresta do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Rondônia – UNIR – Campus de Ji-Paraná. Disponibilizado em pdf pela autora.

[4] Rodovia estadual, que dá acesso as cidades de Nova união e Mirante da Serra.

[5] NEVES, J. G. Educação com povos da floresta. Texto 2 da disciplina Educação com os Povos da Floresta do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Rondônia – UNIR – Campus de Ji-Paraná. Disponibilizado em pdf pela autora.

[6] Idem.

[7] Entrevista cedida pelo Cacique Catarino às acadêmicas Juliana M. Kuzma e Angélica C. Cardozo em junho de 2014.

Compartilhe esse texto

Share to Google Buzz
Share to Google Plus
Share to LiveJournal
Share to Yandex