A sala de aula como espaço sócio histórico de aprendizagem: reflexões sobre o contexto escolar

Por Roberta Poltronieri

Roberta Poltronieri é professora da Educação Básica e Pesquisadora. Email: robertapoll@hotmail.

Sociedade pós-moderna ou Sociedade contemporânea? Razão e capitalismo de mãos dadas, na história após a Revolução Francesa, assim a contemporaneidade iniciada no mundo ocidental e a consolidação do capitalismo, trouxe muitas reflexões e modelos de cidadãos, moldados pelo sistema econômico. Ao mesmo tempo o conceito de pós modernidade adveio com o esgotamento da razão na modernidade e a queda do muro de Berlim, prosseguiram a passos rápidos para a industrialização em massa, novas formas de exploração da mão de obra, consumo e a propaganda do progresso, que muitas nações aderiram em busca de se consolidar na era pós moderna, cultura, tecnologia, estética e a relativização da razão, permeiam alguns discursos em curso quando se fala sobre o momento pós moderno, mas diante de todos os fatos históricos que tem acontecido, rápidas transformações sociais, esgotamento das instituições, estaríamos diante de uma chamada continuação histórica ou ruptura de sociedade atual?

Muitas discussões e reflexões devem ser consideradas e debatidas nos espaços de diálogos presentes nas sociedades, inclusive espaços educativos proporcionados através das escolas, universidades, faculdades, espaços culturais/sociais e espaços educativos. Sociedade e escola, juntas podem tecer as problemáticas da sociedade e buscar vias de acesso para compreendermos melhor o momento que o mundo atravessa.

Quando pensamos nessas transformações, nos deparamos com muitas contribuições de pesquisas produzidas nas universidades e por pesquisadores, especialmente na área da educação, buscando compreender as temáticas relacionada aos fundamentos da educação escolar, como as formas de ensino e aprendizagem vigente em alguns sistemas de ensino, e particularmente o público, que ainda apresenta formas tradicionais de aprendizagens herdadas historicamente sobre a posição do professor como centralizador do saber, além disso ainda  vigoraram possíveis compreensões de alunos que aprendem por formas mecânicas e de repetição de conteúdos.

 Pela forma histórica que atravessamos juntamente com a educação, buscamos aqui refletir um pouco sobre a emergência de compreender a sala de aula enquanto espaço sócio histórico e cultural, visto que não vivemos em uma sociedade homogênea, e mais do que nunca, atualmente pelo convívio com as mídias e as redes sociais, a presença de muitas identidades no universo dos jovens, questões culturais de viver, diversidade étnica e racial, e o avanço das tecnologias, smartphones, You Tube, Blogs, e muitas outras comunidades virtuais.

Será que diante de todas estas questões latentes, as transformações da sociedade e a vida social, ainda vale a pena conceber as formas de e organizar as aulas, como era antigamente e é até hoje? Carteiras enfileiradas verticalmente, a lousa na frente, a mesa do professor ao lado na frente, professor fala, alunos cumprem tarefas e assim, aguardam o sinal da próxima aula…

 Bom algumas destas reflexões devem permanecer no imaginário de nós educadores, afim de levarmos para as discussões nos centros de diálogos, as formas que podemos fazer para que possamos (re)encontrar no espaço da sala de aula, a (re)invenção da didática pedagógica  e da posição do profissional professor frente a educação, estes e muitos outros dilemas podem nos levar a dialética dos possíveis atrasos da escola nos dias de hoje, especialmente a pública e buscar o que está ao nosso alcance para possíveis reflexões.

Se buscamos conceber a educação enquanto natureza social e socializadora, não podemos ficar restritos apenas a práticas desesperançosas que os livros didáticos nos propõem, sobre o que nos ensina Paulo Freire, em Pedagogia da Autonomia, ensinar, exige saber escutar, exige diálogo, exige liberdade e assim compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo. (Freire, 1996).

Ao esgotarmos algumas possibilidades de intervenção e compreensão da realidade posta no contexto escolar, seja ele qual for, ainda temos uma ferramenta útil, talvez uma das formas mais antigas de olhar para o mundo, que é o “dialogo”, por meio da conversa, das trocas de opiniões, das intervenções orais, podemos nos aproximar de algum ponto de partida, por isso trago ainda aqui, a importância de escutarmos nossos alunos, pois há envolvimento de um processo de aprendizagem que implica múltiplas relações humanas, que heterogêneas por sua natureza, nos mostram que escutar e dialogar, podem nos mostrar a natureza histórica que temos dentro de uma sala de aula, e não nos ausentar das dimensões individuais e coletivas presentes dentro e fora da escola.

Referências

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários a prática educativa. São Paulo: Paz e Terra. 1996.

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