masp-02-12-2012

BANDA SINFÔNICA DO ESTADO DE SÃO PAULO – UM EPITÁFIO

  

Por Antoine Kolokathis, diretor da Direção Cultura

Assim como Carlos Gomes, maior compositor lírico das Américas, inúmeros músicos brasileiros atualmente espalhados pelo mundo como integrantes de grandes orquestras iniciaram seu aprendizado – e apreciação – musical por meio das bandas.

Até o advento tecnológico da gravação musical a execução dessa arte era exclusivamente ao vivo. No Brasil Império formavam-se bandas nas cidades, vilas e fazendas. Em Campinas, Maneco Músico, pai de Carlos Gomes, era mestre de capela e tocava obras de mestres europeus, assim como músicas brasileiras populares e também sacras com sua orquestra-banda. Assim seu filho Tonico aprendeu a tocar vários instrumentos desde a infância e viria mais tarde a se tornar um grande compositor de óperas. Nesse aprendizado, tornou-se marcante sua veia ‘bandística’, notória em obras como a abertura de O Guarani e na Missa de Nossa Senhora da Conceição.

Neste contexto, a extinção da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, marcada para esta quinta-feira, 9, com a demissão dos 65 músicos, representa uma inestimável perda para a música brasileira.

A Banda Sinfônica do Estado de São Paulo é reconhecida como uma das melhores do mundo em seu gênero, representa uma tradição secular que, como nas outras searas artísticas no Brasil, é expoente de nossa antropofagia musical.

A união de grandes instrumentistas, muitos deles formados em escolas musicais dentro de igrejas evangélicas e projetos sociais, com regentes, arranjadores e compositores de muito talento, fizeram da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo um amálgama que, na minha modesta opinião, tornou-se o conjunto musical de grande porte que mais representa a brasilidade na música, juntamente com a Orquestra Jazz

Sinfônica.

A extinção desse importantíssimo grupo pelo Governo do Estado de São Paulo precisa ser revista, pois representa um gravíssimo erro de gestão e de projeto cultural público. Além de ser um conjunto tão relevante do ponto de vista artístico e histórico, o fato do grupo ser mantido com um dos menores orçamentos da administração pública da cultura no estado, não justifica tão radical decisão.

** Antoine Kolokathis é cantor lírico, produtor cultural, sócio-proprietário da Direção Cultura e membro da ISPA (International Society for the Performing Arts), entidade que congrega produtores, diretores e agentes de 40 países.

 

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