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IMIGRANTES UCRANIANOS EM PRUDENTÓPOLIS E AS CONTRIBIÇÕES SOCIOCULTURAIS NO RITO NATALINO

Solange Franciele Mageroski*

Resumo:

O estudo busca recuperar os principais aspectos culturais do rito natalino ucraniano em Prudentópolis – PR. A história de ocupação do município se dá com a vinda de imigrantes ucranianos no ano de 1896, compondo assim a maior colônia de imigrantes ucranianos no território brasileiro.  Os imigrantes ucranianos trouxeram consigo os costumes, as tradições a religiosidade de seu país de origem e reproduziram em sua nova vivenda. Assim as tradições, os costumes nas festas religiosas ucranianas, são marcadas de significados e simbolismos, alguns remontem o período pré-cristão. Dessa forma, o objetivo do trabalho é apresentar informações sobre a multiplicidade de simbolismos praticados no período natalino pelos ucranianos. O trabalho exigiu como metodologia a observação participante, historia oral e pesquisa bibliográfica.

Palavras Chave: Comunidade. Rito.  Natal. Cultura.  Rituais.

Abstract:

The study seeks to recover the main cultural aspects of the Ukrainian Christmas ritual in Prudentópolis – PR. The history of occupation of the municipality comes with the arrival of Ukrainian immigrants in the year of 1896, thus composing the largest colony of Ukrainian immigrants in the Brazilian territory. The Ukrainian immigrants brought with them the customs, the traditions and the religiosity of their country of origin and reproduced in their new villa. Thus traditions, customs in Ukrainian religious festivals, are marked by meanings and symbolisms, some trace back the pre-Christian period. In this way, the objective of the work is to present information about the multiplicity of symbolisms practiced in the Christmas period by the Ukrainians. The work required participant observation, oral history and bibliographic research as a methodology.

Keywords:  Community. Rite. Christmas. Culture. Rituals.

 

 

 Introdução:

A pesquisa realiza uma abordagem sobre as praticas e costumes do rito natalino na comunidade ucraniana de Prudentópolis – PR, com a finalidade de divulgar, conhecer e fortalecer os rituais natalinos realizados pelos descendentes de ucranianos na comunidade.

Em um primeiro momento são abordados os aspectos teóricos conceituais sobre o contexto histórico da imigração ucraniana, reflexão sobre a cultura e rituais. Em seguida, serão analisados os costumes e as práticas ucranianas na celebração do natal e a importância na formação da identidade multicultural étnica, que reúne elementos do período pré-cristão incorporados ao cristianismo.

A pesquisa desenvolveu-se por meio de técnicas da observação participante e entrevistas com descendentes ucranianos. De modo que, a problemática do estudo enfatiza a forma e os modos de como a etnia preservou os rituais e costumes do período natalino.

A metodologia que encaminhou essa investigação foi a do método dedutivo de cunho qualitativo, por meio de entrevistas e notas de campo. Contribuíram com depoimentos e informações sobre o rito natalino os entrevistados descendentes de ucranianos Rosa Poruchenski, Maria Kuibida e o Estefano Kovalzuk. A escolha se deu em razão dos mesmos serem considerados conhecedores da cultura ucraniana e por manterem vivas as práticas natalinas na comunidade ucraniana.

Sobre os imigrantes ucranianos

Entre o século XIX e XX, dezenas de milhares imigrantes deixam o país de origem em busca de liberdade e vida melhor em terras longínquas do imenso continente Americano.  Direcionados para América do Sul e Norte, diversas das correntes imigratórias tinham como destino o Brasil. Dentre as correntes migratórias estavam os ucranianos que se estabeleceram preponderantemente na região Sul.

Para o progresso esperado no Brasil era necessário investir na política migratória. Assim, o governo brasileiro engendrou uma série de campanhas em aldeias ucranianas, assegurando terras e riqueza no território brasileiro. A propaganda executada pelas companhias de navegação despertava o desejo de migrar para as esplendorosas terras brasileiras. De acordo com Boruszenko (1995), a imigração aconteceu em três períodos distintos. A primeira etapa migratória efetuou-se no final do século XIX, em ocasião a superpopulação rural, as seguintes etapas decorreram pós a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Os imigrados eram direcionados para diversos Estados, majoritariamente para o Estado do Paraná e Santa Catarina. Ademais, estabeleceram-se nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro. De acordo com Burko (1963), num período de 65 anos, registrou-se a vinda de 60 mil imigrantes para o território brasileiro, em tono de 100 mil no Estado do Paraná.

O município de Prudentópolis que compõem a região Sudoeste do Paraná recebeu imigrantes ucranianos no final do ano de 1895 e 1896. De acordo com Burko (1963), eram sobretudo ucranianos vindos da Galícia Ocidental. Os imigrantes que vinham até então Colônia Federal de Prudentópolis, instantaneamente eram encaminhados aos núcleos rurais, assim, formando as diversas comunidades que compõem o município de Prudentópolis.  Para facilitar a administração “a colônia foi dividida em 29 núcleos que abrigaram cerca de 9  mil imigrantes” (GUIL; FERNANDES; FARAH, 2006, p. 16).

Devido ao grande numero de imigrantes ucranianos na região o município é conhecido como “Pequena Ucrânia”, onde, cerca de 75% da população é de origem ucraniana. Os imigrantes trouxeram consigo os seus costumes, rito, tradições e buscaram reproduzir em sua nova vivenda, tal como no seu pais de origem. Em Prudentópolis é possível evidenciar muitas dessas práticas principalmente nas festas religiosas, como no Natal, Ano Novo e na Páscoa, que são marcados por simbologias e tradições.

A vista disso, o presente trabalho concentra-se na história dos imigrantes ucranianos, residentes no município de Prudentópolis – PR, dando ênfase à questão da memória e tradição da celebração do natal na comunidade ucraniana, cuja origem é milenar e tem suas raízes na era pagã. O estudo sobre o Rito Natalino em Prudentópolis Justifica-se pela concentração massiva de ucranianos na região, os quais notoriamente manifestam os costumes e festejos que se diferem de outras etnias.

Reflexões teóricas conceituais

Os rituais fazem parte da representação e organização do povo ucraniano. Um dos rituais que se destaca entre o grupo pesquisado é o da celebração do natal, um momento cheio de significados e simbologias. Conforme Terrin (2004);

Não há dúvida de que o rito é principalmente e de maneira prioritária um ato de adoração, um momento de expressão de um “Todo”, no nível comunitário, um ato de culto que tem a sua direção intencional meta empírica e, como tal, é capaz de unificar de maneira profunda a experiência do real. É direta ou indiretamente um “voltar se para outro” ou, pelo menos, um sentir, através do estar e do fazer juntos, “que no sentido do mundo está fora do mundo”. (TERRIN, 2004, p. 35-36).

A dinamicidade de rituais existente na cultura ucraniana e o processo de reinterpretação pelos descendentes em Prudentópolis, principalmente no que diz respeito à festa do Natal, Ano Novo e Páscoa, consideradas as maiores festas do calendário Litúrgico Bizantino, indica que os ucranianos mantém viva a ligação com o seu passado.  Ainda sobre rituais Peirano (2003, p. 09), expõem que, “o ritual é um sistema cultural de comunicação simbólica. Ele é constituído de sequências ordenadas e padronizadas de palavras e atos, em geral expressos por múltiplos meios”.

Logo, os rituais podem possuir caráter religioso ou não, os mesmos, emblemam uma crença, um intuito, uma reverencia, entre outros. Os rituais fazem parte da esfera simbólica na organização da sociedade, e da sua cultura.  Sendo assim, Vilhena (2005, p. 55) salienta;

Sendo o rito expressão e síntese do ethos cultural de um povo, portanto expressão de sua vida há de se salientar que, como ação, é vida acontecendo, processando-se, sendo significada, interpretada, ordenada, criada. O rito é vida criando vida, pois que no caos, na indeterminação, na falta de horizontes e sentido não sobrevivemos. É, portanto, atividade, trabalho, obra que opera, transforma, cria, significa.

 

Cabe assim, descrever algumas particularidades dos rituais praticados no período natalino por essa etnia, destacando os elementos simbólicos que se constituem da cultura.

Rito Natalino ucraniano

A celebração do natal ucraniano é rica em detalhes, com seus preparativos por meio de diversos rituais e simbologias os ucranianos expressam a riqueza do folclore, originalidade e preservação da cultura. Tal festividade se expressa como algo significativo na comunidade ucraniana, pois, além da celebração da festa cristã do nascimento de Cristo para os ucranianos o natal encerra o ciclo do ano.

De acordo com Guérios (2007, p. 247), “de todos os rituais da Igreja Greco-Católica, os mais significativos são aqueles associados ao Natal e a Páscoa, que são de fato os dois maiores marcos temporais de seu calendário religioso”.

Para os ucranianos o natal é sinônimo de solidariedade, união principalmente respeito pela pessoa humana, e também à sua memória. O período natalino é significativo, uma vez que, marca a vida social dos habitantes principalmente os da área rural. A respeito da pratica do natal ucraniano, Guerios (2007, p. 48) relata que:

a semana do Natal e do Ano Novo marca, além do nascimento de Cristo, o renascimento da propriedade rural: deve-se chegar  a ela com tudo limpo e concertado e, dentro do possível, com todas as dividas quitadas, para se ter um bom ano. Para a noite de Natala Святий Вечір (Sviatêi Vétchir – Noite Santa), os colonos preparam uma enorme quantidade de comida como sinal de prosperidade para o próximo ano.

No rito ucraniano a preparação para o natal inicia-se 40 dias antes da festa, com a denominada Pelepivka (dia de São Felipe) dia 14 de novembro. durante , se faz abstinência de carne e não se realiza festas e casamentos, período em que se espera o nascimento do Salvador.

Durante a festa do natal, muitos rituais são incorporados à comemoração do natal na cultura ucraniana.  Muitas das praticas e festejos celebrados pelos ucranianos durante o natal aludem o período pré-cristão. Pois, de acordo com Choma (2013, p.77), antes da “chegada do cristianismo, o povo acreditava em diversos deuses, entes e espíritos, geralmente relacionados aos fenômenos da natureza”. Dessa forma, cultuava-se os fenômenos naturais como o sol, a chuva, o vento. As celebrações ocorriam de acordo com o trabalho no campo e as estações do ano.

Nas antigas civilizações cultuava-se o sol como dadiva de vida, era uma das festas mais importantes celebrada pelo povo ucraniano. Como exemplifica Procek (1998, p.4), “na Ucrânia o sol era venerado de maneira muito especial. Chamavam-no “Daj-Bogh”, deus que dá a vida, deus da luz e do bem”. A palavra “Daj” em ucraniano significa oferecer, conceder e “Bogh” exprime a palavra deus.

A adoração ao sol era envolta de rituais, queimava-se flores sementes e frutas em seu louvor. Com o cristianismo a festa do sol recebeu um caráter religioso a celebração do nascimento de Jesus Cristo.  Desde a adoção do cristianismo na Ucrânia com o batismo de Valdomiro o Grande em 988, múltiplas práticas, crenças e rituais do paganismo mesclaram-se com rituais cristãos. Segundo Choma (2013, p. 80), “quando a Ucrânia converteu-se ao cristianismo (século X), muitas das tradições do paganismo foram adaptadas para louvar o nascimento de Cristo”. Assim, muitos dos costumes e rituais praticados pelos ucranianos, advêm daquele período.

 

Costumes natalinos em Prudentópolis

 

Durante o natal é um costume entre a comunidade ucraniana de Prudentópolis, a confecção de Ialenkas (Feixes de trigo decorados). No passado, ao passo em que se aproximava o natal, nas comunidades rurais os ucranianos destinavam feixes de trigo da colheita para ornamentação das residências.

 As Ialenkas ocupavam recinto de destaque, geralmente postas na sala à vista de todos.  Sobre os preparativos do natal, Sra. Rosa Poruchenski descendente de ucranianos nos relata:

“O Natal é um período muito alegre, os preparativos para a festa começavam semanas antes do natal. Confeccionávamos Ialenkas, secávamos feno para cobrir o chão da sala, deixávamos a propriedade impecável”. (ENTREVISTADA)

As Ialenkas possuem um significado cultural na celebração do natal. Significam a vida e a fartura. Acredita-se que confeccionar Ialenkas traz bênçãos, fartura, saúde, felicidade e garantia de viveres para o ano todo. (Ver Figura 1).

Figura 1: Imagem mostrando a decoração com Ialenkas em casa de ucranianos

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Fonte: (arquivo pessoal, 2016)

Atualmente são poucos os ucranianos que confeccionam as Ialenkas em Prudentópolis. Observa-se que as Ialenkas perderam seu valor simbólico, ao passo que outras culturas foram ganhando espaço, como as árvores de natal.  Em algumas famílias as Ialenkas fazem parte da tradição natalina, contudo, já não possuem destaque como outrora, hoje dividem espaço com outros elementos do natal, como a árvore, conforme observado na figura 1.

Outra tradição do natal ucraniano e a preparação do “Didukh” (feixes de feno). Geralmente o feno é colocado no chão da sala de estar dos ucranianos. O “didukh” também atribui um valor cultural no ritual do natal, simbolizando os antepassados da família. De acordo com Procek (1998, p. 7), “a palavra “Didukh” representa o espírito dos antepassados, simbolizando a boa colheita”.  O ritual do “didukh” esta incorporado ao espírito antepassado, como a própria palavra indica, “Didukh” que significa avô em ucraniano.

Observa-se que é costume também colocar o feno na mesa da refeição, onde será servida a ceia de natal. Sobre o arranjo da mesa para a ceia Sra. Rosa Poruchenski relata:

Na ceia de Natal, tradicionalmente a mesa é coberta com uma toalha branca, embaixo da toalha coloca-se feno, flores e dente de alho em cada canto da mesa. Sobre a mesa colocamos uma vela a qual acendemos durante a ceia. (ENTREVISTADA)

Segundo a depoente o alho é colocado para afastar os maus espíritos, espíritos malignos, pois, a Santa Ceia é um momento familiar onde se pede proteção e bênçãos para o próximo ano, assim o ambiente deve estar protegido de qualquer negatividade. A vela e as flores também possuem valor simbólico. Segundo Martenovetko e Corso (2011, p. 47-48), as velas “atribuem um valor de crença na ressurreição dos mortos para os descendentes ucranianos” e as flores “a crença de vida após a morte”.

A ceia natalina ou “Sviata Vetcheria” como denominam os ucranianos é solene desde seus preparativos até sua consumação. Por tradição, a celebração de Natal começa na noite antes do Natal, com preparativos espirituais e materiais. A noite que chamamos “sviatei Vetchir” Santa Noite, é um dos dias mais reverenciado por todos os cristãos tanto do rito oriental como do ocidental.

Na véspera da natividade, a Sviata Vetcheria (Santa ceia) os ucranianos celebram com muitos costumes e tradições. É de praxe esperar aparecer à primeira estrela da noite para se juntar a mesa, cuja tradição, é a boa notícia do nascimento de Jesus. Também é tradição preparar 12 pratos especiais para a Santa Ceia (Ver Quadro 1 ). O numero 12 simboliza o número de apóstolos.

Quadro 1 - Principais pratos típicos servidos na ceia ucraniana

Kutiá

Борщ (lê-se Borcht)

Капусняк (lê-se Kapusniak)

Вареники (lê-se Vareneke)

Голубці (lê-se Holopchi)

 

Колач (lê-se Kolach)

Узвар (lê-se Uzvar)

Paleanestse

Пиріх (lê-se Perichke)

PeixePreparado de grãos de trigo cozido, com mel

Sopa de beterraba com repolho

Sopa de repolho azeda

Pastel cozido de diversos recheios

Charuto de couve ou repolho recheados com trigo sarracenoPão especial – trançado

Caldo de frutas

Tortas de diversas especialidades

Pasteis assados

 

Fonte: MAGEROSKI, S. F., (2016)

Dentre os pratos o mais importante é o “Kutiá”, grãos de trigo cozidos misturados com sementes de papoulas, acompanhado com mel ou açúcar. O “Kutía” é um dos símbolos da refeição memorial dos ucranianos, pois, é datada sua existência ainda em períodos pré-cristãos. De acordo com Procek (1998) “o trigo, simboliza a vida eterna e o mel felicidade eterna entre os santos do céu” (PROCEK, 1998).

Nota-se que durante a ceia ucraniana é costume recordar os antepassados da família, pois, acredita-se que os espíritos assistem a refeição. Como relata a Sra. Maria;

 não retiramos da mesa os alimentos que sobraram e nem os talheres até o dia seguinte, pois, as almas vem jantar durante a noite. (ENTREVISTADA)

Verifica-se entre os descendentes de ucranianos no município de Prudentópolis, também a prática de cantos de natal, as “Koliadás”. Para eles as “koliadás” representam alegria, louvor e fundamentam o natal.

As “Koliadás” remontam o período pré-cristão, quando o povo cantavam em louvor as maravilhas da natureza e as dádivas da terra. Com o cristianismo, estas canções foram transferidas para o louvor do nascimento de Cristo, contudo, conservando na poesia a opulência da natureza (Procek, 1988).

As pessoas da comunidade, no que diz respeito aos moradores da área rural de Prudentópolis têm o habito de formar grupos de cancioneiros os chamados “Kolhadnequê”, que se deslocam pela comunidade para cantar as canções natalinas, desejando paz, saúde para as famílias da comunidade.

Segundo Kovalzuk (2016), descendente de ucranianos, “costuma-se receber os “Kolhadnequê” com bolo, bolachas, bebidas. Eles trazem alegria para a família, trazem a boa nova do nascimento de Cristo” (ENTREVISTADO).  Usa-se durante esse período a frase “Chrestos rajdaetchia”, que significa “Cristo nasceu” e responde “Slavim Ioho”, que compreende: “Louvemos a Ele”.

Os rituais praticados pelo povo ucraniano em Prudentópolis fazem parte da sua rotina, todos os anos reincidem, ao passo que, se materializam na cultura. A prática de cantar Koliadás, a celebração da ceia com todos os costumes e tradições, mostra a vitalidade dos rituais mantidos pela etnia ucraniana.  De acordo com Guérios (2007, p. 249), a repetição desses rituais é naturalizada pelos habitates, “o que significa que o rito religioso está imiscuído de tal forma em sua percepção da vida que ela não é imaginável sem sua presença”.

Os rituais fazem parte do universo simbólico da representação e organização da comunidade ucraniana em Prudentópolis. Assim a “sua aceitação e repetição é uma demonstração da própria necessidade de sua existência” (Dias, 2009, p.72), É a partir dos rituais que percebemos o sentimento coletivo, os símbolos da cultura ucraniana em Prudentópolis – PR.

Percebe-se também, que o ato de celebrar o natal pelos ucranianos se diferencia a partir dos rituais marcados de simbologias. Muitas das tradições, rituais e crenças praticadas por esse grupo eslavo remontam período pré-cristão e se entrelaçam com o cristianismo. Tais diferenças foram importantes destacar no trabalho para que houvesse um melhor entendimento da cultura ucraniana.

 Considerações finais

Cada nação, cada povo, grupo social possui seus costumes e a sua maneira de celebrar o natal. No rito ucraniano, assim como as canções, o trigo na forma de feixe (diduch) são elementos que compõem a cultura ucraniana em Prudentópolis, independente do tempo, do espaço vivido, perpassa de geração a geração e a tradição se mantem em Prudentópolis. Dessa forma, pode se dizer que cada ucraniano ao celebrar o rito natalino, torna-se um elo que liga um mesmo povo, que mesmo estando além do oceano, partilha do mesmo ideal, do mesmo sentimento.

Ao delimitar o estudo sobre as praticas da cultura ucraniana, enfatizando o período natalino na comunidade ucraniana de Prudentópolis, além da pesquisa teórica, faz-se necessário à aquisição de conhecimentos específicos obtidos a partir da convivência com tais elementos, assim, por ser descendente da etnia que propunha estudar permitiu-me expor melhor as tradições cultivadas pelo povo ucraniano, já que essas fazem parte da minha vida.

Por fim, pode-se compreender que mesmo assimilando elementos indenitários de outros grupos étnicos, os ucranianos em Prudentópolis conseguiram manter seus costumes e tradições, com seus traços étnicos únicos, como constatados no rito natalino.

Referências

BORUSZENKO, Oksana. Os ucranianos. Boletim Informativo da Casa Romário Martins, v. 2, 1995.

BURKO, Valdomiro. A Imigração Ucraniana no Brasil. Curitiba – PR, 1963.

DIAS, Patrícia Regina Corrêa. Ritos e Rituais-Vida, Morte e Marcas Corporais: a importância desses símbolos para a sociedade. VIDYA, v. 29, n. 2, p. 16, 2009.

GUÉRIOS, Paulo Renato. Memória, identidade e religião entre imigrantes rutenos e seus descendentes no Paraná. Rio de janeiro, UFRJ, 2007.

GUIL, C.; FERNANDES, J.C.; FARAH, A. Prudentópolis 100 anos. Prudentópolis: Artheiros, 2006.

MARTENOVETKO, Juliane; CORSO, João Carlos. Rituais fúnebres da Igreja Católica de rito Ucraniano em Prudentópolis-PR. Revista Tempo, Espaço e Linguagem, v. 2, n. 1, p. 30-53, 2011.

PEIRANO, Mariza GS. Rituais ontem e hoje. Zahar, 2003.

VILHENA, Maria Ângela. Ritos expressões e propriedades. São Paulo: Paulinas, 2005.

PROCEK, Felomena; Motivos Pagãos em Costumes Ucranianos. Trabalho de disciplina (pós-graduação em Letras Português), Universidade Estadual Centro Oeste do Paraná – UNICENTRO, Prudentópolis, 1998.

TERRIN, Aldo Natale. O rito: antropologia e fenomenologia da ritualidade. Tradução de José Maria de Almeida. São Paulo: Paulus, 2004.

ZAROSKI, Nelson. G. A utilização do tempo pelos imigrantes ucranianos de Prudentópolis 1940-1960. 2001. 51 f. Monografia (Conclusão do Curso de História) – Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2001.

Outras Fontes:

Estefano Kovalzuk. Entrevista concedida em 28 de dezembro de 2016.

Maria Kuibida. Entrevista concedida em 28 de dezembro de 2016.

Rosa Poruchenski. Entrevista concedida em 24 de dezembro de 2016.

Solange Franciele Mageroski é graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO no ano de 2016. Mestranda em Geografia na Universidade Estadual Centro – Oeste/ UNICENTRO, respectivamente nos anos 2016 e 2017. Trabalha com a Linha de pesquisa Dinâmica dos Espaços Rurais e Urbanos e Migrações.

 

 

 

 

 

 

 

 

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