Poesia aos pequenos

POESIA AOS PEQUENOS
Nazaré, 02-12-2015

Gilberto Nogueira de Oliveira


A rua não é do governo
A rua é do menino de rua
Garoto traquino e perdido.
Perdido da mãe
Perdido do pai
Perdido do mundo
E desobediente ao sistema.
Quem vai encarar?
Menino da cola
Menino da erva
Menino entregador de pó.
Entregam o pó porque não tem
Dinheiro para usá-lo
O pó é para os ricos
Que mandam a policia
Proteger a poeira
E vigiar o menino
Entregador de pó.
Nos dias menos lucrativos
O menino entrega a erva
Na própria região.
O nome é maconha
E o menino entrega na rua
O “bagulho”, tal qual estafeta
Entrega uma carta.
Só que o menino não é
Funcionário publico.
Ele é o menino
Perdido e encontrado
Num mundo desconhecido
De todas as autoridades.
Meninos de 8 a 14 anos
Que não tiveram chance
De fazer medicina
Para serem ricos garotos
Brancos e direitos
De famílias decentes
Elitizadas e servis.
Meninos incríveis
Clientes de psicólogos
Por plano de saúde particular
E que rejeitam os pobres
Por falta de posição social.
Meninos de rua
Que por falta de atendimento
Continuam a obedecer
Aos psiquiatras do crime.
Meninos da madrugada
Que dormem nas marquises
À espera de alguém
Que venha lhes matar.

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