A importância dos Jogos de Matemática no Ensino Fundamental I

 

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A importância dos Jogos de Matemática no Ensino Fundamental I

Antônio Carlos da Silva[1]

Keyla Cristina Costa Soares[2]

 

Keyla Cristina Costa Soares -Professora na rede Estadual de Ensino desde 2011, Pedagoga, especialista em Gestão Educacional com ênfase em Orientação e Supervisão Escolar, Mestranda em Ciências da Educação. Keylacristina3@hotmail.com

Resumo. Este artigo tem a finalidade de abordar a importância de trabalhar com jogos, pois eles fazem parte do nosso contexto cultural.  No âmbito desta pesquisa, o interesse se volta para o jogo pedagógico, mais especificamente, para o jogo no ensino da Matemática, pois através de jogos as crianças elaboram estratégias para resolução de situações problemas desenvolvendo o raciocínio lógico em cada atividade proposta para uma aprendizagem significativa.

Palavras chave: jogos, matemática, aprendizagem, estratégias

Abstract. This article aims to address the importance of working with games, as they are part of our cultural context. In the scope of this research, the interest is turned to the pedagogical game, more specifically, to the game in the teaching of Mathematics, because through games the children elaborate strategies to solve problems situations by developing logical reasoning in each activity proposed for meaningful learning .

Key words: Games, mathematics, learning, strategies

 

Introdução

A matemática está presente na vida cotidiana de todo cidadão, por vezes de forma implícita ou explicita. No momento em que abrimos os olhos e olhamos as horas no relógio, fazemos almoço e ainda andamos na rua para fazer compras, estamos exercitando nossos conhecimentos matemáticos. Assim, constatamos qual a importância da Matemática que desempenha papel decisivo em nosso cotidiano nos ajudando a resolver problemas, criando soluções para os mesmos e ajudando na resolução dos mesmos.

Antônio Carlos da Silva – mestre obras construção civil

Apesar de permear todas as áreas do conhecimento que serão utilizados na vida prática o ensino da matemática em nossas escolas, muitas vezes se divorcia dos seus principais objetivos, entre eles o direcionamento de ensino-aprendizagem para a construção da cidadania e participação ativa do educando na sociedade. Esse divórcio ocorre quando nos dias atuais as escolas utilizam o ensino da matemática tradicional baseado na aprendizagem mecânica, de mera transmissão de conhecimentos, no qual os alunos se condicionam a receber informações prontas, acabadas, gerando nos educandos sensações de medo e insatisfação e até a incapacidade de decodificar os sinais do dia-a-dia, tornando-os consequentemente excluídos da sociedade.

Ensinar matemática é um desafio tanto para os docentes quanto para os discentes onde eles procuram desenvolver o raciocínio lógico independente da criatividade e a capacidade de resolver problemas. Sendo assim, este ensino requer superação de alguns obstáculos que comumente estão relacionados a palavra matemática. Conscientes da necessidade de alcançar resultados satisfatórios, educadores buscam cada vez mais, instrumentos que sirvam de recursos pedagógicos para melhorar o processo ensino-aprendizagem.

Utilizar a ludicidade para ensinar matemática é uma maneira inteligente para a superação de tais obstáculos. O ensino da matemática através dos jogos, não é uma forma simples, pois o professor deverá estar preparado pois é uma forma que ajuda os alunos a ter uma aprendizagem significativa. Ao trabalhar dessa forma, por exemplo, eleva o jogo como instrumento que transforma a Matemática considerada “bicho de sete cabeças”, em uma fonte inesgotável de satisfação, motivação e interação social.

O jogo como facilitador da aprendizagem

No Brasil, os Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática ( PCN’s, 1998 ), do Ministério da Educação e Cultura ( MEC ), em relação à inserção de jogos no ensino de matemática, pontuam que estes: constituem uma forma interessante de propor problemas, pois permitem que estes sejam apresentados de modo atrativo e favorecem a criatividade na elaboração de estratégias de resolução de problemas e busca de soluções. Propiciam a simulação de situações-problema que exigem soluções vivas e imediatas, o que estimula o planejamento das ações[…] ( p. 46)

Para os PCNs (1997), a matemática tem o intuito de formar cidadãos, ou seja, preparar para o mundo do trabalho, ter uma relação com as outras pessoas que vivem no seu meio social. A educação matemática deve atender aos objetivos do ensino fundamental explicitados nos Parâmetros Curriculares Nacionais: utilizar a linguagem matemática como meio para produzir, expressar e comunicar suas ideias e saber utilizar diferentes recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos. Deste modo a expressão Educação Matemática, que deriva da expressão em inglês mathematics education, reflete a concepção de uma educação por meio da matemática. Nesta perspectiva o professor de matemática é considerado um educador intencional, necessitando realizar pesquisa tanto relacionadas ao conteúdo como também em relação às metodologias a serem adotadas para a transmissão de tais conteúdos, quando o professor está preparado ele consegue desenvolver o trabalha de várias maneiras. Deve ter a preocupação em conhecer a realidade de seus alunos, detectando seus interesses, necessidades e expectativas em relação ao ensino, à instituição escolar e à vida, pois ele não conseguirá atingir seu objetivo se as atividades não forem interessante e se não conseguir atingir os anseios dos alunos. Porém o ensino da matemática, ainda que esteja em construção, está centrado na prática pedagógica, de forma a envolver-se com as relações entre o ensino, a aprendizagem e o conhecimento matemático. Assim, os objetivos básicos da educação matemática buscam desenvolvê-la como campo de investigação e de produção de conhecimento.

Rêgo e Rêgo (2000) destacam que é premente a introdução de novas metodologias de ensino, onde o aluno seja sujeito da aprendizagem, respeitando-se o seu contexto e levando em consideração os aspectos recreativos e lúdicos das motivações próprias de sua idade, sua imensa curiosidade e desejo de realizar atividades em grupo. Dentro da resolução de problemas, a introdução de jogos como estratégia de ensino-aprendizagem na sala de aula é um recurso pedagógico que apresenta excelentes resultados, pois cria situações que permitem ao aluno desenvolver métodos de resolução de problemas, estimula a sua criatividade num ambiente desafiador e ao mesmo tempo gerador de motivação, que é um dos grandes desafios ao professor que procura dar significado aos conteúdos desenvolvidos.

Gandro (2000) ressalta que o jogo propicia o desenvolvimento de estratégias de resolução de problemas na medida em que possibilita a investigação, ou seja, a exploração do conceito através da estrutura matemática subjacente ao jogo e que pode ser vivenciada, pelo aluno, quando ele joga, elaborando estratégias e testando-as a fim de vencer o jogo.

No contexto de ensino e aprendizagem, o objetivo do professor no trabalho com jogos atenta para valorizar o papel pedagógico, ou seja, o desencadeamento de um trabalho de exploração e/ou aplicação de conceitos matemáticos. Além disso, a elaboração de estratégias de resolução de problemas pelos alunos, com a mediação do professor, merece ser considerada. É necessário que o professor questione o aluno sobre suas jogadas e estratégias para que o jogar se torne um ambiente de aprendizagem e criação conceitual e não apenas de reprodução mecânica do conceito, como ocorre na resolução de exercícios denominados problemas. Uma vez que o professor planeja a exploração do jogo, este deixa de ser desinteressante para o aluno, porque visa à elaboração de processos de análise de possibilidades e tomada de decisão: habilidades necessárias para o trabalho com a resolução de problemas, tanto no âmbito escolar como no contexto social no qual estamos inseridos..

O jogo tem fortes componentes da resolução de problemas na medida em que jogar envolve uma atitude psicológica do sujeito que, ao se predispor para isso, coloca em movimento estruturas do pensamento que lhe permitem participar do jogo. […] O jogo, no sentido psicológico, desestrutura o sujeito que parte em busca de estratégias que o levem a participar dele. Podemos definir jogo como um problema em movimento. Problema que envolve a atitude pessoal de querer jogar tal qual o resolvedor de problema que só os tem quando estes lhes exigem busca de instrumentos novos de pensamento (MOURA, 1991, p.53).

Concordamos com o autor, no sentido de que, no contexto educacional de Matemática, o jogo é desencadeador de desafios, desestruturando o sujeito e possibilitando a este desenvolver a postura de analisar situações e criar estratégias próprias de resolução de problema ao exigir a busca de movimentos novos de pensamento. Além disso, o jogo propicia o desenvolvimento de habilidades como análise de possibilidades, tomada de decisão, trabalho em grupo, saber ganhar e saber perder.

Considerações finais

Ao s trabalhar com jogos os professores deve adequar a faixa etária que está trabalhando para se tornar desafiador para os alunos e dessa forma a aprendizagem se tornará significativa. Quando o professor faz essa elaboração, o aluno é “forçado” a criar processos pessoais para que possa jogar e resolver os problemas que inesperadamente irão surgir, elaborando assim novos pensamentos e conhecimentos, deixando de seguir sempre a mesma “receita”. Ao se propor a análise do jogo pelo jogo, este é levado a refletir sobre as estratégias ( intuitivas ou lógicas ) que utilizou durante as jogadas e a avaliá-las, influenciando na melhoria da habilidade de resolução de problemas

Referências

GANDRO, R.C. O conhecimento matemático e o uso de jogos na sala de aula. Tese. Doutorado. Universidade de Campinas. Campinas: Unicamp, 2000.

http://www.pucrs.br/famat/viali/tic_literatura/jogos

http://www.unifan.edu.br/files/pesquisa

Matemática. Campinas, SP,1995. 175p. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Educação, UNICAMP.

MOURA, M. O. de. A construção do signo numérico em situação de ensino. São Paulo: USP, 1991.

RÊGO, R.G.; RÊGO, R.M. Matemática ativa. João Pessoa: Universitária/UFPB, INEP, Comped: 2000.

Parâmetros Curriculares Nacionais: Matemática/ Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF. 1997.

 

 

[1] Antônio Carlos da Silva, Brasileiro,  mestre obras construção civil.

[2] Professora na rede Estadual de Ensino desde 2011, Pedagoga, especialista em Gestão Educacional com ênfase em Orientação e Supervisão Escolar, Mestranda em Ciências da Educação. Keylacristina3@hotmail.com

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