Quem ama, educa

QUEM AMA, EDUCA

Nair Lúcia de Britto

 

Educação, Ética e outros valores nobres para construção de uma sociedade são eternos. Tudo que avança para oferecer melhor qualidade de vida ao homem, como a ciência e a tecnologia, é um bem. Mas tudo que empobrece o espírito e prejudica a saúde do corpo é um mal!

Melhorar a nossa Educação não cabe somente ao poder público; esta responsabilidade também é nossa! Todos os dias podemos nos educar um pouco mais, refletindo sobre os nossos atos e observando bons exemplos de pessoas mais inteligentes, mais cultas e mais bem-educadas. A televisão, por exemplo, tem mostrado vários especialistas que têm algo positivo a ensinar; mas, às vezes, o telespectador não se interessa e muda o canal para assistir justamente algo que o deseduca.

Recentemente, eu assisti na TV CULTURA sobre a rotina diária de escolas chinesas para crianças, em torno de quatro e seis anos de idade; e achei bastante interessante o processo inicial para educá-las. As crianças vão para a Escola e lá permanecem distante dos pais, durante um mês. A princípio, algumas estranham e choram; mas depois começam a gostar. Lá, elas aprendem a conviver com outras crianças da mesma idade. Juntas, aprendem a escovar os dentes, a tomar banho, a arrumar suas camas sozinhas; a comer alimentos saudáveis e a ter disciplina. A orientação é recebida num ambiente tranquilo e alegre. Passados os trinta dias, elas voltam para casa sob a promessa de pôr em prática tudo que aprenderam, sem a ajuda dos pais. São recebidas com festa pela família e todas têm prazer em mostrar, muito orgulhosas, do que são capazes!

Violência: o professora (a) não merece!

Muitos pais, por excesso de zelo não deixam os filhos fazerem nada dentro de casa; e, assim, eles aprendem a ser ociosos, inseguros, irresponsáveis e a fazer tudo pelo lado mais fácil. Quando os pais resolvem exigir deles que cumpram com seus deveres, pode ser tarde!

Os noticiários veiculados pela televisão mostram que a Educação, em geral, vai mal. Denunciam o uso de drogas dentro de uma faculdade particular. Menores infratores frequentam as mesmas escolas públicas que os meninos de boa formação. Estes lhes passam todos os maus exemplos aos quais ainda estão enraizados. Mestres e alunos sofrem ameaças e agressões e os professores não têm o apoio necessário para manter a autoridade.

Ao mencionar esse problema numa reunião sobre o ensino nas Escolas Públicas, que acolhe aqueles que não têm condições de pagar uma Escola Particular, o palestrante me contestou. Respondeu-me que “separar o joio do trigo” (forma com a qual me expressei) seria um tipo de preconceito.

Entendo que preconceito é desrespeitar as diferenças naturais do ser humano: de cor, de raça, da orientação sexual; ou de religião ou condição social. Entretanto oferecer as mesmas regalias tanto para quem gosta de estudar e para quem está acostumado a roubar é o mesmo que estragar as maçãs boas junto com as estragadas. Os menores infratores têm todo direito e devem estudar, mas em outra Escola onde, primeiramente, possam  ser recuperados para, depois, conviver com os demais.

“Ninguém dá pulos no caminho da evolução moral. Todos nós temos um longo percurso a percorrer. E os pais têm obrigação de educar seus filhos, através do próprio comportamento. Se um pai ensina seu filho a roubar não se preocupa se o filho um dia for preso. Há necessidade de tornar a paternidade responsável pela criação dos filhos e por sua Educação.

Seria justo, num hospital, misturar pacientes com doenças contagiosas com os demais doentes? Todos merecem ser tratados; porém separadamente, ou se criará uma situação bem mais grave.

Içami Tiba

O psiquiatra Içami Tiba, em seu livro QUEM AMA, EDUCA, que foi lançado pela Editora Gente, enfatiza sobre a necessidade de maior participação paterna na educação dos filhos. Reconhece que não existe um manual de Educação para milhares de seres humanos que nascem uns diferentes dos outros; contudo, é imprescindível aplicar algumas regras básicas para proporcionar uma boa educação aos filhos, a fim de que a criança de hoje possa ser o respeitável cidadão de amanhã.

Segundo o especialista, no mundo moderno, as crianças são criadas como bichinhos de estimação, cujos menores desejos são satisfeitos e nada lhes é negado. E o resultado de tanta “paparicação” aí está! “A Educação deve incluir disciplina, gratidão, religiosidade, noções de cidadania e ética. É um projeto e, como todo projeto, tem suas estratégias de ação. E para realizar essa ação é só querer!”

Sob o ponto de vista religioso, vale lembrar uma frase que diz: “A inteligência é rica de méritos para o futuro; mas com a condição de ser bem empregada.”

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