Gestão Escolar x Qualidade na Educação

GESTOR ESCOLAR X QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

 

Cleonice Adriana Schmitz dos Santos i[[i]]                                            

Valdecira Aparecida da Silva Moreira[[ii]]

 

Cleonice Adriana Schmitz Dos Santos -cleoniceadriana@hotmail.com; Letras; Pós-graduada em Gestão escolar. Professora nível III/SEDUC/RO.

Resumo: O presente trabalho fundamentou-se em referenciais teóricos com objetivo de analisar os desafios do gestor na elevação dos índices de aprendizagem escolar durante o processo de alfabetização dos alunos. A importância do envolvimento do gestor nas ações metodológicas e na reflexão/entendimento de que a avaliação externa é um instrumento que possibilita aprendizagem, um reflexo da realidade educacional, proporcionando a retomada, o planejamento de ações didáticas e políticas com base nos resultados obtidos.

Palavras-chave: Desafios, Gestão, Alfabetização.

 

Abstract: The present study was based on theoretical references with the objective of analyzing the manager’s challenges in raising the rates of school learning during the students’ literacy process. The importance of the manager’s involvement in methodological actions and in the reflection / understanding that external evaluation is an instrument that enables learning, a reflection of the educational reality, providing the resumption, planning of didactic and political actions based on the results obtained.

Keywords: Challenges, Management, Literacy.

 

Introdução

O objetivo desta dissertação é apresentar reflexões sobre a função do gestor como mediador de conflitos e articulador de ações pedagógicas e administrativas,

Valdecira Aparecida da Silva Moreira – valdeciracolorado@hotmail.com- Pedagoga, Especialista em Gestão Escolar; Supervisora da Escola 16 de Junho Colorado do Oeste- Rondônia-; mestranda em Ciências da Educação pela UDS-Chile

bem como, a busca de alternativas que elevam os índices de aprendizagem dos alunos, as contribuições nas articulações da avaliação da aprendizagem no Ciclo de Alfabetização.

O grande desafio do Gestor Escolar, na atualidade, principalmente em escolas de ensino das séries iniciais é garantir a qualidade no processo de alfabetização, mediante ao aumento considerável de alunos de inclusão no ensino regular, imaturidade dos discentes e desestrutura familiar, cabendo ao gestor, em parceria com sua equipe organizar os espaços de ensino. O papel de administrar nem sempre é algo simples, demanda atenção e foco.

A função de motivador dos docentes deve ser constante, principalmente o de apontar a pesquisa como possível caminho para solucionar problemas, incentivando as participações dos professores nas formações continuadas, presenciais ou EAD, a valorização do esforço pessoal ou coletivo, a avaliação e reavaliação constante do trabalho pedagógico e análise dos resultados obtidos nas avaliações internas e externas deve ser um exercício diário e permear as ações do gestor escolar. Segundo Poti 2014:

A educação abrange mais do que aprender a ler, a escrever ou calcular. O direito de uma pessoa à educação engloba oportunidades educativas, como o direito ao ensino básico, secundário e superior. (POTI, 2014 p. 10).

Para Poti, as atribuições do gestor escolar cabem, entre outras, o papel de garantir esse direito aos alunos. Cuidando da parte administrava e pedagógica da escola, seu envolvimento, dedicação e administração contribuem fortemente para a aprendizagem dos discentes.

O desafio dos gestores, na atualidade, em relação à alfabetização, é garantir a qualidade do ensino, elevar o índice das avaliações internas e externas, em especial a Avaliação Nacional da Aprendizagem – ANA, aplicada aos alunos do 3º ano do Ensino Fundamental I, como fechamento do ciclo inicial de alfabetização.

As avaliações de larga escala tornaram-se fenômeno nos sistemas de educação básica no Brasil. Cultura que surgiu na educação brasileira e nasceu com dois objetivos: avaliar a qualidade, a equidade e a eficiência do ensino; e fornecer subsídios para a formulação de políticas públicas educacionais.

Segundo Silveira e Ferron, 2012, a Avaliação Nacional da Aprendizagem – ANA produzirá indicadores que contribuam para o processo de alfabetização nas escolas públicas brasileiras. Sua aplicação vai além do teste de desempenho do estudante, pois propõe análise das condições de escolaridade, oportunizando ao gestor a tomada de decisões em relação aos rumos da educação, propiciando pistas para direcionamento de ações produtivas. Os resultados das avaliações externas, entre outras ações, propiciam embasamento ao gestor para avaliar e reavaliar os pontos fortes e fracos de sua gestão.

O Gestor Escolar e a avaliação externa na alfabetização

O gestor, principalmente o que atua em escola dos anos iniciais, precisa estar comprometido e engajado com a alfabetização, ter responsabilidades pedagógicas na organização do currículo e acompanhamento dos planos de aula com foco nas avaliações internas e externas, em especial as avaliações realizadas em nível nacional, como a Avaliação Nacional da Aprendizagem – ANA, para que possa utilizar com propriedade os resultados da avaliação como parâmetro para reflexões com sua equipe buscando sempre melhorias para o processo de ensino e aprendizagem dos alunos. Segundo Alavarse:

Conhecer e utilizar os resultados das avaliações externas nas salas de aula e cotejá-los com as avaliações internas significa compreendê-los não como um fim em si mesmo, mas sim como possibilidade de associá-los às transformações necessárias no sentido de fortalecer a qualidade da escola pública democrática, que é aquela que se organiza para garantir a aprendizagem de todos e todas (ALAVARSE, 2013, p. 75).

Desta forma, faz-se necessário o conhecimento e envolvimento do gestor sobre o sistema de avaliação interna e externa, o estudo e análise, juntamente com os professores e equipe pedagógica da escola, com a finalidade de desenvolver ações que possam garantir melhor qualidade de ensino.

Em 2013 foi criada a avaliação ANA, que consiste em uma “avaliação externa universal do nível de alfabetização ao final do 3º ano do Ensino Fundamental, aplicada pelo Inep” (MEC, 2012), que tem como objetivo verificar a aprendizagem dos estudantes no final do Ciclo de Alfabetização e as condições na oferta de ensino nas unidades escolares em que estes estudam.

Segundo, MARTINS 2010, as políticas educacionais na alfabetização são implementadas a partir de problemas evidenciados pela sociedade, pois consistem em uma ferramenta do Estado que atribui à educação certas funções de acordo com seus objetivos sociais e procura amenizar as desigualdades através de um conjunto de medidas adotadas para solucionar algum problema de ordem social. A política pública, portanto, consiste em um conjunto de ações que leva a cabo um governo para alcançar um objetivo em relação a um problema de conflito social.

Frente aos resultados, ao gestor escolar é atribuído, entre outras funções, o papel de conhecer, analisar e utilizar os resultados das avaliações externas por meio de grupos de estudos, auxiliar a equipe de trabalho na compreensão dos resultados, como possibilidade de transformações no sentido de fortalecer a qualidade da escola, que é aquela que se organiza para garantir a aprendizagem. De acordo com Brasil, 2013 o instrumento avaliativo ANA tem por objetivos:

 

  1. i) Avaliar o nível de alfabetização dos educandos no 3º ano do EF; ii) Produzir indicadores sobre as condições de oferta de ensino; iii) Concorrer para a melhoria da qualidade de ensino e redução das desigualdades, em consonância com as metas e políticas estabelecidas pelas diretrizes da educação nacional (BRASIL, 2013a, p. 7).

Um gestor escolar descontextualizado, desatualizado em relação ao contexto nacional de aprendizagem, apático aos desafios de alfabetizar, que não provoca inquietações em seus professores, que vai na “oba, oba,” que não tem direcionamento, e conhecimento de causa, que não busca soluções, que não incentiva os educadores aos cursos de formações continuada e grupo de estudos, com certeza, está ocupando a função de forma errada, levando a escola ao desânimo, desencanto pelo ofício de ensinar.

 

O papel do Gestor na alfabetização

Um gestor com perfil para exercer tal função mobiliza a escola a transformar uma comunidade, garante novas expectativas de vida para os alunos. Segundo Vergani 2010:

Um gestor democrático mobiliza a escola e transformar as velhas perguntas em novas, constituindo fator determinante para que a instituição escolar possa oferecer uma educação de qualidade, comprometida com a aprendizagem de crianças, jovens e adultos, a fim de que sejam capazes de intervir positivamente na sociedade na qual estão inseridos (VERGANI, 2010, p.5).

Os gestores compromissados com a qualidade educacional se transformam em guias, líderes. São os que percorrem o caminho junto aos educadores, enfrentam as dificuldades e provocam mudanças na forma de ver e agir. A competência administrativa e habilidade de liderança de pessoas são atribuições fundamentais no gestor escolar. Machado 2014 ressalta que:

Deve ficar claro que a função do gestor envolve atividades de mobilização, de motivação e de coordenação e para ser um dirigente uma escola implica colocar em ação os elementos do processo organizacional de forma integrada e articulada. (MACHADO, 2014, p.16)

O gestor escolar deve estar sempre atento ao diálogo com a comunidade, ter habilidades para motivar e envolver a família no processo de alfabetização. Ser capaz de criar uma espécie de teia de solidariedade, na qual um ajuda o outro e ambos se ajudam na tarefa de alfabetizar, cada um exercendo suas funções com autonomia e tomada de decisões. Conforme Libâneo 2001:

A escola precisa deixar de ser meramente uma agência transmissora de informação e transformar-se num lugar de analises criticas e produção da informação, onde conhecimento possibilita a atribuição de significados à informação. (Libâneo, 2001, p.85).

 

As práticas pedagógicas se constroem no chão da escola com atitudes, ações direcionadas e planejadas. Quando o gestor se envolve as coisas acontecem. As teorias deixam de ser pura e simples teoria e ganham vida, sustentam tese, fazem a diferença na vida das pessoas. O trabalho passa a ser algo agradável, muitas vezes motivador e incessável na busca pela qualidade educacional.

 

Considerações Finais

O gestor escolar precisa estar engajado com as causas educacionais, pois exerce função determinante na escola. Ele é capaz de despertar habilidades adormecidas em sua equipe quando exerce a função de líder ou tolhe talentos quando centraliza as ações ou não delega responsabilidades a quem é de direito.

Para ser um bom gestor educacional, precisa ter habilidades para liderar, coordenar o processo de discussão dos resultados, direcionar a missão, a visão estratégica às políticas educacionais, às da instituição e a dos diferentes tipos de planejamento que cabe a ele administrar.

As transformações significativas em relação à didática e a metodologia da alfabetização só ocorrerão de fato com a presença de um gestor forte, um gestor com habilidade de articulação, mobilização, que envolva a comunidade na vida cotidiana da escola, que compreenda e utilize os resultados das avaliações padronizadas de larga escala para direcionar as novas ações, em especial a Avaliação Nacional da Aprendizagem, (foco deste estudo) que avalia o 1º ciclo da alfabetização.

A avaliação ANA é realizada anualmente com o objetivo de observar o processo de alfabetização avaliando os aspectos e contextos que envolvem a gestão escolar, a infraestrutura, a formação docente e a organização do trabalho pedagógico, entendidos como aspectos intervenientes no processo de aprendizagem. Cabe, então, ao gestor, promover articulações para a efetivação do princípio constitucional do padrão de qualidade do ensino (art. 206, inciso VII da Constituição Federal 1988).

 

Referências

ALAVARSE, O. M. Avaliar as avaliações em larga escala: desafios políticos. Revista Educação, São Paulo, 2013. Disponível em: http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/0/avaliar-as-avaliacoes-em-larga-escala-desafios-politicos-302490-1.asp.>. Acesso em: 02 Jul. 2017.

BRASIL Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA). Documento básico. Brasília, DF: INEP, 2013a.

_____ Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, Senado, 1998.

_____ MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA. Portaria 867 de 04/07/2012 – Institui o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa – PNAIC. Disponível em: http://www.lex.com.br/doc_23490618_PORTARIA_N_867_DE_4_DE_JULHO_DE_2012.aspx; acesso em 04 Jul. 2017.

FERRON Aline; SILVEIRA, Carmem Lucia Albrecht da. Reflexões Sobre a Avaliação Externa no Contexto de Uma Rede Municipal de Ensino: Elemento para pontuar a qualidade na Educação, UPF/RS- 20012

LIBÂNEO: José Carlos Adeus professor, adeus professora? Novas exigências educacionais e produções docentes, 5ª edição, São Paulo, Cortez.

 MACHADO; Jaqueline Correa Lustosa, O Papel do Gestor Escolar Na aprendizagem Dos Alunos: Análises E Constatações, Brasília/DF, julho de 2014.

 

MARTINS, S. P. O financiamento da educação básica como política pública. Revista Brasileira de Política e Administração da Educação, [S.l.], v. 26, set./dez. 2010.

POTI, Daniela Pinheiro Alves, O Papel do Gestor Escolar e a sua articulação com as práticas pedagógicas. Brasília (DF), Julho de 2014.

VERGANI, Flávia Melice, Avaliação externa de rendimento escolar: um instrumento da gestão pedagógica. Caias do Sul, maio 2010.

 

[[i]]Professora na rede Estadual de Ensino desde 2008, Letras, especialista em Gestão Escolar, Mestranda em Ciências da Educação. cleoniceadriana@hotmail.com

[[ii]]Professora na rede Estadual de Ensino desde 1997, Pedagoga, especialista em Mídias na Educação, Mestranda em Ciências da Educação. valdeciracolorado@hotmail.com.

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