Histórias em quadrinhos na alfabetização

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NA ALFABETIZAÇÃO

 

Valdicéia de Cássia da Silva Balbinot [[i]]

Sandra Inês Burgel[[ii]]

Cleonice Adriana Schmitz dos Santos[[iii]]

 

Valdicéia de Cássia da Silva Balbinot – Mestranda em Ciências da Educação/UDS valdiceia_balbinot@hotmail.com

RESUMO: Este artigo discute a aplicação da ferramenta tecnológica, Histórias em Quadrinhos (HQ), versa sobre sua aplicabilidade nas turmas de alfabetização. A questão principal de investigação é: histórias em quadrinhos devem ser usadas em sala de aula, como recurso pedagógico? Elas ajudam a alfabetizar? A metodologia adotada nos estudos foi à pesquisa bibliográfica e observações “in loco” por meio de participação em grupo de estudos realizados na escola.

PALAVRAS-CHAVE: Histórias em Quadrinhos. Metodologia. Tecnologia.

ABSTRACT: This article discusses the application of the Comics tool (HQ), about their applicability in literacy classes. The main research question is: should comics be used in the classroom as a pedagogical resource? Do they help you to become literate? The methodology adopted in the studies was the bibliographical research and observations “in loco” through participation in a group of studies carried out in the school.

KEYWORDS: Comics. Methodology. Technology

1 Introdução

O artigo Histórias em quadrinhos na alfabetização teve como local de pesquisa uma Escola Estadual no Município de Colorado do Oeste-Rondônia. Foi estruturado a partir de prática docente e discussões emergidas nas formações continuadas/grupos de estudo na escola em pesquisa, enfatiza relatos de experiências bem-sucedidas de docentes alfabetizadores, a partir da utilização da ferramenta tecnológica, Histórias em Quadrinhos.

Com a globalização ocorreram mudanças significativas no processo de ensino aprendizagem. Neste contexto Branco, (2017) alerta para o fato da necessidade de investigação sobre as novas tecnologias na escola.

Esta pesquisa aborda relatos, ações de planejamento e aplicação envolvendo Histórias em Quadrinhos, nas turmas de alfabetização.

Por meio da investigação percebeu-se, que no cotidiano escolar observado, os docentes utilizam regularmente as ferramentas tecnológicas disponíveis na escola.

 

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

A tecnologia envolve pessoas por meio de atividades interativas, os alunos em idade de alfabetização, apresentam grandes familiaridades com os recursos tecnológicos, facilitando assim a aprendizagem dos conteúdos curriculares. A respeito deste fato, Branco (2017) explica:

A utilização das tecnologias pelos Imigrantes Digitais é diferente da utilização pelos Nativos Digitais. Por exemplo: é costume dos primeiros escreverem seus textos para depois digitar, pesquisar textos na internet e imprimir para leitura, enviar e-mails e utilizar o telefone para confirmar recebimento, dentre outros. Já os Nativos Digitais produzem seus textos diretamente na tela, leem os textos em formato digital, utilizam redes sociais para transferência de

Sandra Inês Burgel – L.P. Pedagogia. Professora Nível III /SEDUC-RO. Especialista em Gestão Escolar. Métodos e Técnica em Ensino. Psicopedagogia. sandraburgel1@hotmail.com

mensagens e arquivos e recorrem pouco a ligações de telefone (BRANCO,2017, p.3).

Segundo a autora, Imigrantes Digitais, são de modo geral os professores, porque estão buscando esta tecnologia, enquanto os alunos são os Nativos Digitais, porque nasceram na era da informática e da globalização.

Fato que justifica o encanto dos alunos pelas Histórias em Quadrinhos-HQ, por serem nativos digitais.

Percebe-se, por meio de observação das práticas docentes, constantes buscas por alternativas eficientes e eficazes no processo de alfabetização. Prais, et al. (2017), escreveu:

No contexto educacional atual, todos os envolvidos no processo educativo buscam a qualidade da aprendizagem dos alunos. Nesse sentido, procuram alternativas, metodologias e propostas que possam potencializar o processo de ensino. As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) têm se caracterizado como aliadas nesse processo, uma vez que otimizam o trabalho do professor na elaboração de atividades, na interação em sala de aula e fora dela, e aproximam os conhecimentos construídos da realidade dos alunos. (PRAIS, et al.2017, p.2).

Na busca por alternativas metodológicas simples e funcionais surgem às histórias em quadrinhos, por se traduzirem em textos e imagens em forma de mídia, também chamada gibi, HQs. A este respeito Cruz,2015, afirma:

O uso de histórias em quadrinhos (HQ) tem se mostrado um recurso interessante para o ensino de conceitos (…) Tal perspectiva parte da associação das HQ’s à inserção das atividades lúdicas em sala de aula. As histórias em quadrinhos, em seus diferentes gêneros, oferecem possibilidades diversas de aplicações no universo escolar, em todos os seus níveis. O desafio é saber olhar os quadrinhos como um recurso pedagógico. (CRUZ,2015, p.11)

No entanto acredita-se, que os desafios em saber olhar os quadrinhos como um recurso pedagógico são superados a partir da aplicação de planejamento didático das atividades envolvendo o fantástico mundo das histórias e quadrinho.

SOCIALIZAÇÃO DE EXPERIÊNCIA COM USO DO HQ

Para Araújo, 2007, seja de ficção ou não-ficção, para todo efeito as histórias em quadrinhos são uma união de criatividade (ARAÚJO, 2007, p.53).

A professora da turma de alfabetização iniciou o encontro de socialização das boas práticas realizadas na escola envolvendo a tecnologia.

Segundo relato da docente ela conheceu as histórias em quadrinhos por meio digital durante o curso de formação do e-Proinfo– Ambiente colaborativo de aprendizagem, a partir dai se encantou com os recursos didáticos oferecidos por esta mídia em especial.

No laboratório de informática da escola tem o programa chamado Hagáquê – Criador de Histórias em Quadrinhos, a coordenadora deste ambiente realizou o Download em todos os computadores, facilitando assim o acesso aos alunos, mesmo quando não se tem internet.

Segundo a professora do 3º ano, o HagáQuê é um editor de histórias em quadrinhos, que proporciona recurso pedagógico de forma interdisciplinar, outro grande beneficio e que ele é um software distribuído gratuitamente. Assim os alunos podem baixá-lo em casa e continuar a estudando enquanto se diverte com a família.

Teixeira e Archanjo (2011) ainda falam acerca de vários elementos secundários de apoio para completar a linguagem das HQs, como os “balões de falas” e ”pensamentos”, as legendas indicadoras de lugar e tempo, as onomatopeias representando os sons, e os traços sinestésicos simuladores

Cleonice Adriana Schmitz dos Santos – Mestranda em Ciências da Educação/UDS.cleoniceadriana@hotmail.com

de movimento.

Outros professores relataram suas experiências com as histórias em quadrinhos, a professora do 2º ano relatou que seus pequenos se apaixonaram pela leitura, a partir dos gibis que foram doados pela gestora da escola, e que agora eles não querem nem brincar na hora do intervalo, aproveitam o momento do recreio para lerem.

Outra professora falou que trabalhou leitura com os alunos do 1º ano usando tirinhas, que ela imprime e os alunos levam para casa e realizam a leitura junto com a família.

Ao se pensar a sala de aula como espaço de aplicação de diversas possibilidades didáticas, o professor se permite, e permite aos seus alunos, uma postura mais motivadora em relação à construção do currículo da escola. (CRUZ,2015, p.100).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Retomando a discussão inicial, motivo principal para realização desta investigação. Histórias em quadrinhos devem ser usadas em sala de aula, como recurso pedagógico? Elas ajudam a alfabetizar?  Segundo relato das professoras alfabetizadoras, durante o grupo de estudo sim, com certeza.

No entanto, elas recomendaram que o desejo da escolha desta metodologia deve partir do acreditar do professor, jamais pela imposição da equipe pedagógica, a metodologia das histórias em quadrinhos oferecem inúmeras possibilidades, mas o professor precisa acreditar e se dedicar para que ela realmente se efetive.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICOS 

ARAÚJO, BetaniaLibanio Dantas de. Uma arte puxa outra. Revista Claretiano: Revista do Centro Universitário, n. 7, 2007. Batatais. 

BRANCO, Marta Roque As Tecnologias de Informação e Comunicação: Novos Suportes Para o Ensino de Literatura, Belo Horizonte, v. 10, n. 1, p. 229-241, jan.-jun. 2017 – ISSN 1983-3652 DOI: 10.17851/1983-3652.10.1.229-241

CRUZ, ThaizaMontine Gomes dos Santos, Enquanto Isso na Sala de Justiça… História Em Quadrinhos no Ensino de Química, Goiânia, Setembro de 2015.

PRAIS, Jacqueline Lidiane de Souza, REIS, Juliana Irani Villanueva dos DUTRA, Alessandra, ROSA, Vanderley Flor da A WEBQUEST COMO RECURSO PEDAGÓGICO NO CURSO DE PEDAGOGIA, Belo Horizonte, v. 10, n. 1, p. 164-177, jan.-jun. 2017 – ISSN 1983-3652, DOI: 10.17851/1983-3652.10.1.164-177

TEIXEIRA, N. S.; ARCHANJO, R. M. Quadrinhos na educação e filosofia. Linguagem Acadêmica, Batatais, v.1, n.2, p. 45-63, jul./dez. 2011.

 

 

[[i]]Mestranda em Ciências da Educação/UDS valdiceia_balbinot@hotmail.com

[[ii]] L.P. Pedagogia. Professora Nível III /SEDUC-RO. Especialista em Gestão Escolar. Métodos e Técnica em Ensino. Psicopedagogia. sandraburgel1@hotmail.com

[[iii]]Mestranda em Ciências da Educação/UDS.cleoniceadriana@hotmail.com

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