O papel do professor na sociedade

O papel do professor na sociedade

 

Hosana Oliveira de Andrade

 

Hosana Oliveira de Andrade – Aluna do Curso de Especialização em Mídias na Educação na Universidade Federal do Estado do Amapá – UNIFAP – hosanafilosofa@gmail.com

O profissional, pessoa, que trabalha com educação, em qualquer nível, tem como diretriz a formação de indivíduos, capazes de pertencer e atuar na construção da sociedade em que vive. As pessoas necessitam de referências, inicialmente dada pelos país, mas que com o passar do tempo e o amadurecimento, principalmente crianças e adolescentes, buscam referenciais, modelos, para além do seio familiar, naturalmente. Estes modelos são buscados na escola e na sociedade. Neste ponto, os professores, em âmbito escolar ou livremente, são a ponte para uma sociedade sensível e consciente de seu papel transformador.

Para ser professor, antes de mais nada, a pessoa necessita ser seu próprio guia, compreender que errar constrói, assim como acertar. Que o aprendizado continuo com todos e tudo que o cerca não é uma opção e sim uma imposição de sua profissão que anseia por compreender o caminho a indicar, para que as pessoas se conectem com sua existência, enquanto ele se conecta à sua. Ser professor é compreender a classe escolar como uma, segundo o pensador francês Edgar Morin, uma “complexa entidade”, que envolve estratos sócio-econômicos, emoções e culturas diferentes e nesta heterogeneidade, encontrar caminhos para a quebra de dogmas e paradigmas.

O professor deve ser um companheiro com perspectiva na construção do conhecimento, assumindo o seu papel de promotor, orientador, mediador e motivador da aprendizagem, deve ser, acima de tudo, fonte de motivação para o aprendiz. Como promotor da aprendizagem, facilita o acesso ao conhecimento acumulado pela sociedade, orientando, executando e avaliando eventos, experiências e projetos, para que ocorra a construção do conhecimento de forma lúdica e interativa.

Paulo Freire, em pedagogia da autonomia, fala-nos de sonhos possíveis, que só podem ser alcançados por meio de uma educação que liberte. Neste caminho, este grande pedagogo, indica que o sonho só pode ser viável se o professor construir sua prática educacional pautada por uma constante avaliação sobre os limites de educar, visando a ampliar, constantemente, os espaços livres a serem preenchidos, o que apenas é possível pelo viés de uma educação livre, colocando o professor como um dos pilares das transformações sociais.

O professor, como diria o professor e historiador da Universidade de São Paulo, Leandro Karnal, deve compreender que “a última linha de força de uma aula é o aluno. É a linha mais importante. O aluno é para o professor o que o paciente é para o médico. É o objetivo da sua existência profissional”.  Neste sentido, a construção por um modelo de educar que possibilite ao aluno a realização de seu potencial, mesmo que para tanto, limites devam ser clarificados e estandardizados, criando, exatamente, uma atmosfera, um clima seguro para o exercício da individualidade em contexto social.

Ainda, segundo Karnal, impera hoje uma “inversão tradicional da função pedagógica: considerar o aluno um problema para a escola”. Esta inversão impede uma visão dissociativa do aluno e do problema provocado, causado pelo mesmo. É preciso atuar para separar o aluno do problema, mesmo que para tanto se tenha que intervir que relativa dureza e nenhuma complacência, retirando-o da sala de aula. Mas que fique claro, ele, está saindo não por conta dele ou de qualquer julgamento do professor e sim do problema que ele provoca pelo seu comportamento, coisas diferentes.

Para Karnal, “estamos diante de um dos dilemas mais curiosos do ensino: você pode combater o mau comportamento, mas sempre lembrando que o aluno é o seu objetivo maior”. A ideia proposta por este estudioso é a de que, a exemplo dos cristãos medievais, devemos “odiar o pecado e amar o pecador”. Se entendermos esta ideia, de que o aluno é o centro do nosso trabalho, não seu comportamento, e que não se pode admitir a bagunça por que ela é um limitante para o aprendizado do aluno e não, necessariamente, ao meu trabalho como educador. Esta ideia alinha-se à pedagogia da liberdade, proposta por Paulo Freire, onde o aluno é protagonista de seu comportamento, compreendendo os limites necessários ao seu aprendizado, ao seu desenvolvimento.

Hosana Andrade

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