A invasão dos aplicativos

A invasão dos aplicativos

Gilda E. Kluppel

Eles prometem facilitar as atividades do cotidiano e descomplicar a vida. Quando se trata de aplicativos, os tais apps, apresentam-se tantas opções que sequer podemos imaginar. Num mundo, obcecado por novas tecnologias, tudo pode se transformar em aplicativos. Torna-se difícil encontrar alguém que não utilize pelo menos uma meia dúzia deles em seu celular. Logo, na palma da mão, um leque de ações disponíveis em apenas alguns cliques.

Existem aqueles aparentemente inúteis, como contar quanto tempo você consegue pressionar o botão na tela. E também o caso do vento. O aplicativo permite a utilização de um ventilador girando, sem parar, na tela do celular. Embora não solucione, talvez alguém, com uma pródiga imaginação, pode refrescar-se ao observar o movimento das hélices.

Despontam inúmeros apps capazes de otimizar o tempo e organizar as tarefas. Logo, ao acordar você utiliza um aplicativo para monitorar os exercícios físicos e controlar a sua dieta, com outro lê as notícias do dia em seu jornal preferido. Em um app de mensagens deseja um bom dia aos seus contatos e através de outro aplicativo pode ir até o trabalho. No fim do dia pede uma pizza pelo app destinado às refeições. No final de semana, está sem namorada ou namorado? Então, pode até se deparar com a sua cara-metade num app de encontros, na ocorrência de problemas pode “discutir a relação” com um app destinado para esse fim.

Caso você considere que está passando tempo em demasia manuseando o celular, a verificação vem dali mesmo. Existe um aplicativo que monitora tudo o que é realizado durante o dia. Quais são os apps e quanto tempo se destina para cada um deles. Os dados coletados são exibidos em gráficos sobre o período de tempo gasto pelo smartfone em sua vida.

Surpreendentes são as áreas que os apps invadiram, nas quais parecia imprescindível a presença física. Responsável por gerar polêmica em países em que foi implementado, a terapia digital chegou recentemente ao Brasil. O pagamento, de uma taxa semanal ou mensalidade, habilita o acesso a um terapeuta que atende vinte quatro horas por dia. Logo, em momentos de estresse, tristeza e decepção, torna-se viável o aconselhamento com o analista digital de plantão.

Será que os apps possibilitam mudanças comportamentais? Muitos até apostam numa sociedade mais solidária com o surgimento dos “aplicativos do bem”, chamados de revolucionários, tais como: contribuir para a preservação ambiental, ajudar pessoas em situação de rua, denunciar problemas da cidade, entre outros.

Há vida sem aplicativos? A Apple tentou responder a questão e imaginou um mundo sem apps. O vídeo recebeu o sugestivo nome de “Appocalypse”. Um novato retira os servidores da tomada, logo desaparecerem todos os aplicativos, as pessoas enlouquecem e o mundo se transforma num verdadeiro caos.

Em uma sociedade cada vez mais conectada, aficionada pelas redes sociais, do finado Orkut até o Facebook, formou-se uma geração que necessita permanecer constantemente online. A rapidez do tempo de comunicação e a ampliação dos seus espaços tornou cada vez mais atraente a interação entre as pessoas, porém, ocorrem relacionamentos imediatos, em que muitos encantos não serão vivenciados em sua totalidade.

Gilda E. Kluppel é professora de Matemática do ensino médio em Curitiba/PR, Mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

A ferramenta está criada. Contudo, como está a pessoa em contato contínuo com essa tecnologia? É notório que a sociedade contemporânea consome em excesso, especialmente inovações tecnológicas. Vale lembrar o pensamento do filósofo Paul Valéry: “Toda a questão se reduz a isto: pode a mente humana dominar o que a mente humana criou?”

Não se pode negar os benefícios obtidos com as novas tecnologias, mas o uso excessivo dos smartfones e seus aplicativos proporcionam um maior controle e submete a uma dependência. Passa a impressão de que qualquer ato cotidiano não pode ser executado sem a utilização desse dispositivo.

O consumo exagerado da tecnologia ocasiona um comportamento individualista. Basta observar que em lugares públicos as pessoas, inúmeras vezes, concedem maior atenção aos seus celulares, ignorando aos que estão em sua volta. Leva a crer que aguardam ansiosamente a criação de um aplicativo da felicidade, capaz de fornecer o passo a passo para se chegar em momentos de total satisfação. Logicamente induzindo ao consumo de mais tecnologia, uma busca infindável para atingir a suposta situação de bem-estar.

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