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As relações no mundo do trabalho vêm mudando constantemente. A
solidariedade perde espaço para atitudes individualistas, ações de desprezo,
provocações, inveja, perseguições, boataria e clima de terror nas repartições de
trabalho. Os que têm emprego sofrem cada vez mais a pressão da flexibilidade, do
fantasma do desemprego e trabalham cada dia mais intensamente, num círculo de medo,
competição e terror.
É sabido que trabalhar vem do latim vulgar "tripaliare", que significa torturar
e derivado do latim clássico "tripalium", antigo instrumento de tortura para
aumentar a produção. Mais tarde, a palavra foi ganhando outros significados, como
esforçar-se, lutar, pugnar, e até recentemente, realizar-se.
Surge, com isso, novas formas de patologias ligadas ao problema: doenças ocasionadas por
esforços repetitivos, stress, falta de auto estima, etc. Tal guerra, cujos efeitos
muitas vezes se restringem aos consultórios de médicos e psicólogos, ganhou
recentemente um novo front quando na
França a
psicoterapeuta Marie-France
Hirigoyen, autora do livro Assédio Moral a violência perversa do cotidiano,
apresentou os números de um "novo" fenômeno nocivo a saúde do trabalhador
denominado assédio moral. Em sua definição, considera-se assédio moral todo
tipo de ação, gesto ou palavra que atinja, pela repetição, a auto-estima e a
segurança de um indivíduo, fazendo-o duvidar de si e de sua competência, implicando em
dano ao ambiente de trabalho, à evolução da carreira profissional ou à estabilidade do
vínculo empregatício do funcionário, tais como: marcar tarefas com prazos impossíveis;
passar alguém de uma área de responsabilidade para funções triviais; tomar crédito de
idéias de outros; ignorar ou excluir um funcionário só se dirigindo a ele através de
terceiros; sonegar informações de forma insistente; espalhar rumores maliciosos;
criticar com persistência; e subestimar esforços.
A pesquisa feita por Hirigoyen constatou que só na França 2 milhões de pessoas se
dizem vítimas de assédio moral. Os resultados dessa "guerra invisível" são
destrutivos ao ambiente de trabalho. Uma vítima de assédio moral não atinge mais seu
pleno potencial de trabalho, torna-se inativo, ineficiente, perde a auto-estima, começa a
duvidar de si mesmo, sente-se humilhado e aterrorizado com a perseguição psicológica em
que está sendo submetido. Dificilmente encontra a solidariedade de outros colegas, pois
se o assediador é o chefe, é natural que todos sintam medo de ser o
"próximo".
No Brasil, a médica do trabalho e mestre em psicologia Social pela PUC, Dra Margarida
Barreto, realizou uma pesquisa com 2072 trabalhadores e chegou a conclusão que 870
sofreram casos de humilhação no trabalho. Um número extremamente alto!
Faz-se necessário, diante de um cenário repleto de humilhações, adotarmos limites
legais que preservem a integridade física e mental dos trabalhadores, sob pena de perpetuarmos uma "guerra invisível", de
difícil diagnóstico e, às vezes, travestida de puro jogo de poder, nas relações de
trabalho.
Sabemos que a nossa iniciativa não é a solução definitiva do problema, pois é bem
verdade que o sistema de trabalho hoje propicia esse tipo de comportamento ao tratar o
trabalhador como um objeto descartável. E se o problema existe é nosso função criarmos
condições mais harmônicas nas repartições e resguardar a saúde do trabalhador.
.Arselino Tatto é vereador PT/SP |