logo_partes_pqno_w.jpg (11208 bytes)

Especial Assédio Moral

Ano I - Nº11 - fevereiro de 2001

Principal
Editorial
Educação
Em Questão
Esportes
Cotidiano
Comportamento
Cultura
Memória
Nossa Língua
Poesia e Crônicas
Outras Edições
Saúde
Sócio Ambiental
Reflexão
Terceira Idade
Turismo
 
Participe
Tascas
Fórum
Cartas
Esotérico
Econotas
Humor
Pílulas
Fale conosco
 
Serviços
Agenda
Desaparecidos
Casa, Rua e Cia
Fotos
Links
Especiais
Gilberto Freyre
Eleições 2000
Links do mês
Reclame e Ame
 

Um livro influencia as leis do trabalho em França, denunciando o fenómeno do"psicoterror" em local de trabalho

                  Quando a Empresa Destrói

Por ANA NAVARRO PEDRO, em Paris
Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2000

A lei começa a reprimir os métodos de pressão que substituem a violência física nas empresas ocidentais: as técnicas de desestabilização no local de trabalho. tal como os subentendidos, a desvalorização, as alusões maldosas, a mentira, as humilhações, constituem um assédio moral, ou psicoterror, que, por vezes, dá azo a um verdadeiro assassinato psíquico.

Deprimido por um ano de perseguições e de humilhações impostas pelo seu superior hierárquico, visando despedi-lo, um quadro comercial suicida-se. Um tribunal condena a entidade patronal como "responsável civil" pelas perseguições do chefe de serviço. Os assalariados de uma pequena empresa de província fazem uma greve dura contra os "métodos terroristas" do director, e obtêm a partida dele. Um assalariado suicida-se no escritório, depois de ter recebido mais uma carta com ameaças de despedimento por faltas inventadas, e um tribunal decreta que se trata de um acidente do trabalho,dando assim à família a base jurídica par reclamar uma indemnização.

O ponto comum a todos estes caso, é o assédio moral. Tradução literal da sua denominação em francês ("harcèlement moral"), esta expressão designa os métodos de gestão do pessoal, em certas empresas ocidentais, que recorrem às técnicas habituais da perversão moral. O fenómeno começa a ser reconhecido em França, mas que foi identificado desde há muito noutros países, como os EUA, a Suécia ou a Grã-Bretanha, sob o termo genérico de "psicoterror".

Para colmatar o atraso com o resto do mundo industrializado, a França
prepara um projecto-de-lei que prevê 15 mil contos de multa e dois anos de prisão, a todas as infracções que entrem na definição legal deste problema:
"O assédio moral é um degradação deliberada das condições de trabalho".
Voluntariamente vasta e pouco clara, esta definição contenta a medicina do trabalho, as caixas de previdência e os sindicato que começam a acompanhar estes casos.

O assunto foi despoletado em França por um livro: "O assédio moral - a
violência perversa do quotidiano", da psiquiatra Marie-France Hirigoyen
(edições Syros). Publicado já há um ano, este livro tornou-se num
"best-seller" (180 mil exemplares já vendidos e traduções em 15 línguas) sem  qualquer promoção ou recensões na imprensa.

"Um indivíduo consegue destruir um outro indivíduo através de um processo de assédio moral. Pode até acontecer que a sanha dê azo a um verdadeiro assassinato psíquico": é com esta palavras que a psiquiatra abre o seu ensaio, no qual multiplica os exemplos de casos específicos, tanto na esfera privada da família, como na da empresa.

"Social killers"
Confrontada, no seu trabalho, com um número crescente de depressões e de lesões marcantes da personalidade, na sequência de perseguições vividas no seio das empresas, Marie-France Hirigoyen estudou todos os trabalhos feitos noutros países sobre este assunto. Na Suécia, a investigação do professor Heiz Leymann sobre o "psicoterror" nas empresas deu azo a uma legislação muito severa nesta matéria. No mundo anglo-saxónico, o fenómeno é mais conhecido por "mobbing", enquanto os autores de tais perversões são chamados os "social killers".

"Recorrendo a um certo número de técnicas de desestabilização habituais nos perversos - os subentendidos, a desvalorização, as alusões maldosas, a mentira, as humilhações - é possível proceder a uma manipulação maldosa que os outros não vêm - ou não querem ver, por medo de perderem o emprego, ou por simples complacência. Por vezes, os perseguidores [ou "social killers"] voltam a situação para parecerem vítimas", escreve a psiquiatra.

Assim, com palavras aparentemente anódinas, com alusões, sugestões e
não-ditos, é efectivamente possível desestabilizar uma pessoa, isolá-la e
até destruí-la, sem que as pessoas à volta intervenham. Mas como saber se se trata ou não de assédio moral? As fronteiras são pouco precisas entre assédio, "stress", paranóia e hipersensibilidade. E todos os elementos que entram na definição de assédio moral são usados pontualmente por qualquer pessoa, seja em que quadro de trabalho for. A diferença com o assédio moral, é que isso só se torna destruidor pela frequência e repetição no tempo.

A definição de Marie-France Hirigoyen é, portanto, mais precisa do que a fornecida pela lei: "Assédio moral no local de trabalho é qualquer atitude abusiva e repetida que se manifesta por comportamentos, palavras, actos, gestos, escritos, podendo atentar contra a personalidade, a dignidade, ou a integridade física ou psíquica de uma pessoa, e pôr em perigo o emprego dessa pessoa ou degradar o ambiente de trabalho".

Numa grande empresa, o assédio moral transforma-se em assédio cínico: o objectivo é o de transformar o empregado num fantasma, retirar-lhe
responsabilidades de trabalho, dar-lhe menos tarefas, menos interessantes, torná-lo inútil, submetendo-o ao mesmo tempo a todas as pressões já descritas. A desmoralização pretende empurrar o empregado a cometer faltas profissionais, que justifiquem o seu despedimento. Nalguns casos, todo este processo leva as pessoas visadas ao suicídio.

Quando a violência é mais do que física -Perigo de morte no trabalho

O assédio moral no trabalho

Lei vai punir chefe carrasco
 

Reaja ou se demita

Assédio moral e acidente de trabalho

Assédio moral nas empresas pode levar autores à prisão

Quando a Empresa Destrói

O mal-estar humano nas empresas

Vínculo perverso

Depois do Assédio Sexual o Assédio Moral?

ALGUMA DESTAS SITUAÇÕES DE TRABALHO,É FAMILIAR, PARA VOCÊ?

Veja também: O livro: Assédio Moral - A violência perversa no cotidiano