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ISSN 1678-8419                                                                                                           
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Contra a humilhação no local de trabalho
 
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Johnny L. Notariano 

publicado em 20/04/2008

 

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Johnny L. Notariano 

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Discriminação, preconceito, e assédio moral, defendam-se
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Assédio moral e sua relação com o transtorno afetivo bipolar: forma de profilaxia e convalescença.

Assédio Moral e a Ciência Trabalhista

Assédio moral coletivo
 

 Assédio Moral no ambiente de trabalho
Por João Sérgio de Castro Tarcitano e Cerise Dias Guimarães

 

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Revista Partes - Especial sobre Assédio Moral

 

ARTIGO DE OPINIÃO

  

ASSÉDIO MORAL EM ENFERMAGEM

 

O RISCO (ainda) INVISÍVEL NO MUNDO DOS ENFERMEIROS  

 

 

Nas sociedades do nosso mundo ocidental altamente industrializado, o local de trabalho constitui o último campo de batalha, em que uma pessoa pode matar a outra, sem nenhum risco de chegar a ser processada por um tribunal.”

HEINZ LEYMANN


 

…”Sandra anda cansada e deprimida. Acordar para ir trabalhar tornou-se um sacrifício. As dores de cabeça não a largam, e a paciência para os filhos esgota-se. O trabalho não lhe corre bem. Há já vários meses que o ambiente com a enfermeira responsável do Serviço de Cirurgia não lhe é muito favorável, mas agora agravou-se.

Voltou de férias a semana passada e a enfermeira que a ficou a substituir como chefe de equipa, continuou (imaginem, uma miúda que acabou o curso há um ano). Tudo isto na continuação dos silêncios quando dava opinião sobre algum doente ou problema de serviço, das bocas sobre as suas faltas quando os filhos ficavam doentes, até ao momento em que foi desmentida em plena reunião de enfermagem, pela enfermeira responsável.

Que VERGONHA! Todos os colegas mais novos a olharem para ela, sem a defenderem. Nunca em quinze anos a exercer enfermagem tal lhe tinha acontecido. Porque lhe estaria a acontecer tudo aquilo? Onde tinha falhado?”

UM NOVO RISCO?

Face a um contexto socioeconómico marcado pela globalização dos mercados, constantes fusões e reorganizações dos cuidados de saúde, pela rápida evolução tecnológica, competitividade, flexibilidade e insegurança no emprego, tem-se assistido à emergência de novos riscos laborais de natureza psicossocial, que a enfermeira Sandra não sabe (ainda não consciencializou) que está a sofrer um deles - Assédio Moral no local de trabalho.

O facto do crescente aumento do número de Contratos a Termo Certo nos enfermeiros com o consequente aumento da precariedade no emprego, proporciona condições propícias à prática de diferentes formas de assédio, sobretudo nos enfermeiros com mais anos de experiência, pois que estão mais conscientes dos seus direitos e deveres.

Submetida às políticas de gestão, a organização do trabalho impõe novos riscos que são responsáveis por distúrbios mentais e psíquicos, explicitados na pressão e opressão para produzir e ultrapassar as metas pré-determinadas. Essa opressão traduz-se no tempo exíguo para concluir um projecto; no ritmo intenso e em jornadas prolongadas - não se podem contratar enfermeiros! - fazer mais com menos pessoas e em ambiente de alguma competitividade.

Novas exigências foram incorporadas gerando múltiplos sentimentos: medos, incertezas, angústia e tristeza. A ansiedade ante uma nova tarefa, o medo de não saber, a avaliação constante do desempenho sem o devido reconhecimento, a requisição da eficácia técnica, deixando de lado a excelência, a criatividade e a autonomia, geram tensão e incertezas. As múltiplas exigências para cumprir todas as actividades de enfermagem até ao fim do turno são “transversadas” por abuso de poder de responsáveis de serviço sem formação absolutamente nenhuma em Gestão em Enfermagem, emanando estes frequentes instruções confusas, agressões, maximização dos ‘erros’ e culpas, degradando deliberadamente as condições de trabalho.

O medo é manipulado para aumentar a “produção” e reforçar o autoritarismo, a submissão, a disciplina, a vergonha e o pacto do silêncio no colectivo, gerando um clima de instabilidade emocional colectiva, insegurança e desconfiança entre os pares. O ambiente de trabalho transforma-se em campo minado pelo medo, inveja, disputas, boatos e rivalidades. Todos convivem sob o manto de uma ‘ideologia única’ em que a construção do sentido é uma questão sem sentido, pois o que legitima o outro é a eficácia técnica.

Também são actos repetitivos que afectam a saúde individual e colectiva, comprometendo, por sua vez, a almejada produtividade e sobretudo a qualidade dos cuidados de enfermagem. São riscos que se inserem nas relações interpessoais, constituindo factores psico-sociais, sendo por isso um ‘risco invisível’, porém objectivo, na medida em que desorganiza as emoções, desencadeia ou agrava doenças pré-existentes ameaçando não somente o emprego, mas a vida dos enfermeiros e enfermeiras.

DEFINIÇÃO DE ASSÉDIO MORAL

O termo mobbing foi introduzido na literatura, nos anos 80, por Heinz Leymann, psicólogo de origem alemã a viver na Suécia, para descrever formas severas de assédio nas organizações. Para Leymann, o mobbing consiste

“em actuações hostis frequentes e repetidas no local de trabalho, visando sistematicamente a mesma pessoa (a “vítima”). Segundo ele, o mobbing tem origem num conflito que degenera. Analisa-o como uma forma particularmente grave de stress psicossocial.

O mobbing consiste, portanto, numa forma de agressão ou terrorismo, de natureza psicológica e/ou psicossocial, que é realizada no contexto de trabalho, por parte da entidade patronal

Marie-France Hirigoyen, psiquiatra, define assédio moral como:

 “qualquer comportamento abusivo (gesto, palavra, comportamento, atitude …) que atente, pela sua repetição ou pela sua sistematização, contra a dignidade ou a integridade psíquica ou física de uma pessoa, pondo em perigo o seu emprego ou degradando o clima de trabalho.”

Pode manifestar-se como “assédio vertical descendente”, quando realizado por um superior hierárquico, por colegas, “assédio horizontal” ou por um subordinado “assédio ascendente”.

CONSEQUÊNCIAS

Uma pessoa vítima de mobbing poderá sofrer consequências avassaladoras, nomeadamente, a nível psicológico (ansiedade, medo, sentimento de ameaça, dificuldade na concentração, etc.), a nível físico (dores e transtornos funcionais/orgânicos) e a nível social (maior susceptibilidade e hipersensibilidade à crítica, com atitudes de desconfiança e com condutas de isolamento, evitamento, retracção e agressividade ou hostilidade). A saúde social do indivíduo encontra-se profundamente afectada, uma vez que este problema pode destroçar as interacções que tem com outras pessoas e interferir na vida normal e produtiva do indivíduo. As relações afectivas, aos poucos, vão se deteriorando, predominando o ‘salve-se quem puder’. Há indiferença pelo sofrimento do outro e uma quebra dos laços de camaradagem. Daí, o apoio incondicional à vítima é importante e quanto mais precoce melhor.

Tudo leva a crer que os enfermeiros não têm noção da dimensão do problema porque, ou nunca? passaram por situações humilhantes e constrangedoras no seu local de trabalho ou porque já passaram mas não sabem que se trata de condutas hostis e humilhantes muito sofisticadas, sub-reptícias com uma intenção clara e predefinida de alguém, que quer destruir o próximo.

EXISTE PREVENÇÃO?

Este fenómeno caracteriza “uma doença organizacional que degrada as condições de trabalho, a saúde mental dos indivíduos e as relações sociais no trabalho”. Trata-se de um “problema organizacional que tem uma amplitude importante nas organizações contemporâneas”. A prevenção deveria atender a certos situações específicas do trabalho, nomeadamente, proporcionar um trabalho com baixo nível de stress, com suficiente autonomia, atender ao comportamento dos líderes (deveriam desenvolver habilidades para reconhecer conflitos e geri-los adequadamente, conhecer os sinais e sintomas do mobbing), assim como atender à posição social do indivíduo (desenvolvimento de regras claras, explícitas, escritas e públicas sobre a resolução de conflitos pessoais, que garantissem o direito à queixa e ao anonimato e que preveja sistemas de mediação e ou arbitragem.

DENUNCIAR, DENUNCIAR, DENUNCIAR!

O Mobbing é um fenómeno que não é recente, contudo, pouco estudado em Portugal. Verificou-se uma prevalência significativa de mobbing em contexto de trabalho em todo o mundo, nomeadamente na profissão de enfermagem.

A praxis de enfermagem, pelos factores inerentes ao seu exercício, possui características que levam a pensar que o mobbing possa ser propício. O facto de exercer enfermagem em contexto hospitalar gerou uma certa curiosidade aliada à necessidade de estudar este fenómeno tão subtil e sub-reptício, contudo, bem real no nosso quotidiano que está a atingir proporções gigantescas no que reporta a protecção, segurança e bem-estar dos trabalhadores no seu local de trabalho

A profissão de enfermagem constitui um potencial risco para o aparecimento de mobbing, uma vez que os enfermeiros trabalham em equipas multidisciplinares, sob stress constante, não só por causa dos doentes como também pela relação com a equipa (relações inter-pessoais; gestão de conflitos). A precariedade dos recursos humanos e/ou materiais, a rotina, o trabalho por turnos, o ritmo de trabalho, a pouca autonomia, entre outros, são alguns dos factores desencadeantes de Assédio Moral.

 

 

BIBLIOGRAFIA

BLANCO, Cruz  Acoso moral, miedo e sufrimiento, Eichmann en la globalización. Ediciones del ORTO, 2007

PINUEL e ZABALA, Inaki - Mobbing, como sobreviver ao assedio psicológico no local de trabalho. Ed. Loyola, Brazil

PACHECO, Mago Graciano de Rocha – Assédio moral no Trabalho, O Elo mais fraco. Edições Almedina, SA, 2007

HIRIGOYEN Marie-France – O Assédio no trabalho. Edições Pergaminho

Sindicato de Enfermaría. Presentación de los Resultados Preliminares de la Incidência del Mobbing en los Profesionales de Enfermaría Españoles. SATSE - Universidade de Alcalá de Henares, 2002.

www.mobbing.nu

http://www.leymann.se/English/frame.html  (página pessoal do Professor Leymann)

www.stopmobbing.org

http://www.el-refugioesjo.net

 
Contato com a autora: mhelenaneves@sapo.pt              
 
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Assédio moral
Contra a humilhação no local de trabalho
Na cidade de São Paulo, um projeto de lei de autoria do vereador Arselino Tatto, ganhou projeção nacional.
Já virou lei e foi sancionada pela prefeita Marta Suplicy, porém ainda não foi regulamentada.
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Depois do Assédio Sexual o Assédio Moral?
 
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