BULLYING
OFENSAS; AGRESSÕES E
VALENTIA.
Johnny L. Notariano –
USP
publicado em
11/09/2009
A pior de todas as formas de
agressão, não é a que causa dor física, é a que dói na alma cuja ferida
custa a cicatrizar, a humilhação.
Atinge o ponto nobre do
indivíduo, a alma, ao mesmo tempo em que torna a vítima refém das
emoções negativas; do medo; angústia e ansiedade. O resultado é a
abertura das portas de entrada de muitas doenças oportunistas que
traumatiza e altera a qualidade de vida. Começam os problemas de saúde.
Essas ocorrências que já se
transformaram em rotinas desgastantes, servem de alerta para a classe
trabalhadora de todos os setores, público e privado, como estímulo para
combater esse mal que apavora e desestimula milhares de trabalhadores a
continuar com tranqüilidade sua vida profissional.
Causa danos irreparáveis não
somente ao trabalhador, também em toda a organização; instituição ou
empresa. Coloca a estrutura familiar aos \avessos\ e o \dia a dia\ é
vivido sob o efeito das amarguras. O maldito
\ASSÉDIO MORAL\.
A ironia, o descaso e a
falsidade contribuem para a impunidade dos agressores que nunca
aparecem, nunca assumem e revela falta de caráter e covardia. São
infelizes, vivem uma vida de mentiras até fora do ambiente de trabalho.
O que se percebe no
comportamento desses insuportáveis agressores da moral, de um lado, a
defesa mentirosa a favor dos que sofrem e de outro, ao mesmo tempo, a
tentativa da \banalização\ do tema \Assédio Moral\ para que se torne
vulgar. Verdadeiros canalhas esses \assediadores\ da moral, os que
patrocinam a infelicidade através do sofrimento.
A estratégia desses algozes é
diabólica e ridícula ao pregar sobre \Complexo de perseguição por parte
dos subordinados e afirmar categoricamente a inexistência dessa
violência psicológica\. Induzem as pessoas a creditarem que eles não
existem e que tudo não passa de boatos, fofocas e imaginação.
Como são espertos esses
mentirosos, as vítimas são levadas por eles a procurar psiquiatra;
psicólogo ao espalhar que esse ou aquele funcionário não está bem e
desequilibrados, precisam de ajuda. Ironicamente a vítima já se tornou
doente, depressiva, angustiada até que entra em \cena\ esses
\miseráveis\ que são vistos como \mui bonzinhos\ donos da razão e
verdade e continuam a produzir o mal pela inteligência.
É realmente uma tática sábia
explorar ao máximo o tema até os limites da saturação na esperança de
se calar a boca dos que
sofrem e assim continuarem impunes no domínio das desgraças de muitos
trabalhadores honestos; competentes e capacitados. Eles têm aliados e
estes são piores, pois seguem a mesma doutrina e freqüentam os mesmos
bancos na escola da \Douta maldade e Douta Ignorância\.
Usam e abusam da máxima, \UMA
MENTIRA PRONUNCIADA MIL VEZES, TORNA-SE VERDADE\.
Convencem a todos que eles têm razão. Pobre vítima!
Fiquem atentos. Quando um
superior imediato lhe disser: - \
Você tem complexo de perseguição. – Você se ofende por pouco. – Você não
entendeu a brincadeira. – Parece que você quer ser alvo de atenção. –
Você tem um comportamento difícil. – Se eu extrapolei você deveria ter
me chamado do lado para conversar\. Não acredite, ele
está falando dele mesmo. Pseudos moralistas. São despreparados para
qualquer função e então não tem o direito de julgar ninguém nem mesmo
subordinados. Tudo o mais é despejo de recalques e traumas pessoal.
Funcionários são criticados
por colegas, mas nunca julgados. O superior imediato é sempre o
\dono da falsa verdade\. Penetram no íntimo
dos subordinados e lá vem o julgamento. Só bobagens. Não se dão conta
que soltam os recalques e as frustrações íntimas ao ver o subordinado
como rival e concorrente. Gostariam de ser como aqueles que eles julgam.
Capacitados; competentes; inteligentes; muito bem educados e gentis.
Imaginem que situação ridícula
e estúpida quando o superior depois de ofender o subordinado em público,
sugere como defesa, que o funcionário deveria chamá-lo em particular
para conversar. O chefe iria escutá-lo em particular? Que \nojo\ ao
pensar que é assim que eles se defendem. Os chefes teriam que ter mais
respeito pelos funcionários e chamá-los em particular se fossem pessoas
decentes. Essa é uma situação nojenta e normal no ambiente do Assédio
Moral.
Muitos dos que se dizem
defensores dos trabalhadores, tratam o tema na ótica do extremismo
técnico, como se seres humanos fossem mercadorias descartáveis ou
contratos gerados através de licitações como fazem com outros \ramos\ de
negócio no mercado de trabalho.
Pregam a necessidade premente
de testemunhas; provas concretas, tudo ao rigor dos ricos detalhes
da lei com os devidos
artigos e incisos legais. Formatam tudo de acordo com o grau da própria
maldade.
Quase sempre estão em posições
privilegiadas e usam a mesa de liderança para os próprios caprichos;
insensíveis; egoístas e infelizes na alma. Acreditem, aqueles que
maltratam outros, são frustrados e com certeza tem um histórico familiar
de rejeição.
Desde quando se precisa de lei
específica para reprimir o instinto devastador de um superior
hierárquico desequilibrado; um colega invejoso ou uma instituição que
ameaça a integridade física e moral de um trabalhador? Inverta-se agora
a condição de trabalhador ofendido para superior ofendido. Está claro
que se um trabalhador na defensiva reagir a algum ataque maldoso, no
mesmo instante descobre-se
maneiras legais de se acabar com o trabalhador. É a estúpida lei dos
mais fortes.
É bom nunca se esquecer da
responsabilidade e autoridade de um Juiz. É para esses momentos de
ausência de leis específicas que ele faz jus à posição que ocupa. É até
irônico e um tanto humorístico, mas sempre passo essa mensagem:
\A JUSTIÇA PODE SER CEGA, MAS O JUIZ NÃO É\.
Confie no Juiz, denuncie sem medo, procure um Promotor Público
e o \cínico mentiroso\ será desmascarado, ridicularizado e punido com
certeza.
Para não cansar; para não
saturar e para não dar as mãos à palmatória aos agressores, que querem
banalizar o tema, substituo o termo Assédio Moral
por BULLYING.
Tem sido discutido na relação
entre jovens estudantes, mas é um tipo de
ASSÉDIO MORAL. O BULLY,
termo inglês, é aquele
valentão, que se aproveita dos mais fracos para de qualquer forma
destruí-los e impor o seu poder no império da maldade e covardia. São
como animais que demarcam o território e não deixam ninguém entrar sem
ser estraçalhado.
Quem já não ouviu falar em
\PIT BULL\? Raça de cães vista como
perigosa; criados para lutar em arena e como o
\BULL DOG\, feroz na luta com Touros. É um Touro Valente, um
cão valente dada a sua agressividade e aí está a origem do termo
BULLYING.
A característica principal dos
Bullies é o terror
psicológico; agressão verbal e a vestimenta, de \Cordeirinhos
brancos\, puros, ingênuos como Anjos Celestiais. Em épocas de
natal, cantam até \Pinheirinhos Agrestes\. Reparem nas reuniões de
confraternização, chegam a orar; sugerem dar as mãos em um gesto de
solidariedade. São lobos camuflados; perigosos; covardes, pois nunca
assumem nada daquilo que fazem, além de pregar a moral desnudos.
Escolhem a vítima, espalham boatos; cínicos; falsos e geralmente se
passam por grande amigo. A intenção é isolar o escolhido do grupo até
conseguir destruí-lo completamente. Parece até que vivem em ninhos de
víboras peçonhentas.
Em muitos casos o Bullying
deixa marcas e feridas que jamais cicatrizam, traumatizam e afetam os
familiares além de comprometer o futuro da vítima.
No ambiente escolar o Bullying
é causado pelas diferenças entre os alunos. Diferença física; moral;
raça; cultural e econômica. É a lei do animal quando impõe seu reinado
pela força física ou intimidações psicológicas de maneira repetitiva e
muitas vezes silenciosas. O que os Bullies querem é depreciar a vítima
até a imobilização total.
Há muito estão trabalhando
maneiras estratégicas de se acabar com o Bullying escolar ao mesmo tempo
em que lutam com outro fenômeno, o \CYBERBULLYING\,
cuja vítima é \detonada\ através da Internet.
Quantos sofreram e sofrem esse
tipo de agressão no ambiente de trabalho? O que difere o
Bullying do Assédio Moral é a valentia
dos Bullies e a covardia dos
assediadores da moral, que no final da tese sabemos que são todos
iguais, \picaretas de casta inferior\.
No setor privado é difícil
acontecer esses ataques, mas no setor público, é um grande problema
mesmo ao se esbarrar em Processos Administrativos. E o fenômeno
conhecido como \Rabo Preso\ segura
um pouco as ações dos Bullies.
O Jurídico, Departamento de
Recursos Humanos e Sindicatos de Classe das Instituições Públicas devem
estar saturados de tantas reclamações desse tipo a ponto de negar e
fazer \vista grossa\ ao problema. Não agüentam mais as picuinhas por
conta da má gestão administrativa e ingerência nas atividades meio e
fim.
Tenho conhecimento dos
investimentos que fazem para se chegar a excelência no relacionamento
humano. Cursos com profissionais abalizados; literaturas; palestras e
encontros de confraternização. Parece tudo em vão. É muito difícil
acabar com as panelas e \rádios pião\, aquela que leva a notícia
\quentinha\ até ao banheiro. Nem lá se tem sossego. Duvidam? Coloquem
microfones enrustidos nos banheiros e corredores, aguardem o resultado.
Como é conhecido, o problema
maior que gera todo tipo de humilhação no ambiente de trabalho, são as
diferenças. Basta ser um pouco mais avantajado na inteligência;
educação; gentilezas; formação; capacidade e tipo físico para que os
BULLIES entrem em ação.
Também tem outra diferença que
gera um tremendo problema de BULLYING,
alguma deficiência de qualquer tipo. Aí vem uma seqüência de tirania
revoltante. Discriminação; preconceito; \piadinhas\; zombaria e
humilhação. Se a vítima for inteligente, e, na maioria dos casos são
mais inteligentes, aí então vai para o
\LEPROSÁRIO\, ninguém mais se aproxima. Se for religioso, tem
que se fazer muita oração de cura e libertação contra esses malditos
Bullies para conseguir sair do
ISOLAMENTO e retirar a cola do rótulo
que estamparam no infeliz.
Eu sempre fui a favor da
mulher chegar aonde chegou. Participei de seminários e até elaborei
trabalhos que chegaram a outro país de língua latina. Não tenho o mínimo
preconceito, pelo contrário, gosto de trabalhar com elas. A mulher sabe
lidar com problemas melhor que o homem. Então é notável a supremacia
feminina.
Tem um problema que ninguém
está observando. A colocação da mulher descontroladamente em cargos de
liderança e a desproporcionalidade. A maioria são mulheres e é claro,
que aos poucos elas descartam os homens do ambiente de trabalho, o que
já está acontecendo e aqueles que conseguem permanecer, tem que \rezar a
cartilha\ delas e as diferenças são muito grandes e com certeza
problemas virão.
Somos todos iguais perante a
Lei e em dignidade desde que se respeitem os limites e as diferenças sem
ferir o direito do outro.
Temos hoje a Lei 11.340 de 07
de agosto de 2006, conhecida como \Lei Maria da Penha\. Criaram para
coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher e eliminar toda
forma de discriminação o que é louvável, mas para fazer valer esses
direitos, no ambiente de trabalho, elas também têm que respeitar a
condição masculina.
Toda regra tem exceções, eu
trabalhei com mulheres maravilhosas, mas conheci algumas que abusaram do
direito de comandar; abusam do direito de ser gentil ao ironizar e
atingir o ponto fraco do funcionário. É aí que se dá o
BULLYING e o
ASSÉDIO MORAL caracterizado.
Quando se galga lugar de
destaque e poder, é preciso refletir como se chegou até essa posição;
por si só é muito raro e difícil e para se manter a excelência, há de se
valorizar o trabalho da equipe sem discriminar as diferenças. Bons
colegas e bons funcionários; sem esses atributos, jamais chegam aos
cargos de liderança. É a equipe que faz o líder e essa mesma equipe
derruba-o quando quiser.
Os conflitos existem porque o
exemplo teria que partir dos líderes, que cobram aquilo que não fazem.
Quando se fala em
\Executivos\, pensam logo em diretoria. Resposta errada, o verdadeiro
executivo está na força de trabalho, é o próprio trabalhador que executa
a rotina diária, então é ele que merece todo respeito e atenção.
Quase
todos são preparados para suportar adversidades, mas para conhecer o
caráter de um indivíduo, dê-lhe um cargo de poder.
Os Bullies são unidos, mas os
trabalhadores honestos são maiores que eles.
Johnny L. Notariano
notarian@usp.br