Os
custos
do
assédio
moral
Robson Zanetti [30/03/2008]
O
assédio moral é um problema de saúde pública e seu custo é muito elevado
sob o ponto de vista econômico-financeiro, para a sociedade e também
possui um custo humano.
O
custo do assédio é suportado pelo responsável, pela sociedade e pelas
pessoas que dele participam direta (vítima, testemunhas) ou
indiretamente (familiares e amigos).
A-
Econômico-financeiro
Sob o
ponto de vista econômico seu custo é elevado porque ele faz com que
trabalhos realizados sejam desperdiçados, a marca de produtos e serviços
sejam afetados, a produtividade seja prejudicada, ocorra a degradação do
ambiente de trabalho, o nome empresarial seja atingido, ocorra a
suspensão do contrato de trabalho, etc.
Não
vimos ainda nenhuma estatística no Brasil, mais nos Estados Unidos o
custo total para os empregadores por atos praticados no ambiente de
trabalho foi estimado em mais de 4 bilhões de dólares e as despesas para
o tratamento da depressão chegam a 44 bilhões de dólares segundo o BIT -
International Labour Office, ligado a ONU (Bureau international du
travail). Na Europa o custo é estimado em 20 bilhões de dólares.
Certamente que este custo também é elevado no Brasil.
Sob o
ponto de vista financeiro o responsável pelo assédio moral poderá pagar
um valor muito elevado a título de indenização pelos prejuízos morais e
materiais que o assediado sofrer.
Os
valores de indenização tem variado muito, encontramos condenações que
vão de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de
reais), estes valores são fixados conforme o entendimento de cada juiz,
por isso eles são tão variáveis.
O
custo econômico-financeiro é muito alto, por isso, parece que nenhum
dirigente prudente o queira pagar, para isso, é preciso que o assédio
seja prevenido antes de ser tratado.
B-
Social
O
problema não afeta somente o trabalho, mas a sociedade que acaba
contribuindo com os gastos públicos para o tratamento dos problemas de
saúde ocasionados pelo assédio, sobretudo com os problemas de depressão.

C-
Humano
O
assédio
também
tem
seu
custo
humano,
pois
o
trabalhador
começa
a
perder
a
confiança
em
si,
na
sua
competência,
na
sua
qualidade
profissional,
ele
começa
a se
sentir
culpado, perde a
estima
de
si.
Podemos
ver
na
tabela
acima,
os
problemas
de
saúde
causados
pelo
assédio
em
entrevista
realizada
com
870
homens
e
mulheres
vítimas
de
opressão
no
ambiente
profissional
e
como
cada
sexo
reage (em
%) ao
assédio.
Nove
alvos
sobre
dez
de
assédio
apresentam
um
estado
de
estresse
pós-traumático, revivendo a
situação
passada,
evitando, sofrimento
significativo
e ativação neurovegetativa(1).
Conforme
vemos, o
assédio
moral
traz
um
custo
muito
grande,
porém,
sua
dor
é
invisível.
As
pessoas
normalmente
estão acostumadas
somente
a
avaliar
os
danos
externos,
sendo
difícil
a avaliação do
dano
interno.
Este
dano
interno
é
duradouro
e
difícil
de
ser
curado.
Vemos
que
existe uma
preocupação
com
a
dengue,
com
a
febre
amarela,
gripe
asiática,
etc...
porém,
não
estamos vemos
atitudes
preventivas de
nossos
dirigentes
com
relação
ao
assédio.
Quantas
pessoas
são
atingidas
por
estes
males?
E
pelo
assédio:
qual
o
percentual?
Não
temos
um
percentual
no Brasil,
porém,
não
temos
dúvidas
que
existem
muito
mais
vítimas
de
assédio
do
que
vítimas
de
dengue,
fabre
amarela
e
gripe
asiática.
Pelo
gráfico
abaixo,
vemos o
percentual
de
pessoas
que
são
atingidas da Europa
pelo
assédio,
no Brasil,
ainda
não
temos
pesquisa
semelhante,
porém,
vemos
que
em
nenhum
país
o
número
de assediados é
baixo
e
com
certeza
tem
mais
assédio
moral
lá
do
que
várias
doenças.
Assim,
verifica-se
que
quanto
maior
o
percentual
de
pessoas
assediadas
maior
será o
custo
do
assédio,
logo,
o
melhor
caminho
para
evitar
custos
com
o
assédio
moral
é
trabalhar
de
forma
preventiva.

Nota:
(1)
Élisabeth Grebot, Harcèlement au travail, Paris: Éditions d’Organisation
Groupe Eyrolles, 2007, p. 130.
Robson Zanetti
é
advogado
em
Curitiba.
Doctorat Droit Privé Université de Paris 1 Panthéon/Sorbonne.
Corso
Singolo Università degli Studi di Milano. robsonzanetti@robsonzanetti.com.br