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Os espaços
se fazem onipotentes, restritos a quem ocupa o outro lado da mesa.
Nos espaços transitam feições marcadas e adereços majestosos,
circulam auras enegrecidas de pessoas sem vida que cumprem sua
jornada de terno e gravata.
Quem domina
o espaço cobre-se de jóias, grifes e perfumes, alastrando discursos
hipócritas por um hálito que cheira a erva-doce.
O Dono do
espaço sorri até a metade e, quando lhe convém, utiliza-se do fio
que une os repartimentos, este cuja fibra perpassa o chão
subterrâneo. A voz chega por ele, mas não o olhar presencial Daquele
que comanda o espaço.
Na outra
extremidade do fio, alguém ouve, murcha e, após o abaixar do gancho,
sua parcela de mundo impregna-se de medo. Tem vontade de sumir dali
ou de ir girando a cadeira em torno de si mesmo até evaporar da
posição ocupada.
Na labuta
diária, acorre uma experiência de laboratório social. Há uma luta
contumaz pela sobrevivência emocional nos ambientes. Neles, ora a
criatura se redime ora se afirma, oscilando no trajeto de busca pela
marca identitária e deslocando-se na itinerância dos espaços a serem
conquistados ou servirem de estagnação.
O Senhor do
espaço é estranho a todos. Instala-se no outro lado da parede
divisória, na mesa bem ao fundo da repartição, em território
demarcado. E é protegido pelo subalterno depositário dos discursos
via fio subterrâneo. Para se aproximar Dele é preciso romper divisas
espaciais, mas elas estão trancafiadas por chaves pressentidas.
Mesmo quando
ausente, o Sr. se faz presente no rosto, no olhar e na aura dos
engravatados. E enquanto Ele se enclausura no compartimento, alguém
trabalha na retaguarda, iludindo-se ao pensar que possui ou ocupa um
espaço próprio.
Michelle
Santos Jeffman
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