JUDAS E O ASSÉDIO MORAL
Johnny Notariano
Aproveito a Semana Santa e a comemoração da Páscoa para aludir sobre um
tema já debatido, mas de pouca receptividade por parte de autoridades
que deveriam incluir na pauta das prioridades em defesa dos perseguidos
nas relações de trabalho. ASSÉDIO MORAL.
É
normal se ouvir em um ambiente de trabalho a expressão \pegaram-no
para Cristo\. \Malharam-no como Judas\.
Dito popular, \a corda sempre estoura do lado mais fraco\,
comprovadamente correto. São os Cristos vítimas das atrocidades no meio
de trabalho. Cristo teve uma missão, veio ao mundo conforme as
escrituras, para sofrer e no sofrimento mostrar para o homem a
trajetória difícil e penosa do ser humano. Não precisa nem ser beato;
religioso de qualquer seita ou religião para entender a trajetória de
Cristo na Terra, basta atentar para a trajetória do homem, do
trabalhador para compreender tudo. A caminhada para o Calvário \Via
Crucis\ e as pessoas que o acompanharam, diz muito sobre os sofrimentos
humanos. Na caminhada, Cristo não suportou o peso da cruz, debilitado,
caiu. Encontraram um cidadão de Cirene (Simão Cirineu), ele ajudou a
carregar a Cruz e depois seguido de uma mulher que enxugou seu rosto.
Ninguém apareceu para ajudar e promover alguns instantes de refrigério e
descanso. As pessoas não se aproximavam por medo de punições e orgulho.
Como acontece no trabalho, as pessoas se afastam. Porém dois foram
escolhidos para prestar ajuda Simão Cirineu e a mulher. Se o homem
quiser viver uma vida digna em qualquer situação, seja em casa; no
cotidiano e no trabalho, com toda a certeza, tudo isso será através da
cruz. É o preço da salvação para aqueles que entendem sobre o processo
salvífico. A caminhada do trabalhador para muitos é uma verdadeira Via
Crucis.
O
Homem torna-se grande quando está de joelhos diante de Deus; a humildade
faz o ser humano forte e os grandes sem Deus tornam-se pequenos. Claro
que a vida não foi feita para o sofrimento e nem Cristo veio para essa
proposta, mostrar como suportar o peso da cruz e o caminho para se viver
uma vida plena e feliz, opção entre o céu e o inferno.
De louco todos temos um pouco, expressão velha conhecida e demonstra
verdade, pois somos neuróticos em pequena ou grande escala. De Judas
também todos temos um pouco. Aquele que traiu Cristo! Até Pedro negou
Cristo 3 vezes antes do amanhecer! Imaginem o ser humano?!
Agora traduzo isso tudo para o nojento e asqueroso problema do
ASSÉDIO MORAL.
Quantos Judas e Cristos existem dentro de um ambiente de trabalho?
Quanta maldade endereçada a trabalhadores inocentes que vivem de joelhos
para pseudochefões; quantas vidas amarguradas pela crueldade de pessoas
egoístas que só prezam o bem estar? Aproveitam-se das pessoas de boa
índole para se promover. São Pragas malditas que exige do trabalhador
tudo aquilo que não são capazes de fazer. Na língua não tem piedade e
nem tem noção de caridade ao articular impropérios contra o trabalhador.
Recebem e não dão nada em troca; não respeitam e querem ser respeitados.
Exemplos que não devem ser seguidos além de serem extirpados como as
ervas daninhas.
\Se
a mim me perseguiram também vos perseguirão a vós... porque não conhecem
aquele que me enviou.\ João 15:20-21
Agora, como a Semana nos inspira o perdão, a benevolência e a reflexão,
deixo aqui duas opções para que o Assediado Moralmente tome uma decisão
e opte por uma. – Ou se transforme em um devoto e dê a outra face para
que o algoz lhe continue batendo e adote uma convicção bíblica humilde
que seja; ou passe por cima daqueles que falam que precisa ter LEI
REGULAMENTADA para se defender do Assédio Moral e procure um Promotor de
Justiça e denuncie tudo o que fazem com você, pois a justiça pode ser
cega, mas com certeza o Promotor Público e o Juiz não são cegos.
Boa Páscoa a todos
Johnny Notariano
notarian@usp.br