Os ratos de escritório e a
ociosidade
Johnny L.
Notariano
publicado em
20/04/2008
Depois de muito tempo de serviço público, eu procurei
entender o que seria um funcionário ativo, mas ocioso como se
comentava. No início de minha carreira relacionei-me com muitos
funcionários de várias áreas de atuação, inclusive docentes. Esses
funcionários eram extremamente capacitados e competentes, todos com
nível superior, na época além de muito difícil essa formação,
proporcionava \status\.
Educados e gentis muitos desses funcionários estavam em
disponibilidade, ociosos. Na minha ingenuidade, em início de
carreira, queria entender a semântica do termo \disponibilidade\.
Quanto mais eu os conhecia, menos entendia o porquê da
disponibilidade. Eu questionava, se todos têm curso superior, alguns
são Advogados; Contadores; Nutricionista; Administradores;
Engenheiro Eletricista; educados, inteligentes e, a Autarquia
precisava dos serviços desses profissionais, então por que estavam
disponíveis e outros afastados da função, isto é, proibidos de
exercer a própria função. Humilhação!? Se não existia culpa fundada
ou fundamentada em nenhum deles, se eles tinham todos os predicados
de um bom trabalhador e formação acadêmica na área, competentes e
capacitados, por que a administração colocava-os nessa condição?
Havia equívocos ou existiam motivos para desabono do trabalhador ou
funcionário, por que não utilizavam o instrumento legal, processo
administrativo para se apurar culpas e punir os culpados? Eu ouvia
pelas \rádio pião\, aquelas instaladas nos corredores, que
esses funcionários eram protegidos pela estabilidade. P’ra mim é
tudo conversa \fiada\, a estabilidade não protege ninguém
pelo mau comportamento dentro da função. Protege sim, contra os
ratos de escritório perseguidores e que vivem dos restos da inveja,
frustração, mentira e medo dos melhores funcionários atormentando-os
na tentativa de prejudicá-los. Quando o funcionário não se comporta
adequadamente, não importa o regime de trabalho, Autárquico;
Estatutário; Lei 500; Lei 540; CLT ou qualquer Lei que rege as
relações de trabalho dentro de uma instituição; existe motivo?
Apura-se a responsabilidade e o contrato ou a carreira se encerra. O
instituto da disponibilidade é diferente daquilo que é apresentado,
descaracterizaram o termo e desvirtuaram a intenção.
Dos funcionários que conheci nessa situação, nenhum era
incompetente; incapacitado; responsáveis levavam a rotina com muita
seriedade, conheciam a fundo o que faziam além de promover
gentilezas e boas maneiras no ambiente de trabalho. Lembro-me de um
docente meu amigo, aposentou-se antes do tempo por não tolerar mais
aborrecimentos. Esse professor Doutor, Chefe de departamento;
durante a correção de um livro que eu estava me dedicando percebi o
tipo de aborrecimento que o deixava insatisfeito. Tinha muitas obras
didáticas com as grandes editoras. Em sua sala uma tarde eu notei as
lâmpadas apagadas; algumas mesas vazias e perguntei-lhe:- \como
conseguia trabalhar sem iluminação suficiente\. Respondeu-me que o
diretor da unidade ou departamento havia solicitado medidas de
contenção de despesas, mas só no seu departamento. Foi além e me
disse também que não tinha nenhum aluno monitor para auxiliá-lo, não
havia verba suficiente para os monitores. Era chefe dele mesmo.
Outro docente, em uma festa em seu sítio, falou-me da satisfação em
estar vivendo no \mato\, junto à natureza. Deixou a cátedra por não
tolerar também desaforos. Foi nesse momento que entendi o
significado de ocioso e disponível ao substituir o termo por
HUMILHAÇÃO.
Naquele tempo não se falava em ASSÉDIO MORAL e hoje
tentam banalizar o tema através da saturação. Quanto mais se fala,
há menos interesse. Claro que os aproveitadores tentam promover a
trivialidade e vulgarização, mas os julgadores sabem analisar,
discernir e julgar. O tema está cada dia mais em evidência.
O problema do Assédio Moral não está só no desempenho da
função e sim no desempenho da amizade. O bom relacionamento é tudo
na vida de qualquer funcionário ou trabalhador. O lamentável, é o
preconceito e discriminação que existe em algumas importantes
funções e a considerar os bons funcionários, muitos são prejudicados
pela vaidade dos \assediadores\; ganância; egoísmo; excesso
de informações das vítimas além de descartar a qualificação, colocam
a administração e os bons propósitos da instituição em situação
preocupante. É o cuidado que se deve tomar com a ignorância e os
\Puxa-Saco\. Eu trabalhei com assistentes e superiores em
posição privilegiada que me confessavam não conhecer nada daquilo
que administrativamente estavam exercendo e inúmeras vezes eu os
auxiliei.
O Assédio Moral é como uma bomba nuclear capaz de destruir
uma família inteira em poucos minutos. A arma mais poderosa desses
canalhas é o CINISMO. Esses \picaretas\ são
inteligentes, mas só para prejudicar alguém. Se usassem um pouco da
capacidade para melhoria dos serviços, o relacionamento seria
diferente, eles, a instituição e o público alvo, assimilariam sempre
resultados positivos. Esses ratos de escritório parecem coisas
satânicas, fazem de tudo para as pessoas acreditarem que eles não
existem.
Quando fui convidado para chefiar uma equipe financeira e
orçamentária em uma unidade universitária, logo no primeiro
relacionamento, alguns funcionários me intimidaram categoricamente:
- \Aqui quem não reza nossa cartilha, acaba desabando\. E eu
desabei em menos de dois anos.
Também no começo de minha carreira, um chefe de pessoal,
meu amigo, imagine se não fosse me encarou no corredor da
instituição e se expressou com muita autoridade e em tons de ameaça:
\Aqui não é setor privado, vá mais devagar, do contrário você não
vai acabar bem\.
As intimidações são rotinas por parte dos covardes,
verdadeiros ratos criados. Percebam, esses algozes, responsáveis por
essa crueldade administrativa, não se manifestam, nunca aparecem,
são extremamente educados durante o processo de assédio, como
aqueles caçadores de mosca que jogam açúcar depois detonam o inseto.
É um trabalho longo por parte deles, contam com o esgotamento das
forças da vítima, mina de todas as maneiras a auto-estima até
aparecer os sintomas de doenças. Geralmente é tarde demais e, resta
apenas a briga pelos danos morais, pois a família inteira padece.
Um menino de quinze anos de idade, por não ter a atenção do pai,
funcionário de uma grande instituição governamental, vítima de
humilhações e agressão moral, conheceu as drogas e se tornou um
dependente. A mãe, docente aposentada, foi atingida, adoeceu, sofreu
internações e intervenção de risco, não é mais a mesma. A família
vive um verdadeiro transtorno, não há mais alegrias. É só isso que
esses malditos algozes do assédio moral sabem fazer.
Processo disciplinar administrativo? Por parte dos algozes?
Nem pensar, não querem, não existe motivo, não existe culpa fundada
como já citado. São espertos demais para se arriscar em um desses
processos. Para eles todos os funcionários são ótimos. Imaginem a
loucura? Jamais se envolveriam em um processo desse tipo. Não acusam
ninguém diretamente, além de acrescentar boas referências, \caras
de pau\, mas pelas costas, a vítima tem que usar um crucifixo
como proteção. Qualquer advogado sabe, quando uma só parte é
ouvida, não existe julgamento e é exatamente essa a opção deles. É
mais fácil rotular a vítima para depois trucidar, passar informações
distorcidas, jogar com a auto-estima e ir \cozinhando\ como
se diz na gíria, até o golpe fatal. Como o rato doméstico, espera
com paciência o silêncio da noite para roubar alimento.
Então depois de entender os ratos, entendi os canalhas e
descobri o que era a ociosidade e disponibilidade. Não respeitam
nada, ninguém, idosos; crianças e mulheres; insensíveis; repugnantes
e desclassificados vivem só pela maldade.