Crônicas

O Natal no Palácio Avenida

Gilda E. Kluppel Curitiba tem fama de cidade fria, não apenas pelo clima da capital, mas também em relação ao seu povo. O “homos curitibanos”, habitante desta bela, chuvosa e elegante cidade, facilmente conhecido pelo sotaque característico, a fala cantada, por não conversar com estranhos; sequer cumprimentar o vizinho e em nenhuma hipótese visitar alguém sem avisar pelo telefone. Visita inesperada pode ser considerada uma falta de educação grave. Exagero à parte, ainda é comum ouvir os relatos das pessoas de outras localidades e alguns embaraços com a cidade, devido à dificuldade em fazer amizade com os curitibanos. Talvez por ser uma das capitais onde o céu teime em ficar nublado durante muitos dias durante o ano, as pessoas...
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Crônicas

O espetáculo não pode parar!

Gilda E. Kluppel            “O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo.” Guy Debord   O espetáculo não pode parar! Esta expressão adequada para um show, uma peça de teatro ou uma apresentação musical, amplia-se para quase todos os espaços do nosso cotidiano. Vivemos à mercê de uma cena inusitada, logo captada por câmeras de alta definição, cada vez mais invasivas, aumentando a capacidade de observação dos detalhes. Com seus olhos invisíveis, a sociedade expande a vigilância e o controle sobre o indivíduo. Não é possível sair de casa sem se deparar com as muitas câmeras e, diante delas, sequer lemos mais aqueles singelos, mas intimidadores dizeres “sorria você está...
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Crônicas

Salvem as palavras!

Gilda E. Kluppel  “…Ao longo da muralha que habitamos há palavras de vida há palavras de morte há palavras imensas, que esperam por nós e outras, frágeis, que deixaram de esperar…” Mário Cesariny Quem lê os clássicos da literatura brasileira se depara com palavras que caíram em desuso, impregnadas com cheiro de sebo. Palavras que parecem perder o vigor, incapazes de transmitir sensações; quase nunca mencionadas, mudas e moribundas, à beira da extinção. Mas, o que acontece com as palavras não usadas? Apenas adormecem ou ficam enterradas no dicionário sem direito ao renascimento? A internet é uma das principais responsáveis por grande parte dos neologismos. A última edição do famoso Dicionário Aurélio introduziu novos verbetes da era digital, tais...
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Crônicas

A Senhora dos Haicais

Gilda E. Kluppel “Pintou estrelas no muro e teve o céu ao alcance das mãos.” Este verso, da poetisa paranaense Helena Kolody, ficou grafado alguns anos na lateral de um prédio no centro de Curitiba, gostava de ler todas as vezes que passava pela Travessa Nestor de Castro. Acredito que muitos tiveram oportunidade de conhecê-la por esta frase, situada em frente ao local onde se concentra alguns pontos de ônibus da cidade. Helena lecionou Biologia, durante vinte e três anos, no Instituto de Educação do Paraná, talvez por isso soube trabalhar organicamente as palavras. Minha mãe teve o privilégio de fazer parte do enorme corpo discente desta poetisa. E guarda as diversas recordações de uma professora dedicada e extremamente...
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Cultura

Paulo

poesias Paulo Gilda E. Kluppel Entre tantas escolhas a mais difícil ser um educador retirando do cotidiano a inspiração para as letras não apenas adicionadas e mal coladas sílabas quaisquer não pertencentes a ninguém mas, agora construídas formam o tijolo do pedreiro a agulha da costureira a farinha do padeiro sem o beabá dos outros daquela cartilha estranha sem a alma do povo de repetidas palavras mudas distantes da realidade de cada um. E em boa hora se soletraria: Ci-da-da-ni-a! Paulo fora dos confortáveis gabinetes sempre misturado com gente forneceu a trilha da esperança povo educado corruptos envergonhados. Sonho…utopia? Ensinou de que serve a vida sem ideais. Este era Paulo conhecido por peregrino de sobrenome Freire....
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Crônicas

As lições de um vampiro

Gilda E. Kluppel Talvez muitos passam por ele, pelas ruas de Curitiba, e nem percebem, outros pensam avistar o vampiro e alguns até duvidam da sua existência. É fácil confundir quando não se tem a imagem ou a imagem formada é fruto da imaginação. A lenda viva, figura das mais misteriosas da cidade, disfarça que caminha, com um par de tênis, mas voa frequentemente pelo centro, camuflado por um boné. Raras vezes fotografado. Afinal, vampiro que se preze não gosta de ser reconhecido em seus voos, restritos a uma pequena região do centro da cidade, próxima da sua casa. Inserida no bairro que não por acaso chama-se Alto da Glória, onde ninguém ousa bater à porta. Com que direito...
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Crônicas

Uma andança pelo Bixiga

Gilda E. Kluppel  Este famoso Bixiga, escrito assim com i, e seus encantos. Não está no mapa da cidade  de São Paulo, talvez nem seja considerado um bairro, mas um pequeno pedaço, repleto de inspiração e beleza. O seu nome prevalece sem a necessidade de constar na referência oficial da cidade. Divinamente instalado no centro da megametrópole, dentro da Bela Vista. O Bixiga, ao contrário do que se possa imaginar, não é um mero espaço repleto de cantinas e padarias de descendentes italianos, especialistas na arte da comida e da bebida que tão bem sabem produzir. Ao caminhar por suas ruas, entre tantas subidas, descidas e antigos sobrados, de diversas e marcantes cores, encontra-se a serenidade de pisar em...
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