comportamento

Não olhai as estrelas

Por Gilberto da Silva É duro viver no dantesco mundo dos oportunistas. Nem as estrelas poupam. Miram o Sol todos os dias para consumir a energia solar em toda a sua potencialidade. Não perdem um lanche. Não atrasam um trem.  Cavam seus espaços na arquitetura falida dos que optam por uma vida honesta. Oportunistas são hábeis manipuladores. Não há necessidade de ficar olhando estrelas para observar oportunistas no universo. Há uma constelação deles vagando por nossas ruas. E não são aliens.  Não há necessidade de procurar no espaço infinito. Cá estão perto dos nossos olhos, no espaço das nossas vivências. o oportunista é um tentador no sentido de ser um agente da tentação. Falando de um tipo específico de...
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Crônicas

Ridículos

Por Daniel Nonohay Essa história ganhou fama na minha adolescência. Marcus, vamos chamá-lo assim, foi almoçar na casa da namorada, como fazia todo o final de semana. Naquele, específico, chegou atrasado e a família já estava sentada à mesa. Como já se sentia em casa, passou rapidamente por eles, dando um cumprimento geral, e foi direto lavar as mãos. Ao abrir a porta do lavabo, deu de cara com a avó da namorada, sentada no vaso sanitário. Os dois se encararam e o mundo congelou. Na mesa, onde todos conversavam, alguém se deu conta da tragédia que estava para acontecer e deu um grito, tentando avisar. Já era tarde. A conversa morreu. Eles devem ter se encarado por não...
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Crônicas

A outra face de um ídolo – parte 1

A OUTRA FACE DE UM ÍDOLO – PARTE 1 Margarete Hülsendeger Não é bom tocar nos ídolos; o dourado pode sair nas nossas mãos. Gustave Flaubert Não conheço ninguém que não tenha, em algum momento da vida, experimentado o amor sem reservas que só um ídolo é capaz de despertar. Há os que veneram atores e atrizes, outros preferem astros de rock e há aqueles que adoram escritores e pintores. A verdade é que não faltam homens e mulheres fascinantes no mundo e, portanto, heróis e heroínas com os quais podemos nos identificar. Eu, é claro, não sou uma exceção. Apaixonei-me perdidamente inúmeras vezes, sempre por seres inalcançáveis. A consequência desses amores de mão única é óbvia: sofri como...
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comportamentos

Em tempos de pós-verdade

Em tempos de pós-verdade Gilda E. Kluppel Eleita, ano passado, a “Palavra do Ano” pelo Dicionário Oxford, pós-verdade converte-se numa palavra síntese para expressar, segundo o dicionário inglês, que “apelos à emoção e à crença pessoal” possuem maior relevância para formar opiniões do que fatos objetivos. Esse termo ainda não consta em dicionários da língua portuguesa, contudo se torna frequente o uso em muitas publicações. Uma expressão que soa de modo menos rude para a velha e conhecida mentira, cantada por Erasmo Carlos. Muitos devem se lembrar da música “Pega na Mentira”, agora é a vez de “pegar na pós-verdade”. A verdade não tem mais significância? Em inúmeros casos parece que não. A verdade fragmentada e colocada de lado,...
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Cultura

Jolie e o relógio

JOLIE E O RELÓGIO Nair Lúcia de Britto O relógio faz Tic-tac Tac-tic O destino do relógio É trabalhar sem parar… Mas  a gata Jolie Não está nem aí… Pro tempo que passa Só dá o ar da sua graça…   Anda ponteiro, anda Marca os segundos Os minutos, as horas… Trabalha sem descansar Canta sua canção e ninar Tic-tac Tac-tic Enquanto eu durmo… Meu soninho é bom! E quem diz que eu… Quero acordar?!...
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Crônicas

Assim deve ser o amor

ASSIM DEVE SER O AMOR Margarete Hülsendeger Talvez entre eu te amo e o amor propriamente dito haja um espaço intransponível. Talvez o tempo que passa. Mas não apenas. Talvez um inevitável desencontro. Essa incoerência. Carola Saavedra Inventário: “descrição detalhada do patrimônio de pessoa falecida, para que se possa proceder à partilha dos bens” ou “levantamento minucioso dos elementos de um todo; rol, lista, relação”. Ausente: “que ou quem se afastou temporariamente do lugar em que habita, que frequenta etc.” ou “que não se envolve, que não tem parte ativa em um relacionamento, em um grupo etc.; distante”. O primeiro, um substantivo, o segundo, um adjetivo, que, se combinados em uma mesma frase, podem gerar uma espécie de paradoxo....
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Colunistas

Enquanto calam a inocência

Enquanto calam a inocência Gilda E. Kluppel Não que seja indiscreta, mas não pude deixar de ouvir, até porque a mulher falava em tom alto, tecendo elogios às duas crianças, que aguardavam a mãe do lado de fora do vestiário de uma loja. Ela dizia para as crianças o quanto eram parecidas com as fotos de seus netos, os quais não via há muito tempo por residirem em outro país. A mãe, que experimentava peças de roupas no vestiário, sai rapidamente com um olhar de censura àquela senhora. Em meio ao desespero, retira-se da loja deixando inúmeras peças de roupas no provador. Crianças não devem falar com estranhos. Entretanto, caso a mulher realmente sensibilizou-se com a semelhança entre as...
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Cultura

Avenida Paulista

Avenida Paulista Gilda E. Kluppel Soberana reina no alto da cidade com entardecer inigualável composto de reflexos e cores de tom cinza azulado. Uma estação de brigadeiro vestida de verde aguarda os visitantes muitos trabalhadores apressados alguns robotizados e turistas deslumbrados. Poesia existe em seus contornos e entornos ou no espaço reservado a casa chamada das Rosas que insiste em se impor diante de edifícios espelhados cúpulas arredondadas e diferentes traçados. Em plataformas azuis pousam pássaros engravatados condutores de muitos destinos. Num grande vão livre obras de arte ornamentam seu caminho desapercebido por aqueles que caminham sem arte. Numa tímida entrada o jardim persiste entre jequitibás e sapucaias ainda cantam rolinhas e sabiás. Na nobre esquina circulam célebres e...
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Crônicas

Apaixone-se

Oriovisto Guimarães* Sempre que um novo dia amanhece e os nossos sentidos buscam captar as belezas que nos cercam, temos vontade de abrir as janelas da alma e inspirar com força a brisa fresca que brinca com a folhagem verde. Sempre que um novo ano se apresenta fazemos planos para novas realizações. No entanto, muitos não abriram os olhos físicos para saudar o ano que se inicia ou termina, nem para contemplar o alvorecer do dia de hoje ou despedir-se do sol, quando o crepúsculo enfeita a noite com seu manto negro bordado de estrelas… Mas você está vivo! E quando muitos não percebem sequer os canteiros floridos onde as borboletas bailam e o gramado se espreguiça, estendido como...
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Crônicas

Entre voos e quedas

ENTRE VOOS E QUEDAS Margarete Hülsendeger Nós lidamos mal com a morte, essa coisa banal, única; não conseguimos mais colocá-la num contexto mais amplo. Julian Barnes Todos, em algum momento, desenvolvemos estratégias para lidar com a morte. Alguns choram, outros permanecem em silêncio, há os que se voltam para a religião e existem aqueles que, simplesmente, surtam. Eu, segundo familiares, estou no último grupo. Quando minha mãe faleceu, há mais de 20 anos, tive uma reação estranha: no velório mantive-me falante, quase alegre, fazia piadas, e não parava de repetir, para quem quisesse ouvir, que ela estava bem e, mais importante, eu estava ótima. Sim, é estranho, mas não faça julgamentos apressados. Obviamente, esse “bem” ou esse “ótima” era...
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comportamento

Viagem ao interior: Solidão ou introspecção?

 por Eduardo Paulo Berardi Junior Há quem tenha optado por viver sozinho e alguém então indaga: Mas o que que te deu que você vive sozinho? Alguma decepção? Medo? Ou ninguém está à altura de viver com você? Que somos seres gregários não é preciso dizer… Se optamos por não ter um acompanhante para nossa vida, é uma coisa. Se ficamos isolados sem termos feito opção… aí a coisa é outra… De certa forma há um utilitarismo observado nas relações… “afinal, quando a velhice chegar o que vai ser de mim? Quem vai cuidar de mim?” O medo de percorrer a estrada sem parceria, pode ser apavorante. Assim, os outros são complementos do nosso percurso… uma necessidade e uma...
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Crônicas

Por que as mulheres fazem artesanato?

Por que as mulheres fazem artesanato? Sonia Regina Rocha Rodrigues Resumo: Desde a antiguidade as mulheres se ocupam de pequenos trabalhos manuais. Essa atividade, desdenhada por Simone de Beauvoir como mera ocupação para preencher o tédio, tem, no entanto, uma importância maior do que manter as mãos ocupadas. De fato, a atividade artística é prazerosa e auxilia na manutenção da saúde mental e emocional das pessoas (sim, porque homens também fazem artesanato!) Synopsis: Since ancient times women have been engaged in small manual labor. This activity, dismissed by Simone de Beauvoir as a mere occupation to fill the boredom, has, however, a greater importance than keeping the hands occupied. In fact, artistic activity is pleasurable and assists in maintaining...
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Crônicas

O colecionador de gafes

Gilda E. Kluppel Quem nunca cometeu um deslize ao fazer um comentário impertinente? Depois vêm o embaraço e aquela sensação de mal-estar. Estamos, também, sujeitos às gafes do corretor ortográfico do WattsApp, sempre apressado em antecipar as palavras, colocando termos com sentido completamente diferente do que desejamos. Contudo, existem pessoas com maior predisposição em cometê-las, talvez seja o caso dos mais afoitos ao falar, quando não observam atentamente o outro ou a situação. Pior ainda, sequer perceber a gafe praticada. E nisto ele era pródigo. Desde o tempo da escola, sempre agia de modo apressado, respondendo as questões das provas rapidamente, para se livrar do “incômodo”. Consequentemente apareciam algumas frases estranhas, tais como: “A Terra é um dos mundos...
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Crônicas

Serenamente sentado na praça

Por Gilberto da Silva Vou ficar por aqui, num canto de praça, esperando o ano acabar. Sentado no banco da praça olhando os pássaros. Como paulistano que sou poderia ver tiririzinho-do-mato, ferreirinho-de-cara-canela, beija-flor-preto, tesoura-de-fronte-violeta, beija-flor-roxo. Ah! tucano-de-bico-verde e bico preto verei com certeza. Na espera de meus braços abertos, com generosidade e paciência, abraçarei amigos e amigas que não se furtam a um afeto caloroso. Revisarei meus toscos textos, meus enroscos, meus desgostos, minha falsa modéstia.  De posse de meu caderno de anotações – com traços firmes e de cor forte – riscarei os nomes indesejáveis, primeiramente este, depois aquele etc. Olharei na agenda de telefones do celular e deletarei contatos inoportunos e incluirei outros poucos. Na virada para...
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Crônicas

Massagem não comunicativa (para um ano menos pé no saco)

MASSAGEM NÃO COMUNICATIVA (PARA UM ANO MENOS PÉ NO SACO? por Zeh Gustavo Neste fim de ano só consigo pensar em comer, dormir, bebericar uns tiricotico, dar uma trepada e no meio disso bater uma, ops, bater perna e assim me manter improtegidamente fugidio. Como no resto do tempo? Um pouco menos. Vez-outra me adentro pelas manhas da redessoci, talvez atrás de curtir um tédio que otro, polegarzão pro cume, sempre a saudar as amizadi. Primeira observação, importanterésima (ui!): me cago en Dios pra tal economia de likes que, consciente ou inconscientemente, galerinha usa para prestigiar o que ou os que lhe darão prestígio (exclamações, redação inexistente, exclamações!!!). Tá, também dou uma selecionada básica, no sentido de boicotar, não...
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Cinema

Virei um gato

  VIREI UM GATO              (EUA- 2016) Nair Lúcia de Britto   Kevin Spacey, ator consagrado, do filme “Beleza Americana”, agora é Tom Brand, nesta comédia graciosa, pura fantasia e gostosa de ver. Ele é um empresário, obcecado por seu trabalho e quer porque quer construir o maior arranha-céu, na cidade de New York; e por estar tão preocupado em ganhar a concorrência com outro prédio, em Chicago não dá a devida atenção à família. Nem mesmo à sua filha Rebeca (Melina Weissman) que há muito sonha em possuir um gato. Só que o pai dela não suporta felinos; mas, quando a menina lhe pede um gato, de presente de aniversário, ele finalmente resolve comprar o Bola de Pêlos, um gato...
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Cultura

Ceia de Natal

Ceia de Natal Gilda E. Kluppel A mesa está posta toalha e guardanapos em tons vermelhos para saudar aquele… senhor das barbas brancas ao invés de reis magos somente os convidados. Para seguir outra estrela distante de Belém e que conduz aos excessos ao invés do perfume de mirra o cheiro da comida. Ele, de roupa pesada torturado pelo calor de dezembro largo cinturão preto afrouxado para a ceia os presentes no grande saco as tantas quinquilharias para alegrar uma noite e talvez mais algumas horas de fervoroso consumo ao invés de Feliz Natal agora se diz apenas Boas Festas. Maria e José do lado de fora espiam pela janela procurando por Jesus querem saber a cruz ainda pregada...
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Crônicas

Aposentado é para ser premiado

APOSENTADO É PARA SER PREMIADO nair lucia de britto Aposentado é para ser premiado e não castigado. Segundo informações de Bruno André Blume, Bacharel em Relações Internacionais, a proposta de mudanças nas regras para a aposentadoria, apresentada no dia 5 de dezembro deste ano de 2016, tem como motivo evitar a quebra do sistema previdenciário, que está com um déficit previsto para R$ 120 bilhões, em 2016. Entre as causas apresentadas  em relação ao rombo da Previdência estão o desemprego que faz com que seja menor o número de contribuintes; os idosos que têm, felizmente, mais anos de vida. E, além disso, o uso indevido do dinheiro público. Entre as várias mudanças, a que mais me parece injusta é aquela...
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Colunistas

O primeiro ano

O PRIMEIRO ANO Margarete Hülsendeger Poucas pessoas conseguem chegar à meia idade sem saber que existem portas que podiam ser abertas e que ainda podem. Doris Lessing (Amor, de novo) Sem vergonha ou constrangimento confesso: acredito no sobrenatural. Para quem sabe que durante metade da minha vida ensinei física para adolescentes, minha confissão pode parecer um paradoxo. No entanto, há algum tempo entrei em um acordo comigo mesma, atingindo um certo equilíbrio entre o que fui ensinada a defender e no que, por vontade própria, passei a acreditar. Portanto, lido bem com essas duas facetas da minha personalidade – a mística e a racional – sem abrir mão de nenhuma delas. Essa introdução teve como propósito preparar o “ambiente”...
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Espiritualidade

Direito de viver

DIREITO DE VIVER        Nair Lúcia de Britto Começo a escrever sobre o Direito de Viver, rogando à Nossa Senhora, a mãe mais perfeita da face da Terra, para que me ilumine, enquanto me proponho a discorrer sobre esse tema. Primeiramente, quero esclarecer  que não tenho como objetivo julgar ninguém. Quem julga é Deus e o próprio Jesus disse: “Não te julgo. Vai, e não peques mais!” Também tenho ciência de que não me cabe decidir sobre o que cada pessoa deve fazer da sua própria vida. Mas sou cristã e, seguindo por essa linha de pensamento, tenho por base a Filosofia que diz: ” Proteger e dignificar a vida, seja do embrião, seja da mulher é um dever de todo cidadão...
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