Cultura

Manuel Bandeira e seu acre sabor poético

Manuel Bandeira e seu acre sabor poético Por Izaura da Silva Cabral Um dos aspectos que caracteriza a criação poética é a presença das figuras de linguagem no poema, que implicam importantes efeitos semânticos, sonoros e contribuem para a construção de sentido. Assim, as palavras dentro de um poema adquirem significados variados, pois já que elas são símbolos linguísticos, podem mudar, como nos diz Saussurre, “o signo linguístico é, pois uma entidade psíquica de duas faces”, representada pelo significado e pelo significante, e os laços que os unem é arbitrário. Segundo Paz, “a linguagem, tocada pela poesia, cessa imediatamente de ser linguagem. Ou seja: conjunto de signos móveis e significantes”, assim palavras podem significar muito mais do que seu...
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Crônicas

Assim deve ser o amor

ASSIM DEVE SER O AMOR Margarete Hülsendeger Talvez entre eu te amo e o amor propriamente dito haja um espaço intransponível. Talvez o tempo que passa. Mas não apenas. Talvez um inevitável desencontro. Essa incoerência. Carola Saavedra Inventário: “descrição detalhada do patrimônio de pessoa falecida, para que se possa proceder à partilha dos bens” ou “levantamento minucioso dos elementos de um todo; rol, lista, relação”. Ausente: “que ou quem se afastou temporariamente do lugar em que habita, que frequenta etc.” ou “que não se envolve, que não tem parte ativa em um relacionamento, em um grupo etc.; distante”. O primeiro, um substantivo, o segundo, um adjetivo, que, se combinados em uma mesma frase, podem gerar uma espécie de paradoxo....
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Do poder da palavra

DO PODER DA PALAVRA ADÉLIA BEZERRA DE MENESES Em “As 1001 Noites”, Sheherazade vence a morte e o poder, propiciando a cura através de um discurso vivo, corpóreo “As 1001 Noites” em geral nos chegaram através de antologias infantis. Conhecemos as  Histórias: “Sindbád, O Marujo”, “Aladim e a Lâmpada Maravilhosa­”, “O Pescador e o Gênio”  etc. Mas tais antolo­gias acabam por privar o leitor do plano geral da obra – a estrutura de encaixe dos contos, embutido uns dentro de outros- e, sobretudo, da poderosa figura da Shehera­zade, que vence a morte através da Literatura. Tra­ta-se da maior apologia da Palavra, de que se tem conhecimento. E analisar o papel da contadeira de histórias significará abordar o problema das...
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Cultura

Sobre a morte de Umberto Eco

“Esta é uma história de livros e não de mistérios quotidianos” “Stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus”. Assim termina o romance O nome da rosa, do pensador italiano Umberto Eco (1932-2016). Em tempos de informações globalizadas e rápidas em um minuto pode-se descobrir que essa frase em latim diz, em nossa língua, que a rosa antiga apenas permanece no nome e que, na verdade, nada temos além dos nomes. Podemos até mesmo descobrir que se trata de um verso de um poeta medieval modificado pelo autor do romance: o original não falava da rosa, mas de Roma. E como o próprio Eco esclarece mais tarde, se refere às glorias passageiras. Tudo acaba de algum modo esvaindo-se no nada....
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O livro infantil faz o adulto pensante

  Por Fernando Ribeiro* Dentre as capacidades mais eficientes e edificadoras do ser humano, destaca-se a de pensar. Mas não é o pensar no sentido mais simples da palavra; é o pensar que envolve estímulo, reflexão, criação de opinião e, principalmente, capacidade de expressar essa opinião e argumentar adequadamente para defendê-la. Quem não se relaciona bem com essa série de elementos que performam o fazer, estará condenado a ser eternamente o seguidor das opiniões alheias, manipulado por ideias que soam atraentes ou revolucionárias, mas que pertencem a outro. Para desempenhar bem a função de ser humano pensante, é necessário que se crie condições e possibilidades para que, desde a infância, o indivíduo receba estímulos suficientes para saber filtrar aquilo que lhe...
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Educação

Menina bonita do laço de fita: o olhar da psicanálise

  ANTERO, Kátia Farias – UNIDERC/FURNE/FACNORTE Resumo: A literatura infantil abre um leque bastante abrangente para explorar variados temas e diferentes aspectos. A afetividade, tão explorada por Wallon, ocupa um importante lugar na educação como componente primordial para aprendizagem  da criança e tem sido cada vez mais discutida na área psicanalítica com o olhar em descobrir suas interferências e em quais circunstâncias se entrelaça com a transferência. Atualmente, o que se enfatiza é o olhar com o outro, de que forma a narrativa de uma literatura infantil pode influenciar o outro de modo que esta proporcione-lhe a expressão de suas inquietações. Diante desse argumento, a produção científica deste propõe realizar uma análise na literatura infantil Menina Bonita do Laço...
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Cultura

Chimarrão & Parangolé: correlações alegóricas em Walter Benjamin

 Jaqueline Koschier* Resumo: O trabalho propõe uma aproximação entre a chamada “Estética do Frio”, do Vitor Ramil com a “Estética da Ginga”, representada pelos Parangolés de Hélio Oiticica, utilizando alegorias do pensador alemão Walter Benjamin, que representam a história não-oficial, mantendo-se na memória coletiva todo o contexto de concepção dos elementos que colaboram para a existência da arte, da cultura e da resistência às regras. Palavras-chave: Literatura, Estética do Frio, Estética da Ginga, Alegoria Abstrac This article proposes an approach between Victor Ramil’s so-called “Aesthetic of the Cold” and the “Aesthetic of the Ginga” represented by Hélio Oiticica’s capes, using allegories of the German thinker Walter Benjamin which represent the non-official history remaining in the collective memory all the context of...
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Cultura

Narrativas clássicas infantis: construindo um leitor autônomo

Izaura da Silva Cabral As narrativas estudadas Alice no país das maravilhas, O mágico de Oz, Narizinho Arrebitado e As aventuras de Tom Sawyer são narrativas que se tornaram clássicas, pois ultrapassaram os limites cronológicos do tempo e possuem traços comuns que contribuem para a construção de um possível leitor. Dessa forma, partimos do princípio de que o leitor faz parte da narrativa, e que ela somente se concretiza no ato de leitura. Eco pontua que numa história sempre há um leitor e que ele “é um ingrediente fundamental não só do processo de contar uma história, com também da própria história.” (1994, p. 7). Mesmo que a narrativa reconstrua um mundo, ela pede ao leitor que preencha suas...
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Cultura

Ariano Suassuna faz de sua obra uma eternidade e nela vive para sempre

Por Jaime C. Patias Quando morre alguém de notoriedade como Ariano Suassuna, os noticiários normalmente anunciam o fato como uma tragédia terrível. As manchetes são aquelas de sempre: “O Brasil fica mais pobre”. “O povo chora uma perda irreparável…”. “O mundo perde um dos maiores escritores….”, e assim por diante. O escritor paraibano, Ariano Suassuna entrou para a eternidade, no dia 23 de julho, menos de uma semana após o falecimento do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro (dia 18) e do mineiro Rubem Alves (dia 19). Será a morte uma tragédia? Um triste fim de festa? Algo terrível a ser temido durante a vida toda? Que sabemos nós sobre o mistério da vida e da morte? Autor do “Romance...
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Cultura

Um mergulho em busca do soneto em obras didáticas infanto-juvenis

Izaura da Silva Cabral     RESUMO O trabalho apresenta uma pesquisa em livros didáticos sobre a presença do gênero poético soneto, além disso, faz-se uma análise de como são abordados e como se apresentam aos alunos de determinada série, seus prováveis leitores. Dessa maneira, escolhemos livros que circulam pelas escolas públicas, sendo distribuídos gratuitamente.   Palavras-chave: soneto, poesia, língua portuguesa, livros didáticos, literatura.     1 Introdução       Este artigo tem como objetivo analisar a trajetória do soneto brasileiro dentro de obras didáticas destinadas ao público infanto-juvenil, considerando aquelas disponíveis às Escolas Públicas e às séries/anos finais do Ensino Fundamental. Buscaremos que sonetos são considerados para essa faixa etária, quais são os principais autores escolhidos para...
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Educação

Mônica, Cebolinha, Cascão e o hábito de leitura das crianças

Antonio Luiz Rios*   Numerosos estudos demonstram que as crianças que leem têm mais facilidade de aprendizagem e melhor rendimento escolar. Ante tal constatação e a certeza de que os livros são caminhos obrigatórios na busca do conhecimento e formação dos indivíduos, é fundamental toda iniciativa que estimule o hábito de leitura na população infantojuvenil. Nesse sentido, as feiras de livros cumprem missão importante, ao desenvolverem atrações lúdicas para as crianças que as visitam, seja em companhia das famílias ou nos programas coletivos organizados pelas escolas. Há toda uma magia nesse contato tão próximo entre os leitores mirins, as obras e os autores, cuja presença, autógrafos e interação com o público são fatores estimulantes ao ingresso dos pequenos no universo...
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Cultura

A escravidão além da cor

Resenha do livro As cores da escravidão, de Ieda de Oliveira Por Gilberto da Silva Não sei o que aconteceu. Mas antes de chegar ao término da leitura fui tomado pelo choro, pelas lágrimas que teimavam cair dos olhos. Uma angústia, uma sofreguidão insuportável. Parei, respirei….  Pensei: seria alguma alma antepassada fazendo-se presente no meu corpo?  Reminiscências de um passado que pouco conheço devido à insuficiência de dados familiares, e sempre cobrado pelo meu filho? Seria meu pai descendente de angolanos? Recomposto, li a página 92, sobre o processo de criação da obra. Ali, escrito e dito o manifesto, o sentimento da autora ao pisar no solo em que saíram seus antepassados. As dores do mundo… A escravidão de...
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Cultura

Modernidade e Cenário Urbano em “Alma” de Oswald de Andrade: Traços do Modernista Brasileiro

Carolina Barboza da Silva* Rafael Ademir Oliveira de Andrade** Introdução Oswald de Andrade não só participou como foi um dos líderes de um dos movimentos considerados primordiais para a compreensão da sociedade brasileira. O movimento Modernista contou com intelectuais e artistas como Mario de Andrade, Tarsila do Amaral, Menotti Del Picchia, Anita Malfatti e outros, mas poucos foram engajados como Oswald, que atuou em diversas frentes de debates com estruturas sociais que eram necessárias serem revistas. As reivindicações do movimento modernista, assim como de Oswald, logo romperiam a barreira do artístico para atingir as fundamentações culturais, políticas e econômicas da sociedade brasileira. Dessa forma, não podemos compreender o Brasil e a obra moderna sem compreender o modernismo de Oswald...
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O inferno somos todos nós

Pequena Resenha Critica   Romance “Diário de Um Médico Louco” de Edson Amâncio   “…-Eu não vou entrar nesse buraco com você!” (Fala de personagem do Filme ‘Olhar de Anjo’)     Escrever nos coloca em nós? Pior – ou, melhor – escrever nos desloca de nós, isso quando não nos fragmenta, fermenta (purga) de nós, nos liberta de nós. Com toda a ansiosa expectativa de ler o Romance “Diário de um Médico Louco” de Edson Amâncio, como também lendo de cara a orelha num belo apanhado lógico-critico de Ademir Demarchi “(…) esquizofrenia de Eus, a própria literatura e a biblioteca de Babel que vai se presentificando nos autores mencionados, consubstanciando a loucura no texto, bem como a loucura...
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