Cultura

Graciliano Ramos: memória e militância

Claudia Izique | Agência FAPESP Graciliano Ramos (1892 – 1953) foi preso em Maceió em 1936, quando o governo de Getúlio Vargas investiu contra a esquerda, em resposta aos levantes comunistas de 1935. Enviado ao Recife e transferido no porão de um navio para o Rio de Janeiro, o autor de Vidas Secas permaneceu 11 meses na Casa de Detenção e na Colônia Correcional de Dois Rios, na Ilha Grande, sem qualquer processo ou acusação formal. Deixou a prisão em 1937, graças à pressão de José Lins do Rego e de José Olympio, entre outros intelectuais. No mesmo ano, esboçou algumas notas sobre a sua experiência de cadeia. “Mas, de fato, ele só retomou a redação de Memórias do Cárcere em 1946, um ano depois...
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Crônicas

Entre voos e quedas

ENTRE VOOS E QUEDAS Margarete Hülsendeger Nós lidamos mal com a morte, essa coisa banal, única; não conseguimos mais colocá-la num contexto mais amplo. Julian Barnes Todos, em algum momento, desenvolvemos estratégias para lidar com a morte. Alguns choram, outros permanecem em silêncio, há os que se voltam para a religião e existem aqueles que, simplesmente, surtam. Eu, segundo familiares, estou no último grupo. Quando minha mãe faleceu, há mais de 20 anos, tive uma reação estranha: no velório mantive-me falante, quase alegre, fazia piadas, e não parava de repetir, para quem quisesse ouvir, que ela estava bem e, mais importante, eu estava ótima. Sim, é estranho, mas não faça julgamentos apressados. Obviamente, esse “bem” ou esse “ótima” era...
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Cultura

Lançamento da Paulus reflete sobre cidade, cultura e espetáculo

  Por Mara Rovida Ferreira “Quando, nos ambientes acadêmicos ou na mídia, o nome de Guy Debord é mencionado, normalmente ele é associado à expressão “sociedade do espetáculo”, geralmente entendida como o “inevitável domínio da mídia” na contemporaneidade ou o desejo, pretensamente natural, que as pessoas têm de “aparecer”.” Com essas palavras o organizador do livro ‘Cultura, Comunicação e Espetáculo’, Claudio Novaes Pinto Coelho, nos insere nessa obra de assinatura coletiva em que o espaço urbano, o teatro e os movimentos sociais são observados num momento em que as relações sociais estão cada vez mais próximas de uma forma superficial e esvaziada, como pensado por Guy Debord. O livro, editado pela Paulus, é resultado do trabalho que vem sendo...
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Cultura

A porca e eu

Por Redação A escritora Maria Eugenia Cerqueira já conhecida pelo livro Quem dá Brilho, brilha – obra que dá dicas sobre limpeza doméstica, apresenta seu mais novo livro: A Porca e Eu. Nesse interessante livro, a autora narra a sua relação com Gipsy, uma porca de estimação que foi adquirida como mini porco, e que com o tempo mostrou que era uma porca de verdade, ou seja, Gipsy tornou-se um presente de grego. Apesar de ser enganada pelos criadores que ela cita no livro, a porca conquistou seu coração e ganhou um espaço especial na vida de Maria Eugenia, uma ultramaratonista apaixonada por animais. Gipsy, como foi carinhosamente batizada a nova inquilina, acabou crescendo mais do que a dona...
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Cultura

Resenha do livro de Leandro Konder: O que é dialética

RESENHA DO LIVRO DE LEANDRO KONDER: O QUE É DIALÉTICA. SÃO PAULO: BRASILIENSE, 2008. Guilherme Leonardo Freitas Silva*   O livro inicialmente traz a origem da dialética com berço na Grécia antiga, onde era considerada a arte do diálogo. Mais tarde, ela passou a ser considerada na arte do diálogo como um meio de argumentação por meio de uma tese. Para Aristóteles, Zênon de Eleia (490-430 a.C.) foi o criador da dialética. Porém outros consideram que foi Sócrates (469-399 a.C) o primeiro fundador. Durante uma discussão sobre a filosofia, que na época estava sendo considerada inculta como atividade, Sócrates desafiou os generais Lachés e Nícias para definirem o que era bravura. Também desafiou o político Calichés para que definisse...
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Cinema

As bestas da miséria

    Paulo Custódio de Oliveira* Baixio das Bestas (2007) / Direção: Cláudio Assis Como diria Graciliano Ramos, “a miséria é incômoda”. Em Baixio das Bestas (2007), de Cláudio Assis ela é apresentada como decadência indigesta da Zona da Mata. Suportá-la é só para estômagos muito bem preparados. A miséria física que ronda o povoado onde acontecem as cenas do filme infecciona a moral e gera a miséria intelectual. O povoado circundado por canaviais está espremido pela economia do latifúndio e padece de inanição. A população definha-se trabalhando para poderosos invisíveis e leva uma vida sem qualquer perspectiva de melhora. As moradias capengas abrigam um arremedo de sociedade que reproduz a divisão irascível que sucateia o país: os muito pobres sem rumo e...
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Cultura

Resistir sempre

RESISTIR SEMPRE Margarete Hülsendeger Minha memória é composta de fragmentos de existência, estáticos e eternos: o tempo não passa entre eles, e coisas que aconteceram em épocas muito distantes entre si estão juntas, ligadas ou reunidas por estranhas antipatias e simpatias. Ernesto Sabato (2008, p. 24) No dia 30 de abril de 2011, quando estava a dois meses de completar cem anos, morria na cidade de Santos Lugares, na Argentina, aquele que é considerado um dos maiores escritores argentinos de século XX, Ernesto Sabato. Antes da notícia de sua morte, confesso, nunca havia lido nenhum livro dele. Aliás, se é para ir mais longe na minha confissão, nunca sequer ouvira falar em Sabato. No entanto, quando li, por ocasião...
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Cultura

Nos Bastidores do Pink Floyd

Por Gilberto da Silva Ao som da trilha sonora do Pink Floyd, aos poucos fui devorando esse livro da Editora Generale, com quase 500 páginas e bem escrito pelo jornalista Mark Blake. O livro  Nos  bastidores do Pink Floyd é literalmente uma viagem para dentro do mundo de uma banda que marcou uma geração (a minha…) e possui muitas entrevistas e uma pesquisa bem trabalhada pelo autor. A grossura do livro pode assustar quem mão está acostumado a ler biografias, mas o autor conduz seu trabalho de forma agradável esmiuçando os primórdios da banda desde o The Pink Floyd Sound, nome original em que foi criado e detalha com muita riqueza a trajetória de Syd Barrett, o “pai” da banda...
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Cultura

Um amor suspenso

O quadro é idílico, uma imagem quase lírica de um amor casto entre dois jovens inexperientes. Seria assim se essa imagem não fosse retirada do livro “Na praia” (em inglês, On Chesil Beach), do escritor inglês Ian McEwan – também conhecido nos meios literários como “Ian Macabro”. Se alguém já teve a oportunidade de ler algum de seus livros a essa altura deve estar suspeitando de que existe algo mais por debaixo dessa cena aparentemente romântica, quase poética. E a suspeita, é claro, acaba se confirmando....
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Colunistas

A Cidade Como Negócio

As cidades são tratadas pelos gestores como espaços de segregação “casa de pobre para pobre, lugar pobre para pobre” (p.179) gerando conflitos que não se resolvem diante das condições de reprodução capitalista. São questões complexas, mas que os textos ajudam a refletir sobre as dinâmicas de ocupação e uso do espaço urbano....
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Cultura

Pequenos deuses

Por Gilberto da Silva   “ O problema em ser um deus é que não se tem ninguém para quem orar.” O humor ácido é a tônica utilizada por Terry Pratchett para desenvolver uma história crítica à religião institucionalizada. Como imaginar um deus (Om) que se manifesta na forma de uma tartaruga sendo “uma tartaruga de pernas para o ar é a nona coisa mais patética em todo o multiverso”? É dessa forma que o autor a imagina em Pequenos Deuses, o décimo terceiro livro da consagrada série Discworld, mundo criado por Terry Pratchett para desenvolver seu humor ácido e sua fantasia para falar da realidade. Para quem ainda não conhece o autor esta é uma oportunidade de entrar...
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Cinema

O cinema sensível de Zuzu Angel

*Paulo Custódio de Oliveira             Que pode um filme mudar na retina cansada das pessoas? Muita coisa, se considerarmos a diversidade de olhos que ele pode alcançar. As telas de cinema são consideradas por muitos como diversão inconsequente, porque um grande número de filmes hollywoodianos e brasileiros denunciam a despreocupação política de alguns diretores. Mas o contrário não é raro. O cinema tem o poder de evocar certas feridas que marcaram profundamente a alma de um povo inteiro e de questionar a história oficial. Um exemplo deste último caso é Zuzu Angel, o filme de Sergio Rezende lançado em agosto de 2006 e exibido pelo CINECLUBE da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).             O que me fascinou nesse...
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Cultura

A pedagogia do suprimido

Por Gilberto da Silva Poderia sintetizar A Pedagogia do Suprimido como uma obra que tem “o futuro todo ainda para desacontecer”, mas com certeza, não seria um elogio às avessas, uma maldição e sim um desacontecimento meritório, um des-acontecer no sentido da oposição ao que já acontece na literatura, em específico, a poética. Tento de início, não entender esta obra como puro reflexo da minha musculatura anciã, mas com o cordão da jovialidade de coisas não desenvolvidas na arte/vida suprimida. Em sua leitura, de fato apaixonante, procuro aprender, sem ser bancário, a mergulhar no universo do autor e apreender “coisas de endoidar, reminiscências, crescências” de um Zeh que é a pura expressão do “expressionismo surreal”, um sujeito carioca “retrô...
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Cultura

Mentes Perigosas

MENTES PERIGOSAS, o Psicopata mora ao Lado   Nair Lúcia de Britto A obra publicada pela Editora Principium da GLOBOLivros, de autoria da  psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, é uma  edição nova, revista e ampliada, que aborda o assunto de forma mais aprimorada e detalhada; citando novos casos divulgados pela Imprensa e que horrorizaram a população. O objetivo da obra é alertar as Pessoas do Bem para não caírem nas armadilhas que os psicopatas lhes preparam; visto os inúmeros pacientes que chegam ao consultório da especialista, abalados pelas consequências desagradáveis de seus ataques. O perigo está no comportamento dos  psicopatas que se disfarçam de boas pessoas , que confundem suas vítimas, para conseguir o que querem: machucar, magoar, aplicar...
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Educação

Educação ao ritmo da vida

Evelin Gomes da Silva* Acadêmica de Letras na Faculdade de Comunicação, Artes e Letras (FACALE) Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) BRANDAO, C. R. O Que é Educação. 49ª reimpressão. São Paulo: Brasiliensis, 2007, 117p.   O livro “O que é Educação” (2007) é de autoria de Carlos Rodrigues Brandão, psicólogo e doutor em Antropologia pela Universidade de Brasília (UNB). A obra que faz parte da coleção Primeiros Passos, da Editora Brasiliense, apresenta 117 páginas e é dividida em 10 capítulos que visam promover uma reflexão sobre o conceito de aquisição de conhecimento e as práticas educacionais contemporâneas. O livro faz um relato histórico a cerca do processo educacional, exemplificando desde os ensinamentos indígenas, romanos, gregos chegando até os...
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Cultura

O Triunfo do Capitalismo e o Declínio da Democracia

REICH, Robert B. Supercapitalismo: como o capitalismo tem transformado os negócios, a democracia e o cotidiano. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. 288p.   O Triunfo do Capitalismo e o Declínio da Democracia   Antonio Gil da Costa Júnior *1 Carlos Eduardo de Mira Costa *2   A economia nos Estados Unidos, a partir da década de 70, disparou. Uma imensa variedade de produtos imergiu no mercado com os preços dos produtos caindo. Entretanto, esses ganhos enquanto consumidores acarretaram problemas sociais. Para Reich, esses problemas não decorrem de falhas do capitalismo, já que a função deste é de apenas aumentar o bolo da economia. A divisão das fatias cabe à sociedade. O autor então indaga o motivo que levara o...
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Ciências Sociais

Positivismo, historicismo e marxismo: contradições, dilemas e contribuições para as ciências sociais

LÖWY, Michael. As aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen: marxismo e positivismo na sociologia do conhecimento. 9ª Ed. São Paulo: Cortez, 2007. 280p.    Antonio Gil da Costa Júnior *1 Carlos Eduardo de Mira Costa *2   LÖWY, Michael. As aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen: marxismo e positivismo na sociologia do conhecimento. 9ª Ed. São Paulo: Cortez, 2007. 280p. Löwy inicia sua obra levantando algumas questões muito discutidas metodologicamente e epistemologicamente no cerne das ciências sociais: se é possível a objetividade; se o modelo científico-natural é operacional; se é concebível uma ciência livre de julgamentos de valor e pressupostos político-sociais; e se é possível eliminar as ideologias do processo de conhecimento científico-social....
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Cultura

A vida sabe o que faz

  Nair Lúcia de Britto No prefácio desse livro espiritualista A vida sabe o que faz, de Zíbia Gasparetto, lançado pela Editora Vida e Consciência, a escritora comenta sobre sua mediunidade e sobre seu mentor espiritual, Lucius, quem lhe dita todos os romances que escreve e com quem tem uma especial afinidade. Primeiramente ela agradece a Deus por ter lhe dado o dom da mediunidade que despontou quando era ainda bem jovem e que já permanece por mais de sessenta anos. O contato com espíritos mais evoluídos deram a ela uma grata oportunidade de aprender com eles e ganhar sabedoria. Sua mediunidade é consciente, ela afirma. Ela percebe quando um espírito de luz se aproxima e suas auras se...
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Administração

Prefácio para Madalena Carvalho

Por Gilberto da Silva Se de tudo fica um pouco, mas por que não ficaria um pouco de mim? (Carlos Drummond de Andrade) Enfrentar os desafios de um mundo contemporâneo que vive em constante processo de mudança é uma tarefa árdua, mas extremamente necessária para as organizações. Os novos líderes não podem mais agir de acordo com as lições do passado e sim, centrados no autoconhecimento e nas pequenas mudanças de comportamento, fazer a diferença. Uma diferença que tem que ser realizada em perfeita sintonia com seus colaboradores, com seus parceiros. E numa comunhão, não basta o entusiasmo e a boa vontade. É preciso amor. O mundo organizacional para ser competitivo não precisa ser desprovido de amor ou pautado...
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