Colunistas

Sábios são aqueles que observam suas falhas

Por Gilberto da Silva Fora dos gramados o Brasil ganhou a Copa. Mas lá, entre as linhas que desenham o espaço necessário para o show, para a demonstração de garra, superioridade nos pés e nas pernas, a seleção canarinha ficou a dever. O que comentar sobre os dois últimos jogos da nossa seleção, senão enumerar uma constelação de erros, apatia e ineficiência futebolística? No ritmo final que nos encontrávamos perderíamos até para a bela surpresa costa riquense. Imagino um escrete com jogadores brasileiros que personifiquem Neuer, Mascherano, Robben, Benzema, Vlaar, Kroos, James Rodrigues entre outros misturados com o que podemos ter: Neymar, Oscar, Thiago Silva e David Luiz. O bom da derrota é todos os que ainda não entendiam...
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Copa 2014

A alma de Barbosa agora descansa em paz

Por Gilberto da Silva A alma de Barbosa foi lavada. Neste dia 8 de julho traumático e insuportavelmente inesquecível, uma derrota, um vexame, sepulta de vez o fantasma do ex-goleiro. Se ele, no longínquo Maracanã de 1950, ficou condenado por um erro e carregou este fardo durante sua vida. Agora, só lembraremos – e com uma vergonha maior – do dia em que não jogamos nada diante de um escrete alemão afinado – com uma calma impressionante – dando um baile nos desorientados garotos do Felipão. Se antes perguntávamos onde estava o Fred, términos aos 90 minutos questionando: onde estava nosso escrete! Perder faz parte do espetáculo, mas perder de 7 a 1 numa semifinal de mundial em sua...
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Copa 2014

Os chorões ultrapassaram o quinto degrau

Por Gilberto da Silva Durante a semana o que vimos e ouvimos dos catedráticos dos gramados era um sinfonia de condenação ao choro dos moleques canarinhos. Ah! Esta seleção está tudo errada, sem controle… Se não fosse a época do politicamente correto que estamos vivendo ouviríamos, com certeza: “futebol é coisa de macho e estes não choram.” E a sinfonia dos corvos, dos abutres gritando: “da Colômbia não passarás….” Mas vamos ao jogo: A seleção canarinha entrou ligada no jogo e fez um primeiro tempo jogando compacto, soberbo. Um primeiro tempo espetacular. O Brasil entrou em campo com duas mudanças em relação ao time que despachou o Chile nas oitavas de final. O volante Luiz Gustavo, suspenso, deu lugar...
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Copa 2014

Que sufoco! Que sorte!

Por Gilberto da Silva Antes do jogo, não sós as demais seleções rivais, como a imprensa internacional e, pasmem, setores da nossa imprensa tupiniquim– que absurdo! – insinuaram que nossa equipe estava sendo ajudada pelos juízes. Que a Copa estava comprada! Mas o que vimos em campo foi um árbitro que apitou para impedir a vitória da seleção brasileira. Copa comprada? Se for assim estamos pagando muito caro. Um pênalti claro em cima do Hulk. Depois um gol legítimo do Hulk anulado pelo juiz inglês. Uma falta do defensor do Chile que tirou a cabeçada do Neymar com a mão. A inversão do juiz em várias faltas, além de não punir severamente os jogadores do Chile que estavam batendo...
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Copa 2014

Vencido o terceiro degrau

Por Gilberto da Silva A Copa não está fácil para ninguém. Até a noite desta segunda, 23, vimos muito time bom indo embora mais cedo para casa. A Inglaterra foi tomar chá da tarde mais cedo do que pensava. No seu lugar, quem diria, a desacreditada e candidata a saco de pancadas, Costa Rica vai para as oitavas. A Espanha furiosamente acabou comendo paella. Do lado de fora, o espírito da Copa já havia dominado as relações, Aqui ou ali uns abutres ainda teimam em oferecer carne podre aos convidados. Há sempre um há, um ui, um gemido, um suspiro…. Mas passado os dias, resolvemos acolher a Seleção e não ficar com sentimento de vira latas. Nem todos os...
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Colunistas

No meio do caminho, uma muralha

Por Gilberto da Silva Desde a estreia contra a Croácia a animação era grande. Os catedráticos decretaram que o jogo mais difícil já tinha ocorrido. Com o México seria barbada! A festa da vitória já estava preparada. Mas o que vimos em campo foi um escrete de mexicanos aguerridos, mas sem pontaria, para a nossa felicidade. Eles tinham uma muralha no gol. Ochoa, o goleiro deles foi considerado o melhor da partida. E com razão! Mas o resto do time mexicano também primou pela marcação forte. Hulk, o ponteiro popozudo, lesionado, deu lugar a Ramires e este não entrou bem, não apareceu, não atacou, não marcou e ainda por cima levou um cartão amarelo. Oscar, o nosso craque da...
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esportes

O primeiro degrau foi vencido

Por Gilberto da Silva O quadro já estava montado. Faltava a pintura final. Nas ruas o clima já estava dado desde a manhã. Bandeiras e buzinas, carros, casas e pessoas prontas para a primeira batalha entre as sete necessárias para o Brasil sagra-se campeão da Copa do Mundo de 2014. Os “baluartes da democracia” vestidos de preto trataram de em várias regiões deixar a sua marca. Em Belo Horizonte, por exemplo, atacaram o único cinema de rua da capital mineira: um patrimônio da cultura, recentemente restaurado. Onde  estão os verdadeiros democratas do pais? Por conta de derrubar uma presidenta vão continuar apoiando essas “manifestações democráticas”? Mas voltemos ao futebol….  A Arena de Itaquera estava linda. Alguns incautos logo detonaram...
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Colunistas

Como ser um authentic Brazilian new right

Por Gilberto da Silva Caro amigo, você numa conversa de botequim desvenda, após minhas muitas suspeitas, que é na verdade um direitista enrustido e coloca-se pronto para sair do armário, dado a condição da conjuntura atual que está lhe recomendando açodamento. Não se fique triste, a vida é feita de ilusões. Meu caro, você indaga a certa altura que já não aguenta mais aturar estes esquerdistas esquizofrênicos que teimam em vermelhar de comunismo nossa santa pátria, nossa calma e gloriosa terra. dado o seu entusiasmo, tive que tomar uma cachaça e encarar a conversa. Mas como sei que você é um cidadão que não retrocede em suas opiniões resolvi emprestar alguns conselhos, já que este é o tipo de mercadoria...
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Água e resíduos sólidos

Por Gilberto da Silva Fundo do tacho O governo do estado de São Paulo vai, literalmente, raspar o fundo do tacho. Para garantir água para a região metropolitana de São Paulo até o inicio de 2016, quando supostamente poderemos ter mais chuvas, o governo vai extrair água do chamado volume morto da Cantareira. Nos dez anos da outorga do Sistema Cantareira, que termina em agosto, a Sabesp deveria ter aumentado sua oferta hídrica para a Região Metropolitana de São Paulo em 25 metros cúbicos de água por segundo. E então???? Jogo da harmonia Com relação ao dilema crescimento/meio ambiente, o mais difícil para os governantes e para a população é conciliar e gerir com práticas sustentáveis. É difícil, mas...
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Colunistas

Ignoratio Elenchi

Por Gilberto da Silva “Saber argumentar foi outrora tido como a suprema arte. Hoje não basta. Temos de adivinhar, sobretudo nas questões que podem nos enganar. Não pode ser entendido aquele que não é bom entendedor. Há videntes do coração e linces das intenções. As verdades mais importantes exprimem sempre por meias palavras; só os atentos as compreendem totalmente. Nos assuntos que parecem favoráveis, puxe as rédeas de credulidade. Nos odiosos, use as esporas”. Baltasar Grácian.   O homem foi logo com a minha cara. Fui o escolhido e com certeza, dentro do perfil necessário. Chegou bem perto e com muita calma perguntou: - É eleitor? - Sim. Respondi secamente. Ou grosseiramente, se assim entender. - Desculpe-me. Sou Antonio...
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esportes

Orgulho que nem todos podem ter

 Por Gilberto da Silva  Chegar aos 102 anos com vigor e repleto de glórias não é para qualquer um Uma história que começou num pequeno anúncio de jornal Do encontro marcado para o dia 14 de abril de 1912, às 20 horas na sede do Grêmio Concórdia, na cidade de Santos, no litoral paulista, surgiu um time que parou uma guerra e fascinou e fascina várias gerações, desde então. Naquela noite foi criado o Santos Foot Ball Club: “Para se tratar de fundação de um clube de futebol, queira V. S. comparecer, no dia 12, às 20 horas, ao salão do Clube Concórdia, à Rua do Rosário, n. 10, Santos, 5 de abril de 1012.” A mensagem foi enviada...
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Um estranho no Metrô

Por Gilberto da Silva Depois de muito tempo resolvi ir ao subúrbio (essa palavra ainda existe? Parece que algumas estão sumidas dos vocabulários). Larguei a comodidade do carro e as dores do trânsito para enfrentar a maratona Metrô/Trem. Primeiro o Metrô, uma, duas, baldeações até a transferência para o trem metropolitano com destino final Itapevi. A primeira surpresa já ocorreu no Metrô. Uma pedinte entra no vagão com uma enorme declaração de pobreza. Desde os tempos em que eu usava estas linhas regularmente, há mais de duas décadas, pensava que este problema já tinha sido corrigido ou sanado coisas tão elementares como fome e falta de medicamentos. A mulher, então, começa o seu rosário, ou ladainha, como preferir. Primeiro...
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Econotas

Sempre a mesma ladainha. Dá para acreditar?

Promessas O governo de Geraldo Alckmin – que alardeia ser um modelo de gestão pública eficiente – já prometeu o fim das inundações no rio Tietê, a despoluição do Rio Pinheiros e a concretização de 100% dos esgotos tratados no estado. Estamos sempre vivos para ver e crer. Em alguns casos como, racionamento de água, é preciso avisar o céu – e combinar com São Pedro. Mas o governador tem que deixar de resolver os problemas no varejo! Perdas A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) não cumpriu suas metas nos últimos anos e desperdiçou mais água durante a distribuição à população do que os 24% que tem divulgado pelos quatro cantos da mídia. Na...
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esportes

Barbosa, a dor e a condenação perpétua

      O ex-goleiro Barbosa, vicecampeão mundial em evento em sua homenagem no CAY, São Paulo     Por Gilberto da Silva   A Copa do Mundo de 1950 foi disputada em um momento conturbado. A Segunda Guerra Mundial mal havia acabado e a Europa estava sendo reconstruída e as nações europeias estavam devastadas e  continuavam preocupadas na recuperação causada pelo conflito. As duas grandes potências, Estados Unidos e a União Soviética, lutavam para expandir seus domínios, criando uma tensão que ficou conhecida nas décadas seguintes como a Guerra Fria. No Brasil, o governo do presidente Eurico Gaspar Dutra chegava ao fim, e novas eleições estavam marcadas para o dia 3 de outubro. O assunto agitava rádio, jornais e até as...
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Sobre dragões e maldades

Gilberto da Silva Vivemos lutando contra dragões e maldades. Nossos dragões são mistos de beleza e crueldade. Assim como a justiça cega, o dragão transforma a alma em brasa. Queima e teima em jogar nossos corpos no barranco da natureza morta. Para o seu combate, nem sempre o desespero é a melhor arma e nem sempre uma arma é a melhor alternativa. Muitas lutas devem e podem ser travadas juntando a impaciência de um centroavante de futebol com a tranquilidade de um mestre budista. Lutar contra dragões apesar de insano pode tornar-se gratificante. Fortalece a alma, reconstitui o espírito. Os fortes se unem, os fracos se desesperam. Lutar contra os fortes produz sensações estranhas, mas é como vitamina a...
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Pousada

Por Gilberto da Silva O mesmo sol que eu tomo é o sol que se põe em tua janela A mesma lua mansinha que me observa lá de cima é a que te abraça todas as noites A mesma tarde em que eu me debruço em teu corpo é a que desaba em teus trejeitos Eu me sustento nestes dias em teus cabelos em teus ombros Você é a heroína desta batalha....
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Amigos por interesse

Por Gilberto da Silva   Tem um tipo de amigo que você conhece pelo toque do celular: ao avistar o nome na chamada você já pensa no pedido que irá chegar. É daquele tipo que só lembra de você para pedir, não só dinheiro ou empréstimo, mas pedir alguma ajuda além do possível, como por, exemplo, vou lançar um livro e quero que você esteja presente e eu autografe um exemplar, comprado por você, é claro! Mas aqui, uma ressalva, tudo pelo bem da cultura. Ele fica meses e até ano sem ligar ou pagar um café na padaria da esquina. Mas ele volta! Volta e pede. Pedir é normal, dar e receber é a característica recíproca de nossa...
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Crônicas

Sonhos de Natal

Por Gilberto da Silva Caminhava alegremente pelas ruas da cidadezinha onde morei, no norte do Paraná, lá pelos idos de 1968. Como um infante sonhava com o Natal que se aproximava. Queria presente, coisa rara e difícil naquele período. Será que ganharia algo bom, sonhava eu… Sonhos numa pobreza de dar dó. A rua quase deserta, como sempre, iluminava minha imaginação. Um sujeito forte, branco, de sorriso largo e dentes grandes agarra meus braços: - Venha cá, moleque! Eu fui. O medo quase provocou um mijo. Afinal, o homem saíra das dependências do Fórum da cidade. Prédio que me provocava pavor.  Sempre escutei falar que era lá que os sujeitos malfeitores da sociedade acabavam presos. Meu Deus, pensei, serei...
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Administração

Prefácio para Madalena Carvalho

Por Gilberto da Silva Se de tudo fica um pouco, mas por que não ficaria um pouco de mim? (Carlos Drummond de Andrade) Enfrentar os desafios de um mundo contemporâneo que vive em constante processo de mudança é uma tarefa árdua, mas extremamente necessária para as organizações. Os novos líderes não podem mais agir de acordo com as lições do passado e sim, centrados no autoconhecimento e nas pequenas mudanças de comportamento, fazer a diferença. Uma diferença que tem que ser realizada em perfeita sintonia com seus colaboradores, com seus parceiros. E numa comunhão, não basta o entusiasmo e a boa vontade. É preciso amor. O mundo organizacional para ser competitivo não precisa ser desprovido de amor ou pautado...
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Cultura

Saberemos ouvir como Momo?

Por Gilberto da Silva O que fazer com o meu tempo livre? Estamos sempre amarrados na desculpa do circulo temporal onde ninguém quer compreender o vazio do outro, o tempo do outro, não fazer nada sempre fazendo alguma coisa. Então, nessa arte de saber o que fazer com o tempo e aproveitando o feriado, depois de muito tempo, literalmente, muito tempo, li Manu – A Menina que sabia ouvir, de Michael Ende (Editora Salamandra, 6ª edição, 1984); existe uma edição pela Martins Fontes,  não sei o ano, com o título Momo e o senhor do tempo; o título original é Momo (1973, Alemanha Ocidental). Michael Ende nasceu em 1929, em Garmisch-Partenkirchen, Alemanha. Estudou na Waldorf-School e desertou quando foi chamado...
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