Fazer uma
crítica a esse esporte morando justamente no país do futebol é quase um
sacrilégio, mas se faz necessário, em nome de uma maior conscientização
do senso comum nacional.
Vejo como
antagônicas as duas palavras do título: futebol/igualdade
social; há uma discrepância muito grande
entre as duas realidades.
Se
analisarmos o salário de
um jogador
titular
de qualquer um dos 20 maiores
clubes de futebol do Brasil (nem vou falar em campeonato Europeu,
japonês ou árabe) ficaremos espantados com os
salários surreais que iremos encontrar. Há jogadores em clubes do eixo-
Rio/São Paulo que chegam a ganhar 1 milhão de reais mês, ao passo que um
balconista, vendedor de loja, ou qualquer outro cargo de trabalhador
comum, recebe o vencimento básico de um salário mínimo, que não passa
atualmente de R$510,00. Se algum dos leitores desse texto tem uma vaga
ideia do que significa a cifra de 1 milhão de reais, vai ter uma noção
melhor do que estou dizendo. Cansei de assistir reportagens onde a mídia
fazia parecer que “pobres” jogadores em processo de transferência de
seus passes, não queriam abandonar os clubes nacionais e a torcida, mas
eram “obrigados” a ir para a Europa em busca de alguns meros milhões de
euros para tentar uma melhor “oportunidade de vida”... Bando de
mercenários! Não sei o que é pior, atletas que abaixo de valores
milionários conseguem apoio de jornalistas para se fazerem de vítima, ou
a parte da torcida que consegue ingenuamente se comover por causa de uma
transação milionária como essa.
Agora a
reflexão: O que um atleta desses faz de tão grandioso para a humanidade?
Maestria com uma bola nos pés? Dar um chapéu no adversário utilizando um
drible envolvente? Caro leitor, se as empresas multinacionais
patrocinadoras desses salários inumanos e surreais, se importassem
realmente com a sociedade (consumidora das marcas que elas vendem),
deveriam tomar vergonha na cara e abraçar alguma causa humanitária
decente, como pesquisa em campos de saúde, tecnologia sustentável ou
educação... Ao invés de investir milhões para ajudar a pagar salários de
meia dúzia de esportistas que nem sabem por onde começar a desperdiçar
suas fortunas (muitas vezes jogada fora em drogas, carros de luxo e
festas nada familiares).
Conheço
vários profissionais bem-intencionados que trabalham a vida inteira numa
coisa útil para a humanidade e não conseguem nem de longe acumular uma
cifra parecida como essa. Professores que passam uma vida inteira
tentando educar e orientar jovens crianças que serão o futuro da nação;
vereadores que sacrificam horas de folga com suas famílias para
fiscalizar contratos e licitações suspeitas (sim, há muitos políticos
honestos e sérios neste país!); cientistas que passam a vida confinados
num laboratório procurando descobrir curas para doenças, ou novos
remédios mais eficientes; bombeiros e policiais que arriscam a vida
quase todos os dias para garantir a segurança de quem não pode pagar;
apenas para citar alguns exemplos.
Com certeza
alguém pergunta se o escritor dessas linhas não assiste futebol, bem, eu
acompanho e torço sim. Adoro assistir um jogo com craques da bola, tenho
um “time de coração” e não perco bons jogos como os de Copa do Mundo, ou
da Liga dos Campões. Não sou contra o futebol, sou sim contra a
indústria milionária e injusta do futebol!
E agora,
essa crônica vai ficar restrita e esse espaço, não vai sair daqui, vai
ficar circulando entre meia dúzia de pensadores? Coloco minha postura
quanto a isso, vou propor uma posição modelo. Decidi não gastar mais um
centavo sequer com futebol, não vou mais comprar camisetas, nem produtos
de clube algum, muito menos comprar ingressos para jogos. Visto que essa
é uma boa fatia da renda dos clubes. Não vou mais compactuar com estes
salários inumanos que ganham atletas que não fazem mais pela humanidade
do que participar de meros jogos dentro de quatro linhas marcadas, que
levam a humanidade do nada a lugar a algum. Deixo aqui uma posição, se
uma boa parcela da população seguisse esse modelo, provavelmente muito
em breve esses salários abusivos e escandalosos diminuiriam a um teto
racional e mais justo.
Por último
uma sugestão para as multinacionais que investem os seus milhões em
causas inúteis: Façam sua publicidade com causas realmente relevantes,
redistribuam essas riquezas em causas nobres, para atingir quem precisa
de verdade.