RESUMO
A
pesquisa constitui-se atividade básica da ciência na construção da
sociedade, é a pesquisa que alimenta a atividade de ensino e a
atualiza frente à realidade do mundo. Portanto, embora seja uma
prática teórica, a pesquisa vincula pensamento e ação. A partir deste
estudo, pretende-se verificar, qual a influência da pesquisa e
produção do conhecimento na formação do acadêmico de Serviço Social,
pois nas últimas duas décadas a pesquisa tornou-se artefato essencial
na prática instrumental do Assistente Social, observando-se um
crescimento na produção científica, ideológica e sócio-histórica no
Serviço Social.
PALAVRAS-CHAVE: Pesquisa, Produção do Conhecimento, acadêmico, Serviço
Social.
ABSTRACT
The research constitutes a basic activity of science in building
society, is the research that fuels the activity of teaching and
updates faced with the reality of the world. Therefore, although a
theoretical, research links thought and action. From this study, we
intend to verify the influence of research and knowledge production in
academic training of the Social Service for the past two decades
research has become essential artifact in the instrumental practice of
the social worker, observing a growth in scientific, ideological and
socio-historical Social Work.
KEYWORDS: Research, Knowledge Production,
Academic, Social Service.
1.
INTRODUÇÃO
Nas
últimas duas décadas a pesquisa tornou-se artefato essencial na prática
instrumental do Assistente Social, observando-se um crescimento na
produção científica do Serviço Social, através das bases ideológicas e
da constituição sócio-histórica da profissão e seus componentes,
revendo-se necessária sua inserção no âmbito acadêmico. Fundamentando-se
nestas considerações, justifica-se a escolha relevante de tratar o tema
“Pesquisa e Produção do Conhecimento no âmbito acadêmico do Serviço
social”.
Logo, a
partir deste estudo, pretende-se verificar, qual a influência da
pesquisa e produção do conhecimento na formação do acadêmico de Serviço
Social. Como questões operacionais para subsidiar o estudo, foram
traçadas as seguintes indagações: A postura investigativa está restrita
apenas ao espaço da Universidade? A pesquisa gera produção de
conhecimento na academia? Como a pesquisa tem influenciado na formação
dos discentes do curso de Serviço Social?
2. PESQUISA, PRODUÇÃO
DO CONHECIMENTO E A RELAÇÃO COM O SERVIÇO SOCIAL
A
pesquisa é a atividade básica da ciência na sua indagação e construção
da realidade. Para Minayo (1994, p.17) “é a pesquisa que alimenta a
atividade de ensino e a atualiza frente à realidade do mundo. Portanto,
embora seja uma prática teórica, a pesquisa vincula pensamento e ação”.
Dessa
forma, compreende-se que ao questionar sobre: o que é pesquisa? Esta
pergunta pode ser respondida de várias formas, pois, o conhecimento e o
conhecer não se realizam somente no vazio intelectual, teórico ou
prático. Assim, ao tratar da produção do conhecimento,
considera-se o conhecimento como expressão do homem no decorrer de sua
história, percebe-se que desde os primórdios da humanidade, ele
construiu uma relação entre os homens e destes com os objetos da
natureza.
O conhecimento foi
desenvolvendo-se à medida que as próprias ações humanas expandiam-se em
decorrência do surgimento e crescimento das necessidades estimuladas
pelas experiências sociais, muitas das quais impostas pelos sistemas de
produção determinantes das relações sociais
de cada época (SETUBAL, 2002, p. 28).
Demo
(2006, p.16) diz que “pesquisa é o processo que deve aparecer em todo
trajeto educativo, como princípio educativo que é à base de
qualquer proposta emancipatória”. Nesse sentido, a produção do
conhecimento é transformada a partir da pesquisa, pois o estudante que
participa do processo de produção do conhecimento (isto é, da pesquisa
científica) enriquece sua formação acadêmica, seja pelo exercício da
metodologia de investigação científica seja pelos novos conhecimentos
adquiridos.
Além
disso, a iniciação científica através da pesquisa é um processo dinâmico
que permite ampliar a visão pessoal e profissional, sendo fundamental no
exercício do conhecimento. Pois, participar ativamente da produção do
conhecimento é hoje uma necessidade para o desenvolvimento social,
político e econômico. Logo, uma Universidade que se comprometa com a
produção do conhecimento, através da Prática da Pesquisa, poderá
desenvolver, com êxito, sua tarefa
pedagógica de ensino e sua tarefa
social. Tornando-se centro essencial de transformação
na sociedade, contribuindo para a construção de uma sociedade mais
democrática, para a instauração de uma nova consciência social e para a
construção da cidadania.
O
vínculo entre Pesquisa, Produção do conhecimento e a relação com o
Serviço Social sustenta particularidades e ações vivenciadas pelos
Assistentes Sociais no processo sócio-histórico da profissão. Gerando,
por sua vez, a capacidade de interlocução entre pesquisadores provindos
do Serviço Social com aqueles ligados a outros saberes. Ampliou-se a
inserção interdisciplinar e a construção do conhecimento científico
dentro de uma perspectiva e análise do real.
Nesse
sentido, o Serviço Social como profissão sócio-histórica, tem em sua
essência, a pesquisa como meio de construção de um conhecimento
comprometido com as demandas específicas da profissão e com as
possibilidades de seu enfrentamento. A pesquisa é fundamental para
compreender o processo de produção de conhecimento, como elemento
transformador da realidade social, pois, o Serviço Social assume a
pesquisa e produção do conhecimento para analisar os aspectos
teórico-metodológico, técnico-operativo e ético-político da profissão.
Estabelecendo uma atitude investigativa realizada na academia e no
exercício profissional, que em sua trajetória histórica construiu um
legado teórico, através do diálogo crítico com outras áreas do
conhecimento.
Para
Setubal (2002) “o Serviço Social ao tomar a pesquisa de forma
instrumental, cada vez mais reafirma sua forma de aparecer na
mentalidade pragmática tão bem representada pela sua especificidade de
profissão de intervenção, e pelo esforço em atingir resultados
imediatos”. Mesmo em detrimento da qualidade do conhecimento produzido,
pois o Serviço Social reproduz-se como um trabalho especializado na
sociedade por ser socialmente necessário, tendo um valor de uso, uma
utilidade social.
3.
PESQUISA E REFORMA CURRICULAR NO CURSO DE SERVIÇO SOCIAL
A
pesquisa e a reforma curricular inserem-se no processo de formação
profissional do Assistente Social como uma exigência na superação do
pragmatismo que marcou sua história na prática profissional, e que ainda
se faz presente na contemporaneidade. Foi na década de 80, mais
precisamente em 1982, que foi aprovado um novo currículo para o curso de
Serviço Social no Brasil, produto de várias discussões norteadas por uma
concepção de formação profissional, que preza como elemento fundamental
o compromisso dos Assistentes Sociais com a classe subalterna.
Até
então a pesquisa não constava no elenco das matérias obrigatórias, por
estar implícito no espírito integrador ensino-pesquisa da reforma
universitária. No início em 1977, as unidades de ensino e a Associação
Brasileira de Ensino em Serviço Social (ABESS, hoje Associação
Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social - ABEPSS) iniciam
discussões sobre a reformulação do terceiro currículo mínimo, voltando a
identificar a pesquisa como instrumento fundamental para uma sólida
formação científica dos docentes e dos Assistentes Sociais na sua
prática profissional. Dessas reflexões sobre a formação profissional
resultou o quarto currículo, que foi aprovado por meio do Parecer nº
412/82, do Conselho Federal de Educação (BRASIL, 1982)
.
Fatores
históricos compelem o currículo, no interior de um projeto educacional
mais amplo, o currículo é na verdade, um espaço para pensar e reinventar
a realidade – o que pode ser feito de vários modos ao ritmo do movimento
dessa mesma realidade.
O currículo não pode ser,
portanto um mero elenco de temáticas ou a justaposição de conteúdos
programáticos. A busca de uma unidade político-pedagógica deve presidir
a sua formulação, implantação, desenvolvimento e avaliação, sob pena de
se enveredar para um ecletismo amorfo e “novidadeiro”, com lamentáveis
prejuízos para a formação profissional (ABESS Nº 6, 1998, p.149).
O
Currículo Mínimo é entendido como um conjunto de diretrizes que
estabelecem uma base comum, no plano nacional, para os cursos de
graduação em Serviço Social, a partir da qual cada Instituição de Ensino
Superior (IES) elabora seu Currículo Pleno. Aquela base
está pautada por um projeto de formação profissional, coletivamente
construído, ao longo dos anos 80 e 90, sob a coordenação da ABESS. O
Currículo Mínimo tem uma função prescritiva, devendo assegurar os
princípios e marco essencial de um projeto de formação e possibilitar
adequações locais.
Hoje
existe um projeto profissional, que aglutina segmentos significativos
discutidos coletivamente nas duas últimas décadas, suas diretrizes
desdobraram-se no Código de Ética Profissional, na Lei Orgânica do
Assistente Social (LOAS) que regulamenta a Profissão (Lei 8662/93) e na
nova proposta de diretrizes gerais para o curso de Serviço Social. Por
outro lado o curso de graduação em Serviço Social tem uma história
bastante expressiva, coletiva e nacionalmente, constituída a partir da
articulação das escolas de Serviço Social, por intermédio da Associação
Brasileira de Ensino em Serviço Social - ABESS, quando tais cursos eram
poucos e isolados em faculdades ou escolas que não pertenciam ao sistema
universitário brasileiro.
4. A
Pesquisa nos cursos de pós-graduação em Serviço Social
A
pós-graduação em Serviço Social no Brasil constitui uma das iniciativas
mais relevantes da política de educação, sendo protagonista na
consolidação do pensamento político moderno, laico e democrático.
Todavia, o processo que permitiu a articulação entre a
institucionalização da profissão e o desenvolvimento da pesquisa e da
pós-graduação foi fomentado pelas necessidades prático-operativas e pela
sistematização da intervenção; seja ela técnica, política ou
institucional.
É
interessante lembrar, que implantar a pós-graduação no curso de Serviço
Social significou, a convalidação nos órgãos oficiais de campo do
Serviço Social como área de estudo e pesquisa. Os programas de
pós-graduação em Serviço Social têm por finalidade dar aos Professores
Universitários, e aos profissionais ligados as instituições de prestação
de serviços, uma formação viabilizadora da transmissão e da produção do
conhecimento científico.
Segundo
Iamamoto (2008, p.89) Os programas de pós-graduação são submetidos à
avaliação periódica da CAPES/MEC, considerando-se os seguintes
critérios: proposta do programa, corpo docente, atividades de pesquisa,
atividades de formação, corpo discente, teses e dissertações, produção
intelectual e inserção social. Atualmente, iniciam-se diferentes eixos
de intervenção no campo social na sociedade capitalista contemporânea,
que abordam no debate profissional, linhas de pesquisa na pós-graduação
voltadas para eixos temáticos como: desemprego, trabalho infantil,
gênero e etnia, drogas, habitação, violência, idosos, AIDS, violência
doméstica etc.
Logo,
surgem diversos trabalhos de pós-graduação nessas linhas, que serão
dignos de uma investigação mais ampla e sistemática, a fim de se
verificar a contemplação dos seus resultados. Para Carvalho e Silva
(2005, p.32) “abordar a expansão da pós-graduação em Serviço Social na
atualidade, nos atuais cenários e tendências das transformações
societárias do mundo contemporâneo, nos coloca diante de uma extensa,
nova e inquietante agenda de questões”.
Neste
aparato de mudanças, a pós-graduação, vem passando por significativas
alterações. Ainda segundo Carvalho e Silva (2005) a CAPES, agência que é
responsável pelo sistema nacional de pós-graduação em todo o Brasil,
considera que a pós-graduação é o componente mais bem-sucedido do
sistema educacional brasileiro.
CONSIDERAÇÕES FÍNAIS
A
importância decisiva da pesquisa, na formação profissional do Assistente
Social reporta para a necessidade de repensar estrategicamente os modos
de ensinar, como geradores de processos educativos interdisciplinares,
que assegurem o envolvimento com a pesquisa, e para a pesquisa na
graduação em Serviço Social. Ao consagrar a pesquisa e produção do
conhecimento como elemento fundamental no teor acadêmico e profissional
do Assistente Social, considera-se que sua ação teórica e prática
desenvolvem-se a partir da conjuntura investigativa, pautados pelo
processo interventivo da profissão.
Logo,
faz-se necessário compreender que a prática investigativa na graduação e
pós-graduação, através da pesquisa em Serviço Social, tem contribuído
para avanços significativos no enfrentamento das expressões da questão
social, em diferentes momentos históricos. Já na construção da proposta
curricular definem os fundamentos teóricos e metodológicos da profissão,
consolidados pelo projeto ético-político profissional. Nessa
perspectiva, é preciso despertar ainda nos graduandos a certeza de que
uma das bases para garantir a ação profissional qualitativa é a
utilização da Pesquisa, isto é, o processo investigativo. Pois, na
atividade de trabalho, no mundo da informatização, na alta tecnologia e
na valorização da velocidade é um desafio justificar ao graduando que,
para pesquisar, é necessário tempo para ler, observar, escrever,
dialogar, errar, acertar, descobrindo-se que o ciclo da produção
do conhecimento nunca se fecha.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Ø
ABESS/CEDEPSS. São Paulo: Cortez, v.1, nº6, fevereiro 1998. 196p.
Ø
CARVALHO, Denise Bomtempo Birche de, SILVA; Maria Ozanira da
Silva (orgs). Pós-graduação e produção de conhecimento no Brasil
– São Paulo: Cortez, 2005.
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12ª ed. São Paulo: Cortez, 2006.
Ø
IAMAMOTO, Marilda Villela. Serviço Social em Tempo de Capital
Fetiche: capital financeiro, trabalho e questão social. 3ª ed. São
Paulo: Cortez, 2008.
Ø
MINAYO, Maria Cecília
de Souza (ORG.). Pesquisa
social:
teoria, método e criatividade. 23. Ed. Petrópolis: Vozes, 1994. 80p.
Ø
SETUBAL, Aglair Alencar. Pesquisa no Serviço Social: Utopia e
realidade, 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2002.
Bacharel em Serviço Social (UNIT-SE), aluna especial do Mestrado em
Educação da Universidade Federal de Sergipe (UFS), pós-graduada em
Gestão de Recursos Humanos e em Didática e Metodologia do Ensino
Superior (Faculdade São Luis de França - SE).
Ver citação em: Ensaio/ Pesquisa e
produção de conhecimento no campo do Serviço Social, Aldaíza
Sposati, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP).
Site: http://www.scielo.br/pdf/rk/v10nspe/a0710spe.pdf
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