| Cinema |
Os
cafajestes
por Gilberto da Silva |
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Os Cafajestes é um clássico do chamado Cinema Novo e
foi lançado em 1962. O filme dirigido por Ruy Guerra foi marcado
pelo impacto do seu tema, considerado ambicioso para a época: a
devassidão de dois marginais cariocas. Numa época que a censura
falava alto, Ruy Guerra teve seu filme mutilado. Glauber Rocha
assim definiu o filme do diretor moçambicano radicado no Brasil:
"Os Cafajestes possuía certa transcedência: densidade
existencial, clima de determinado universo fechado numa
mise-en-scène agressivamente pessoal, apesar de todas as
influências facilmente identificáveis, principalmente de Resnais
e Antonioni...é histórico: a formalização...não resistindo à
evolução do cineasta em busca da unificação cultural
logicamente estilísítica. Insolente, corajoso, anárquico e
talvez moralizante. Um cinema em bossa nova".
Os Cafajestes foi o filme de estréia de Ruy Guerra, que ficou
famoso depois filmando, entre outros, Os Fuzis (que foi premiado
no Festival de Berlin), Erêndira e A Ópera do Malandro.
O filme procura realizar uma crônica dos costumes da alta
burguesia carioca, numa linguagem descontraída, explorando a
sordidez do submundo do vício, do cotidiano de Copacabana. Foi um
filme repudiado tanto pelo governo, como pela Igreja. Era tratado
como uma mercadoria pornográfica.
Foi muito mutilado pelo seu produtor, Jece Valadão, que as
executou sem autorização de Ruy Guerra.
Dois
cafajeste, um pobre e outro rico. Jece Valadão ( que trabalho em
mais de 50 filmes e produziu mais de 10) interpreta Jandir, o
vigarista pobre, sujeito a todo tipo de frustração. Daniel
Filho( sim, ele o conhecido diretor global), interpreta Vavá,
filhinho de papai, que não se conforma em ficar sem dinheiro.
Vavá arma uma grande chantagem e a vítima será seu tio, que é
o maior depositante do banco de seu pai. A vítima a princípio
seria a amante Leda (Norma Bengel), mas alertada por ela de que
poderia tirar fotos nua que o tio de Vavá não ligaria, partem
para cima de Vilma (Lucy de Carvalho), filha do milionário.
É nas praias de Cabo Frio, no entardecer, que o cenário da
patifaria se arma.
Norma
Bengell (ao lado), saída do teatro de revista,
protagonizou o primeiro nu frontal do cinema brasileiro. A cena de
quase quatro minutos em que a atriz fica nua pela areias e brinca
com as ondas do mar causou polêmica. Norma fez depois mais de 70
filmes e dirigiu outros tantos. Sua atuação marcou época e
presença na luta contra a discriminação da mulher.
Os Cafajestes pode hoje parecer ultrapassado, mas foi um filme que
ajudou a mostrar que o cinema brasileiro tinha e tem qualidades.
Era bem feito, um produto bem acabado e um cinema verdadeiramente
brasileiro.
Ainda hoje vale a pena dar uma corridinha na locadora e conferir
porque até hoje é um filme inesquecível.
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Glauce Rocha teve uma participação especial
no filme. |
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Os Cafajestes
FICHA TÉCNICA
Direção: Ruy
Guerra
Roteiro: Ruy
Guerra e Miguel Torres
Assistente de direção: Sergio
Sanz e Ivan de Souza
Câmera: Tony Rabatoni
Assistente de câmera: Jorge
Vras e Francisco Torturra
Diretor de fotografia: Tony
Rabatoni
Montagem: Nello
Melli e Zelia Feijó
Continuidade: Celso
Luiz Amorim
Engenheiro de som: Jose
Tavares
Eletricista chefe: Rizzo
Letreiros: Ziraldo
Maquiagem: Germaine
Monteil
Serviços fotográficos: Image
Laboratório: Líder
Cinematográfica - Rio
Música: Luis Bonfá
Instrumentistas: Hélcio
(tomba), Bebeto (baixo), Jorginho
(sax), Rosana Toledo (voz)
Diretor de produção Gerson
Tavares e João Elias
Gerente de produção: Alexandrino
Franca
Produtor executivo: Jece
Valadão para Magnus Fumes
Distribuição: Fa
mafilmes
Brasil, 1962 - 100 minutos - Preto e Branco
ELENCO
Jece Valadão (Jandir), Norma Bengell (Leda), Daniel Filho (Vavá),
Lucy de Carvalho (Vilma), Hugo Carvana, Germana de Lamare, Fátima
Somer, Aline e Marina Ferraz
Participação especial: Glauce Rocha |
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