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Cultura |
Ano I - Nº8 - novembro de 2000 |
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Cinema 'O Auto da Compadecida' Maria "Meu filho, perdoe esta alma,
Uma mudança
que, no entanto, não prejudicou a qualidade do texto e a agilidade das
cenas que alegraram milhões de expectadores da TV Globo. "O Auto
da Compadecida", que foi apresentado na televisão numa versão de
quatro dias, teve a felicidade de reunir grandes nomes, começando pelo
autor do texto Ariano Suassuna, passando pelo diretor e um dos
roteiristas, Guel Arraes, até o elenco misturando nomes experientes como
o de Fernanda Montenegro, Marco Nanini, Lima Duarte, Paulo Goulart, com
atores jovens e talentosos como Matheus Nachtergaele, Selton Mello, Denise
Fraga, Bruno Garcia e Virgínia Cavendish. O resultado de
uma equipe fantástica é um trabalho de ótimo nível que teve enorme
repercussão tanto com o público, como com a crítica. Quando o
diretor Guel Arraes decidiu filmar em 35mm já passava por sua cabeça
fazer um filme com o material, tanto que mesmo antes da série entrar no
ar ele já tinha feito uma outra montagem para o cinema. Para Guel, o
sucesso do Auto deve-se à perfeita afinação do elenco, principalmente
da dupla de personagens João Grillo (Matheus Nachtergaele) e Chicó (Selton
Mello). O diretor e sua equipe viajaram pelo sertão para fazer uma
pesquisa e levar às telas a realidade nordestina o mais fiel possível,
com seus personagens característicos. A história
romântica, tanto na série quanto na fita, foi acrescentada ao texto
inicial de Suassuna, com inspiração em Moliére. Rosinha (vivida por
Virgínia Cavendish) entrou na trama para dar um caráter mais romântico
ao personagem Chicó, que no texto original é somente o frouxo
companheiro de João Grillo. A empatia do público
com estes dois personagens é imediata. O jeito malandro e cativante de João
Grillo funciona com perfeição ao lado do comportamento frouxo e
inventivo de Chicó. Quando a
ambientação do filme passa para o céu (com a morte de alguns dos
principais personagens) o público é presenteado com outras atuações
brilhantes, como a de Fernanda Montenegro, que apesar de aparecer pouco,
marca a sua presença em cena como a "Compadecida". Mesmo nos
momentos mais dramáticos, como na morte de João Grillo, o filme não
perde o ritmo. Guel confessa que ao gravar este trecho ficou com um pouco de
medo de que ele destoasse dos demais, o resultado, no entanto, mostra que
o temor era injustificado. |
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