Como nasce uma nova crônica? Muitas vezes,
é necessária apenas uma conversa casual com um colega de
serviço, durante uma breve subida de elevador. Claro que isso
dependeria primeiramente do tipo de assunto discutido, pois
teria que ser algo interessante. Outro fator determinante é o de
que ao menos um dos presentes precisará ser algum tipo de
aprendiz de escritor, ou coisa parecida (Guima: valeu pela idéia
e pelo papo).
Essas conversas tendem a ser rápidas, e
para virarem um texto têm que ter em seu conteúdo frases mais
profundas do que os costumeiros: “bom dia”, “será que chove
hoje?”, ou “o sexto-andar para mim, por favor”. Nestes encontros
pode-se falar de qualquer assunto (geralmente corriqueiro), como
por exemplo: os jogos de futebol, as musas que encantam nossos
olhos, as mudanças de estação, quedas em geral (de cabelos, de
aviões, de crianças, etc), ou diálogos feitos por ministros de
grandes estatais de petróleo, quando estes resolvem tecer
comentários “informais”, falando sobre possíveis descobertas de
gigantescas jazidas do chamado “ouro negro” em território
nacional, enaltecendo que tal fato tornaria seu país um dos
primeiros produtores de petróleo do mundo.
Podemos imaginar que não faltarão aqueles
que perceberiam comentários liberados desta forma, sobre
descobertas de mega-jazidas, como não sendo informações
inocentes e sem propósito, frutos de uma exacerbada empolgação
pela possibilidade de ter sido encontrado algo que traria
benefícios a toda nação, gerando divisas, movimentando a
economia, etc. Mas quem poderá garantir que eles estão errados
em suas suspeitas?
Se levarmos em conta a teoria da
conspiração, inerente a todo ser humano que sobe em elevadores
ou não, e que resolve não falar de futebol ou de belas musas,
mas sim de comentários sobre descobertas mirabolantes, as idéias
começam a voar mais longe do que padres atados a balões,
atravessando as paredes dessas gaiolas de aço, presas por cabos
cheios de graxa, passando a criar suposições fantásticas, onde
tais atitudes poderiam ter um cunho mais financeiro do que
patriota, já que o resultado imediato de pronunciamentos assim,
seria a valorização de determinadas ações no mercado financeiro.
A imaginação é realmente algo incrível,
pois consegue transformar lampejos que viajam por conexões
neurais em cenários hipotéticos, onde homens engravatados e
cheios de dinheiro reúnem-se para beber uísque importado, falar
sobre futebol e musas inspiradoras, mas também aproveitam o
encontro para planejar formas de manipular positivamente o preço
de suas ações. Tudo feito com muita discrição, sorrisos e
tapinhas nas costas.
Enfim, o que são meras suposições
passageiras baseadas em vagas teorias, senão apenas fictícios
universos paralelos, distantes deste nosso incrível e belo mundo
perfeito, cujo máximo de realidade advindo destas elucubrações,
não passa de um punhado de frases soltas em um pedaço de log ou
de papel, moldadas pelas mãos de um pretenso escritor, que não
bebe uísque, mas anda de elevador.