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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 14 de junho de 2008 00:56:07                                               

 
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COLUNISTAS

Usando os dedos para falar da língua (parte I)

   

Antonio Brás Constante

publicado em 14/06/2008

 

 

A maioria dos seres vivos que conseguimos ver possui uma língua. Talvez você me pergunte: “E eu com isso?”. Bom, você eu não sei, mas eu vou falar deste instrumento bucal, que faz parte da anatomia de mamíferos, aves, répteis etc, bem como em animais de outros planos de existência, de outras galáxias e até de outras eras.

 

A língua é um utensílio básico que está na boca do povo. Pode ser encontrada tanto em minúsculas moscas como em gigantescas baleias. Ela é de certa forma tão importante, que se comparada a outras partes do corpo, acaba marcando sua presença de forma mais constante. Por exemplo, as aves não têm braços, mas têm língua. Os golfinhos não têm pernas (nem braços), mas têm língua. Alguns tipos de animais podem ser até cegos, mas a língua está lá para ajudá-los em suas vidas (digo “ajuda-los” porque com certeza ela não está atrapalhando).

 

A língua está presente também na culinária. Quem de nós, seres humanos, já não passou ou ainda vai passar pela seguinte situação: você chega ao bufê e vai se servindo das várias especiarias ali oferecidas, e eis que encontra uma travessa com aquela carne diferente, encoberta em um molho delicioso. Resolve pegar um pedaço, mesmo sem saber que tipo de carne é aquela. Ao cortá-la percebe o quanto ela é macia e tenra. Prova uma primeira garfada sentindo o seu sabor... Hummm... Uma delicia. Resolve repetir, pois aquela iguaria está maravilhosa.

 

Após se entupir de tanto comer, você fatalmente acabará fazendo duas perguntas ao garçom. A primeira, por curiosidade, é que tipo de carne era aquela que você comeu. O garçom, abrindo um sorriso quase imperceptível, num misto de sadismo e crueldade, lhe informará: - Era língua.

 

A partir deste momento tudo a sua volta começa a girar, a saliva inunda sua boca, sua pele fica fria e pegajosa, você empalidece e pensamentos sombrios tomam conta de sua mente. Então aquilo era língua? O estômago embrulha, os olhos embaçam e um gosto ruim alastra-se pelos seus sentidos gustativos. Sua própria língua se revolta contra você. Uma sensação de repulsa invade cada célula de seu corpo e você faz a segunda pergunta, quase engasgando com o excesso de saliva na boca: - Onde é o banheiro?

 

É importante lembrar que a língua desempenha um fator importantíssimo no que diz respeito ao amor e o sexo. É através do beijo que tudo começa. No roçar das línguas os corpos estremecem e o relacionamento esquenta.  As línguas invadindo a boca dos amantes, se tocando em uma espécie de dança exótica, se excitando, despertando a libido do prazer.

 

Eu agora iria dedicar algumas páginas para descrever todas as delícias provocadas pela boa e estimulante língua, porém, como percebo que muitos leitores ainda não se recuperaram inteiramente da lembrança da língua com molho (alguns até ficaram meio verdes e com aparência enjoada), o melhor é encerrar o texto por aqui. Falaremos da língua como instrumento sexual numa próxima vez e não esqueçam, a partir de agora, antes de comer alguma coisa, perguntem primeiro o que é. (Fim da parte I)

 
 
  

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::sobre o autor::

Antonio Brás Constante é  natural de Porto Alegre. Residente em Canoas RS. Bancário. Bacharel em Ciência da Computação. Membro da ACE (Associação Canoense de Escritores).
 

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