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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 23 de junho de 2008 19:51:08                                               

 
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COLUNISTAS

Usando os dedos para falar da língua (parte II)

   

Antonio Brás Constante

publicado em 23/06/2008

 

A língua é um assunto que não me sai da cabeça (ou melhor, da boca). Alias, às vezes ela até sai, mas nos momentos em que a pessoa para quem ela está sendo dirigida não está olhando. Eu, ao dizer, escrever, ou fazer isto, lembro que a língua é o símbolo do desagravo, do deboche.

 

Quando se exibe a língua para alguém é porque nada mais pode ser dito. Não há palavras que descrevam o que significa mostrá-la, salvo quando se vai ao médico, que aí vale a famosa frase: “Diga aaaaa...”, geralmente seguida de um palito de picolé (sem o picolé) que é enfiado na sua goela, dando-lhe aquela inevitável ânsia de vômito. Não resista a esta vontade, pois enquanto você não passar mal, o médico não vai retirar o palito da sua boca, ao contrário, ele var enfiar ainda mais fundo na sua garganta.

 

A língua já foi utilizada como o símbolo da sabedoria despojada, na figura de Eisten. Que com irreverência e simplicidade mostrou sua baita língua ao mundo e todos amaram e registraram a cena que entrou para nossa história. Mesmo no mundo das estrelas da música a língua marca presença. O que seria de Mick Jaeger, por exemplo, sem sua língua exposta. Mostrá-la é sua marca registrada.

 

Na higiene de alguns animais o papel da língua é fundamental. Os cachorros limpam-se usando a língua. Também os gatos tomam verdadeiros banhos de língua, daí a expressão: “banho de gato”. Pois, os felinos limpam cada pedacinho de seus corpos com ela. Cada pedacinho mesmo (nojentos!).

 

Agora o momento tão esperado e prometido, nós vamos discutir a língua no sexo. Todas as pessoas usam suas línguas neste momento, nunca ouvi falar de nenhum caso em que as pessoas extraíssem suas línguas para fazer amor. Se ela fosse algo como uma dentadura, até poderia. Mas acredito que a imagem de uma língua em um copo com água, ao lado da cama dos amantes, não seria uma imagem muito agradável de se ver.

 

Poderíamos passar várias horas discutindo sobre o sexo e a língua, mas a censura me impede de ir mais a fundo neste assunto. Mesmo a expressão “mais a fundo”, só foi possível de ser colocada no texto, após uma vasta discussão sobre seu duplo sentido.

 

Quando falo de censura, estou me referindo as minhas três tias beatas de Tucuruí. Responsáveis pela correção gramatical e pela manutenção de um bom nível escrito nos textos. Sem palavrões ou qualquer frase que macule seus olhos virgens de obscenidades.

 

Por isto, só posso me referir a língua como instrumento de alimentação. Utilizada quando se deseja lamber um gostoso picolé, saborosamente cremoso, derretendo dentro do calor de nossa boca. Ou chupar deliciosamente o suco doce do gomo de uma bergamota, que escorre pelo rosto, refrescando a pele por onde passa. Ou a mordida suave e deliciosa em um morango maduro e suculento, umedecendo e lambuzando nossos lábios. Desfrutar destas delicias pode nos proporcionar prazeres indeléveis, que só podem ser sentidos e saboreados pelo toque de nossas línguas ásperas e macias.

 

Para finalizar fica o meu conselho, usem suas línguas com sabedoria e o mundo será... Será... Como posso dizer... Será... Puxa vida, a frase está na ponta da língua...

 
 
  

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::sobre o autor::

Antonio Brás Constante é  natural de Porto Alegre. Residente em Canoas RS. Bancário. Bacharel em Ciência da Computação. Membro da ACE (Associação Canoense de Escritores).
 

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