A
língua é um assunto que não me sai da cabeça (ou
melhor, da boca). Alias, às vezes ela até sai, mas
nos momentos em que a pessoa para quem ela está
sendo dirigida não está olhando. Eu, ao dizer,
escrever, ou fazer isto, lembro que a língua é o
símbolo do desagravo, do deboche.
Quando se exibe a língua para alguém é porque nada
mais pode ser dito. Não há palavras que descrevam o
que significa mostrá-la, salvo quando se vai ao
médico, que aí vale a famosa frase: “Diga aaaaa...”,
geralmente seguida de um palito de picolé (sem o
picolé) que é enfiado na sua goela, dando-lhe aquela
inevitável ânsia de vômito. Não resista a esta
vontade, pois enquanto você não passar mal, o médico
não vai retirar o palito da sua boca, ao contrário,
ele var enfiar ainda mais fundo na sua garganta.
A
língua já foi utilizada como o símbolo da sabedoria
despojada, na figura de Eisten. Que com irreverência
e simplicidade mostrou sua baita língua ao mundo e
todos amaram e registraram a cena que entrou para
nossa história. Mesmo no mundo das estrelas da
música a língua marca presença. O que seria de Mick
Jaeger, por exemplo, sem sua língua exposta.
Mostrá-la é sua marca registrada.
Na
higiene de alguns animais o papel da língua é
fundamental. Os cachorros limpam-se usando a língua.
Também os gatos tomam verdadeiros banhos de língua,
daí a expressão: “banho de gato”. Pois, os felinos
limpam cada pedacinho de seus corpos com ela. Cada
pedacinho mesmo (nojentos!).
Agora o momento tão esperado e prometido, nós vamos
discutir a língua no sexo. Todas as pessoas usam
suas línguas neste momento, nunca ouvi falar de
nenhum caso em que as pessoas extraíssem suas
línguas para fazer amor. Se ela fosse algo como uma
dentadura, até poderia. Mas acredito que a imagem de
uma língua em um copo com água, ao lado da cama dos
amantes, não seria uma imagem muito agradável de se
ver.
Poderíamos passar várias horas discutindo sobre o
sexo e a língua, mas a censura me impede de ir mais
a fundo neste assunto. Mesmo a expressão “mais a
fundo”, só foi possível de ser colocada no texto,
após uma vasta discussão sobre seu duplo sentido.
Quando falo de censura, estou me referindo as minhas
três tias beatas de Tucuruí. Responsáveis pela
correção gramatical e pela manutenção de um bom
nível escrito nos textos. Sem palavrões ou qualquer
frase que macule seus olhos virgens de obscenidades.
Por
isto, só posso me referir a língua como instrumento
de alimentação. Utilizada quando se deseja lamber um
gostoso picolé, saborosamente cremoso, derretendo
dentro do calor de nossa boca. Ou chupar
deliciosamente o suco doce do gomo de uma bergamota,
que escorre pelo rosto, refrescando a pele por onde
passa. Ou a mordida suave e deliciosa em um morango
maduro e suculento, umedecendo e lambuzando nossos
lábios. Desfrutar destas delicias pode nos
proporcionar prazeres indeléveis, que só podem ser
sentidos e saboreados pelo toque de nossas línguas
ásperas e macias.
Para
finalizar fica o meu conselho, usem suas línguas com
sabedoria e o mundo será... Será... Como posso
dizer... Será... Puxa vida, a frase está na ponta da
língua...