- Pai? Paiê? Vamos
brincar de lutinha?
- lutinha?
- É Pai, de lutinha,
como na TV. Vem, Vem! – Eu vou te jogar um raio,
que nem o Pikachu faz. – Tchu! Tchu! Tchu!
- Isso é um raio
filho?
- É pai, por quê?
- Não, nada. Só não
sabia que o raio era cuspido no adversário.
- Vai pai, atira um
raio tu também.
- Ok. Deixa
ver...Vou lançar o raio do gordo desajeitado. -
Kirraaaaaaa!
- Não pai. Não
existe raio assim. Tem que ser um que nem no
YU-GI-HO.
O pai lembra então dos
desenhos de sua infância, que eram mais simples
e com nomes mais fáceis de se pronunciar e de
escrever. Agora para a nova geração, as
histórias eram mais complexas (bem mais
complexas), onde a trama era um tipo de jogo,
disputado com cartas, como num jogo de baralho,
porém totalmente diferente.
A energia do filho é
incrível. O pai pensa em utilizar alguma
estratégia para convencê-lo a dormir. Quem sabe
se argumentar que a cama é uma nave ou uma
caverna, poderia conseguir uma chance de fazê-lo
deitar e quem sabe até pegar no sono.
- Agora eu me
transformei no terrível monstro de pedra, filho.
Vou capturar você e prendê-lo no presídio-cama,
trancando-o com o cobertor paralisante.
- Escapei pai. Vem,
vamos continuar brincando.
Não adiantou, antes era
mais fácil. Aos dois anos era relativamente
simples levá-lo para dormir. Aos três começou a
ficar complicado. Agora aos quatro, a tarefa era
quase impossível.
Os dois correm pela sala,
um berrando de alegria e o outro bufando de
cansaço. Alguém buzina na frente da casa, era o
entregador de pizza. “Estou salvo”, pensa o pai.
Bendita a hora que encomendei uma pizza grande
para o jantar..
O dia termina. Para a
criança a tristeza do fim da brincadeira. Para
seu pai, a dor nos pés e nas costas. O stress do
dia finalmente derruba o guerreiro. Agora enfim
o repouso merecido. Ele fecha os olhos e então
escuta uma voz infantil lhe sussurrando:
- Faz pra mim um
mamazinho, papai?