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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 04 de agosto de 2008 21:55:17                                               

 
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COLUNISTAS

Brincadeira de criança (homenagem ao dia dos pais)

   

Antonio Brás Constante

publicado em 04/08/2008

 

 

 

-         Pai? Paiê? Vamos brincar de lutinha?

 

-         lutinha?

 

-         É Pai, de lutinha, como na TV. Vem, Vem! – Eu vou te jogar um raio, que nem o Pikachu faz. – Tchu! Tchu! Tchu!

 

-          Isso é um raio filho?

 

-         É pai, por quê?

 

-         Não, nada. Só não sabia que o raio era cuspido no adversário.

 

-         Vai pai, atira um raio tu também.

 

-         Ok. Deixa ver...Vou lançar o raio do gordo desajeitado. - Kirraaaaaaa!

 

-         Não pai. Não existe raio assim. Tem que ser um que nem no YU-GI-HO.

 

O pai lembra então dos desenhos de sua infância, que eram mais simples e com nomes mais fáceis de se pronunciar e de escrever. Agora para a nova geração, as histórias eram mais complexas (bem mais complexas), onde a trama era um tipo de jogo, disputado com cartas, como num jogo de baralho, porém totalmente diferente.

 

A energia do filho é incrível. O pai pensa em utilizar alguma estratégia para convencê-lo a dormir. Quem sabe se argumentar que a cama é uma nave ou uma caverna, poderia conseguir uma chance de fazê-lo deitar e quem sabe até pegar no sono.

 

-         Agora eu me transformei no terrível monstro de pedra, filho. Vou capturar você e prendê-lo no presídio-cama, trancando-o com o cobertor paralisante.

 

-         Escapei pai. Vem, vamos continuar brincando.

 

Não adiantou, antes era mais fácil. Aos dois anos era relativamente simples levá-lo para dormir. Aos três começou a ficar complicado. Agora aos quatro, a tarefa era quase impossível.

 

Os dois correm pela sala, um berrando de alegria e o outro bufando de cansaço. Alguém buzina na frente da casa, era o entregador de pizza. “Estou salvo”, pensa o pai. Bendita a hora que encomendei uma pizza grande para o jantar..

 

O dia termina. Para a criança a tristeza do fim da brincadeira. Para seu pai, a dor nos pés e nas costas. O stress do dia finalmente derruba o guerreiro. Agora enfim o repouso merecido. Ele fecha os olhos e então escuta uma voz infantil lhe sussurrando:

 

-         Faz pra mim um mamazinho, papai?

 

 

 
 
  

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::sobre o autor::

Antonio Brás Constante é  natural de Porto Alegre. Residente em Canoas RS. Bancário. Bacharel em Ciência da Computação. Membro da ACE (Associação Canoense de Escritores).
 

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