O verão chegou
e com ele a necessidade ilusória e
temporária de tentar levar uma vida
mais saudável para curtir melhor a
estação do sol (mesmo que seja à
noite). Alguns resolvem cortar os
alimentos pela metade, comendo
apenas meio pudim, meia pizza
grande, bebendo meio litrão de
refrigerante e até comendo meia
melancia, pois uma frutinha (por
maior que seja) sempre cai bem.
Outros optam
por aderir a dieta da sopa, ou seja,
se a comida der sopa em qualquer
lugar o individuo vai lá e come.
Muitos também preferem ingerir
comidas de um tipo “leve”, daí só
comem nos restaurantes pague-e-leve,
pois leve por leve, o melhor é comer
onde dê para levar tudinho para o
prato. Por fim há quem aposte em uma
dieta mais positiva, comendo de
forma despreocupada e esperando que
no final tudo acabe dando certo.
Somos
influenciados por nutricionistas a
comer vegetais, mas se olharmos o
exemplo das vacas (que só comem
grama), passamos a questionar se a
ingestão de quaisquer folhinhas
verdes realmente ajuda a emagrecer.
O mundo é um lugar imperfeito, já
que comemos a vaca que come a grama,
ou seja, deveríamos ganhar créditos
por ingerir vegetais de forma
indireta através da carne bovina que
acreditamos existir dentro de um
suculento xis salada. Porém, devemos
olhar as coisas sob uma ótica
otimista, pois muito pior seria se
nós tivéssemos que comer grama,
tomando o cuidado para que as vacas
não nos comessem.
Mas existem
aqueles que desistem de emagrecer na
base da dieta e partem para o ataque
através dos exercícios físicos,
trocando restaurantes por academias,
desviando a atenção dos pratos
quentes pelo calor das atividades
físicas. Num piscar de olhos eles se
vêm correndo e suando em esteiras
que nada lembram uma confortável
cadeira de praia, mas que são bons
lugares para se pensar na vida, no
mundo, e principalmente, em quanto
tempo falta para encerrar aquele
cansativo exercício.
Bom mesmo seria
se pudéssemos praticar dietas
físicas e exercícios alimentares,
onde como dietas físicas se
entenderia qualquer tipo de repouso
que pudesse poupar o corpo (templo
divino e ponto intermediário entre
os macacos e os anjos), das agruras
causadas pelo esforço através de
atividades forçadas que causam mais
suor que sorrisos, lembrando sempre
que pessoas de fibra são sempre as
preferidas pelos canibais que querem
manter uma dieta salutar.
Quanto aos
exercícios alimentares, eles
poderiam ser considerados como toda
e qualquer forma de ingestão
prazerosa de iguarias, dessas que
cativam os olhos, penalizando o
resto de nossa carcaça de carne,
onde dizem que está aprisionado algo
chamado de espírito, e que
geralmente acaba servindo de
desculpa para nos acharmos melhores
do que qualquer outro tipo de
criatura viva que possa existir.
Enfim, o ideal
seria conseguir tocar a vida através
de exercícios alimentares e dietas
físicas e dietas alimentares e
exercícios físicos, conciliando
prazer e saúde em uma única forma de
viver.