Há alguns dias atrás, li que havia caído um
objeto não identificado em Goiás. Alguns poderão achar que tal
artefato foi jogado por uma nave de extraterrestres (homenzinhos
esquisitões, que vivem a dezenas de bilhões de anos luz de nosso
chão), como quem joga papel de bala pela janela do carro. Ou
será que eles finalmente perceberam algo que ainda não
percebemos? Ou seja, de que não nos importamos de viver no meio
(ambiente) de toneladas de lixo.
Se isto aconteceu, podemos presumir que
eles resolveram fazer o que qualquer País de primeiro mundo
faria, e começaram a jogar suas inutilidades por aqui, neste
nosso subdesenvolvido planetinha imundo. Provavelmente devem ter
se guiado pela mesma lógica de quem cria porcos em chiqueiros,
cheios de lama, traduzida na frase: “se os porcos gostam de
lama, dêem lama aos porcos”. Algo que também se aplicaria ao
modo de agir do ser humano. Se olharmos para quantidade de lixo
que jogamos em nossos rios, nas praias, nas matas, dentro de
nossos pulmões, ou do lixo que comemos, de tudo que deixamos de
reciclar por preguiça, ou para aumentar lucros mesquinhos. A
conclusão lógica de qualquer ser verde-esmeralda de duas cabeças
e dezoito olhos é de que gostamos de lixo.
Crescemos e nos multiplicamos tal qual
bactérias em uma profecia. Somos rios de sangue presos em
artérias, dançando em inúmeras veias por onde se bombeia a vida.
Um contraste triste, feito de 1% de riquezas contra 99% de
miséria e pobreza. Mamíferos amestrados para serem seres
civilizados, mas que agem como feias feras primitivas.
Pertencemos a uma ecologia que não
praticamos. Alquimistas capazes de transformar rios em escrotos
esgotos, dizendo que isso faz parte do progresso, que estão
buscando apenas nosso conforto mais concreto. E assim somos
iludidos a não nos vermos como fetos criados para ser um mero
utensílio, usados e descartados em um mundo cada vez mais sujo e
globalizado.
Somos bípedes, bestas vorazes, bebendo
sonhos em taças forjadas nas fornalhas de mil pesadelos,
produzindo vítimas fugazes dos frutos da criminalidade. E em
meio a todas estas verdades, pisamos no lixo, um subproduto do
luxo que dizem que precisamos. Mas também um produto direto de
nossa mais avançada ignorância, sobre o que realmente somos
nesta existência.
Enfim, o lixo já anda caindo do céu.
Presente em forma de um arremedo de cavalo de tróia (sem o
cavalo), de nós para nós mesmos. Ou talvez este artefato
transformado em fato, seja um pequeno sinal vindo do
desconhecido, avisando-nos de que estamos virando um gigantesco
cesto de papel e detritos, controlado por mentes ocas que não
enxergam este caminho sem volta que se abre nebuloso em toda sua
glória louca.