Há
algum tempo atrás escrevi o texto
“Lula Potter e a reeleição de fogo”
(disponível em:
recantodasletras.uol.com.br/autores/abrasc),
onde um certo bruxinho brasileiro
enfrentava mil perigos ao lado de
seus aliados, em busca da reeleição.
Resolvi pegar a mesma ideia e
escrever um novo texto ainda falando
sobre este mundo mágico com ares de
reinado (já que a monarquia ainda
resiste em alguns estados
brasileiros), conhecido como
política.
Lula e
Potter têm muitas coisas em comum,
por exemplo, ambos tiveram uma
origem humilde, cercada de
preconceito e perseguições contra
eles. Potter tem milhões de
leitores, Lula de eleitores. Harry
usa diversos encantamentos para
alcançar seus objetivos, Lula dispõe
de vários programas (bolsa família,
etc) para encantar a população
(muito mais eficaz que qualquer
poção do amor).
Nesta
nova fase da história podemos
perceber muitas mudanças nos
personagens. Mudanças físicas
(provenientes de plásticas e afins)
e de comportamento. Lula passa a
desempenhar um papel mais de
Dumbledore, o mago supremo, e sua
aliada Dilma Hermione, ganha o papel
de Dilma Potter a escolhida (que
também usa um par de óculos
redondinho, se parecendo ainda mais
com o famoso bruxinho). Enquanto
isso, no jogo de quadrilhabol
político, muitos aliados e
adversários continuam caindo de suas
vassouras.
O que
chama a atenção de quem assiste a
tudo que se desenrola tanto no
cenário político quanto no filme do
bruxinho, é que em meio a ataques
mortíferos entre os oponentes,
muitos trambiques e falcatruas
acabam sendo descobertos, mas
ninguém é pego ou termina preso. A
propósito, quem precisa do manto da
invisibilidade quando se tem o manto
da impunidade a sua disposição?
Lula
continua enfrentando as forças das
trevas e, em muitos momentos, o seu
envolvimento com essas forças é tão
intenso que parece que ele passou
realmente para o outro lado, ao
menos é o que muitos sentem ao vê-lo
defendendo certos cavalheiros (ou
seriam Calheiros?), ou arrumando
Sarneys para se coçar. Tudo bem que
lá no fundo, bem lá no fundo
(provavelmente no fundo monetário),
mesmo os mais podres parecem ser
pessoas de bem (ou seria de bens?),
mas também ele não precisa ficar
fazendo cafuné na cabeça e
“gute-gute” nas bochechas deles,
muito menos defendê-los.
Na
dança entre mocinhos e vilões onde
nunca sabemos se existem mesmo
mocinhos, vemos agora um novo
episódio acontecer: Lula Potter e o
ato secreto. Neste filme, Lulinha
não é o ator principal, mas defensor
de um dos “Comensais da Morte”. Um
comensal que anda envolvido em
vários atos secretos e tenta se
proteger dando a entender que apesar
de todos nascermos iguais, uns
ganham poderes especiais junto com o
mandato de senador, não podendo mais
ser tratados como meros “trouxas”
(denominação utilizada para definir
as pessoas comuns nos filmes de
Harry Potter).
Nesta
paródia onde a graça dá lugar a
desgraça, nós vemos inúmeros eleitos
se esbaldando no dinheiro público
para viverem como príncipes, algo
que para pessoas conscientes (com um
mínimo de honestidade), seria
entendido como roubo. Estes
“príncipes” parecem não se importar
em agir como ladrões, e assassinos
(visto que muitas pessoas morrem
pela falta de investimentos em áreas
públicas, que são desviados por
esses déspotas). O enigma está em se
conseguir entender como esta falta
generalizada de caráter toma conta
tão facilmente dessas ilustres
figuras.
O que
acontecerá no desenrolar desta
história não poderei contar, para
não estragar a surpresa (e porque
também não sei), mas a decisão final
sempre cabe aos “trouxas” que tanto
no filme como na vida real acabam
sendo coadjuvantes anônimos que
pagam caro para participarem deste
filme. E quanto ao Lorde Voldemort?
Bem, em um mundo repleto de crises
econômicas, pandemias, guerras e
tanta corrupção, quem precisa de um
arquiinimigo?
abrasc@terra.com.br