O machismo não faz parte das origens da
natureza do homem, mas foi muito bem plantado e implantado a
esta natureza até ficar fortemente enraizado na cultura
masculina (e feminina), parecendo que já nascemos com ele em
nosso DNA. Podemos dizer que o feminismo foi uma
conseqüência, ou melhor, uma resposta à repressão imposta
pelo machismo, algo do tipo: “foram vocês que começaram,
agora agüentem”.
Os pensamentos machistas podem ser
encontrados em muitas culturas e até mesmo em alguns lugares
considerados sagrados. Por exemplo: Se olharmos o Gêneses,
do antigo testamento, veremos ali relatado que foi
primeiramente o homem que pariu a mulher, utilizando uma de
suas costelas (imaginem então se a mulher tivesse sido
produzida a partir de um naco de filé mignon).
Mas não faltariam aqueles que, se
pudessem escolher, ao invés de dar vida à mulher iriam
preferir fazer aquele belo pedaço de costela bem assadinha e
estariam no paraíso até hoje, sem conhecer as delicias do
sexo oposto ou mesmo o gostinho de uma maçã. Penso que
talvez até já tivessem virado vegetarianos para poupar as
próprias carnes dessa autofagia desvairada.
Provavelmente essa foi à única vez na
história contada como metaforicamente verdadeira, que o
homem fez tal proeza. Depois disso, o ato de dar a luz
acabou sendo relegado à mulher, junto com muitas outras
tarefas, tais como: juntar lenha, buscar frutas silvestres,
cuidar dos filhos, limpar a caverna, etc. Mas o texto
bíblico não pára por aí, logo em seguida acusa a mulher de
se deixar enrolar por uma serpente (possível origem da
expressão “língua de cobra”), colocando nela a culpa pela
expulsão de ambos do paraíso.
Os dois então vieram parar aqui na
Terrinha, um lugar já habitado por seres terrestres, pois
não consta na continuação da referida história que Caim e
Abel tenham retirado alguma de suas costelas, ou qualquer
outra parte de seu corpo para dar origem ao resto da
humanidade.
Recentemente pude ter acesso há alguns
textos de cunho histórico da escritora Géssica Hellmann
(excelentes textos), que discorrem sobre estas e tantas
outras disseminações de preconceito (principalmente contra a
mulher), em épocas passadas, como nos tempos da inquisição.
São textos sérios (diferentes dos meus)
e bem fundamentados, que qualquer pessoa deveria ler para
conhecer melhor a história da humanidade, e saber bem onde
está amarrando seu burrinho. É sempre bom conhecer as
origens políticas, sociais e religiosas do mundo em que
vivemos, e como foram feitas as bases de muitas dessas
crenças e padrões de comportamento, e principalmente, o
preço que se pagou por isso.
Enfim, o machismo é uma erva daninha e
venenosa, plantada por nossos ancestrais, mas ainda muito
cultivada e consumida nos dias de hoje. Resta-nos trocar
esta forma de cultura agressiva por algo que produza
sementes de harmonia e bem-estar coletivos. Somos os
agricultores responsáveis por um futuro melhor, e os maiores
beneficiados pelas colheitas advindas de nobres atitudes.