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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 25 de abril de 2008 21:51:08                                               

 
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COLUNISTAS

Picadas voadoras

   

Antonio Brás Constante

publicado em 25/04/2008

 

Você sabe qual é o animal que anda matando mais seres humanos atualmente? Seria o tigre? O tubarão? O mico-leão-dourado? O escorpião? O leão? (bem, talvez o leão do imposto de renda, que devora boa parte de nossos rendimentos). Na realidade, podemos dizer que entre os primeiros da lista encontraremos o pequeno e irritante mosquito. Um vilão que assusta mais com seus zumbidos do que uma fera com seus rugidos. No topo de tal lista, acredito que iríamos encontrar o próprio homem.

 

Dizem que uma notícia ruim voa, e no atual caso da dengue, ela chega mesmo voando. O mosquito é um inimigo que realmente gosta de sangue, e que apesar de não ser usuário de drogas, também é chegado em uma picada. Alguns acham que a epidemia de dengue é mais uma das obras do PCC (picadores compulsivos costumazes), outros falam em se formar uma CPI (Comissão Parlamentar de Insetos, ou simplesmente, Caçada aos Pernilongos Indesejáveis), seja como for, este problema acabou se transformando no fim da picada (ou pior, no início das picadas). Um fruto da demora da conscientização coletiva da população e, principalmente, do descaso geral da administração pública.

 

Os mosquitos são voadores que todos gostaríamos que sofressem um apagão aéreo definitivo. Talvez o que falte para acabar com essa epidemia seja picar a pessoa certa, podendo começar pelo prefeito, depois o governador e aproveitar e ir picando todos os demais políticos que encontrar pelo caminho. Na história geral da humanidade, os governantes (de qualquer nível hierárquico) sempre pareceram querer manter focos bem definidos para população, focos de malária, focos de dengue, focos de febre aftosa, etc.

 

Esses insetos conhecidos como mosquitos e pernilongos, entre outros tantos nomes, não voam com graça, não cantam com graça, e mesmo textos acabam perdendo toda a graça quando o assunto é este surto de dengue. De qualquer modo, vale tudo para chamar a atenção para o problema, seja através do bom humor ou de mau-humor. Uma epidemia que anda matando mais do que antes assustava. Que ataca sem muitas chances de defesa. Que derruba homens, mulheres e crianças sem que haja uma infraestrutura adequada para atendê-los. Para combatê-la, a melhor arma é a prevenção. Cada local com água parada é um criador de mosquitos em potencial. Se cada um fizer a sua parte, o combate será bem mais efetivo.

 

Enfim, já que estamos em um ano eleitoral, vale lembrar que a diferença entre o mosquito da dengue e o eleitor, é que no caso do mosquito, é necessária apenas uma única picada para se fazer um grande mal ao indivíduo por ele picado, já no caso dos eleitores, são necessários vários de seus votos para eleger representantes que deixam de lado as necessidades de toda população. 

 

 
 
  

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::sobre o autor::

Antonio Brás Constante é  natural de Porto Alegre. Residente em Canoas RS. Bancário. Bacharel em Ciência da Computação. Membro da ACE (Associação Canoense de Escritores).
 

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