Uma das precauções da administração era o
treinamento de seus funcionários para eventuais (porém improváveis)
abandonos do prédio. Tinham feito há poucos dias uma simulação de abandono.
Algo extremamente organizado e com ponto de encontro no estacionamento
público que havia na frente do edifício. Era um belo local, repleto de
árvores e flores. Ali nunca estacionavam muitos carros, dada a localização
geográfica do prédio que se encontrava longe dos centros comerciais. Aquela
área de encontro também ficava afastada o suficiente para garantir a
segurança das pessoas em caso de algum risco envolvendo o prédio.
A tarde seguia tranqüila, até o telefone
tocar. A secretária, uma moça educada, muito simpática e sorridente, atendeu
a ligação (ela era realmente muito simpática e sorridente, o tipo de pessoa
que parece estar sempre pronta para participar como protagonista de algum
comercial de creme dental). A voz no outro lado da linha se identificou como
sendo de Radshed, o terrorista. Avisando que explodiria uma bomba em exatos
quinze minutos e que eles seriam suas vítimas, pois eram porcos
capitalistas. Após dizer isto, emitiu uma risada sinistra (dessas que são
geralmente soltas por psicopatas nos filmes de terror), desligando o
telefone.
Radshed era um terrorista famoso (conhecido
também como: Bin, Bush, Bento, etc), com seu nome estampado em vários
noticiários pelo mundo, e seu rosto estampado em camisetas de várias lojas,
que eram vendidas para pessoas que gostavam de demonstrar que simpatizavam
com lideres famosos e revolucionários, independente de quem eles fossem. Uma
de suas principais características era de sempre cumprir o que prometia. A
atendente, após o choque inicial, ligou para o setor administrativo que
também teve um choque inicial. Passado o referido choque acionaram então o
alarme. Mesmo com toda tecnologia que protegia o lugar, não poderiam duvidar
de uma ameaça assinada por Radshed. Após ouvirem o alarme, todos os
funcionários (após seus respectivos choques iniciais), começaram a evacuar o
prédio. Desciam desnorteados, não sabendo se era mais um treinamento ou um
abandono real.
As pessoas do prédio se dirigiram para área
do estacionamento público, que para sua sorte encontrava-se quase vazia, com
apenas um veículo estacionado ali. O murmurinho era grande. A expectativa
era geral. Uns ligavam para seus conhecidos avisando sobre o fato. Outros
faziam piadas, pois tinham certeza que era um trote. Afinal, como o
terrorista poderia colocar uma bomba em um prédio cheio de câmeras. Com
vigilância armada e sistemas de alarme e presença em todas as portas e
corredores. Nada entrava ou saía dali sem uma revista prévia e sem passar
pelo detector de metais. Era óbvio que se tratava de uma brincadeira.
O tempo estipulado pelo terrorista estava
acabando. O suspense aumentando. Todos olhando fixamente para o prédio vazio
que se encontrava próximo a eles. Contagem regressiva. Dez. Nove. Oito.
Sete... Alguns trancaram a respiração. Seis. Cinco. Quatro. Três... O
silêncio era total. Dois. Um... BOOM!
Uma explosão violenta fez tremer o chão com
tanta força, que pôde ser sentida a alguns quilômetros dali. Porém, o prédio
Fortaleza de ouro se manteve de pé, intacto. Na sua frente agora era visível
uma enorme cratera, onde há poucos instantes atrás havia um estacionamento
público.
Posteriormente, especialistas puderam
constatar que o epicentro da explosão aconteceu no local onde se encontrava
o único veículo estacionado naquele local. Morreram todos. Mas uma vez se
confirmou o que todos sabiam, Rashed sempre cumpria o que prometia.