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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 23 de fevereiro de 2008 23:22:05                                               

 
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COLUNISTAS

Um prédio, um terrorista, uma bomba...

   

Antonio Brás Constante

publicado em 23/02/2008

 

Era uma tarde tranqüila naquela empresa. Uma multinacional poderosíssima que construiu sua sede, batizada de "fortaleza de ouro", com toda tecnologia e segurança que o dinheiro pode comprar. Utilizava equipamentos de ultima geração e cuidados especiais, tais como: sensores, câmeras, equipes de vigilância, garagem subterrânea para os carros dos funcionários, etc. Sem medir custos, pois queriam evitar qualquer tipo de problema, deixando seus funcionários confortáveis e seguros, concentrados em melhorar os índices de desempenho patrimonial. Trabalhando para que a empresa pudesse lucrar cada vez mais e melhor, ultrapassando metas e superando resultados anteriores.

Uma das precauções da administração era o treinamento de seus funcionários para eventuais (porém improváveis) abandonos do prédio. Tinham feito há poucos dias uma simulação de abandono. Algo extremamente organizado e com ponto de encontro no estacionamento público que havia na frente do edifício. Era um belo local, repleto de árvores e flores. Ali nunca estacionavam muitos carros, dada a localização geográfica do prédio que se encontrava longe dos centros comerciais. Aquela área de encontro também ficava afastada o suficiente para garantir a segurança das pessoas em caso de algum risco envolvendo o prédio.

A tarde seguia tranqüila, até o telefone tocar. A secretária, uma moça educada, muito simpática e sorridente, atendeu a ligação (ela era realmente muito simpática e sorridente, o tipo de pessoa que parece estar sempre pronta para participar como protagonista de algum comercial de creme dental). A voz no outro lado da linha se identificou como sendo de Radshed, o terrorista. Avisando que explodiria uma bomba em exatos quinze minutos e que eles seriam suas vítimas, pois eram porcos capitalistas. Após dizer isto, emitiu uma risada sinistra (dessas que são geralmente soltas por psicopatas nos filmes de terror), desligando o telefone.

Radshed era um terrorista famoso (conhecido também como: Bin, Bush, Bento, etc), com seu nome estampado em vários noticiários pelo mundo, e seu rosto estampado em camisetas de várias lojas, que eram vendidas para pessoas que gostavam de demonstrar que simpatizavam com lideres famosos e revolucionários, independente de quem eles fossem. Uma de suas principais características era de sempre cumprir o que prometia. A atendente, após o choque inicial, ligou para o setor administrativo que também teve um choque inicial. Passado o referido choque acionaram então o alarme. Mesmo com toda tecnologia que protegia o lugar, não poderiam duvidar de uma ameaça assinada por Radshed. Após ouvirem o alarme, todos os funcionários (após seus respectivos choques iniciais), começaram a evacuar o prédio. Desciam desnorteados, não sabendo se era mais um treinamento ou um abandono real.

As pessoas do prédio se dirigiram para área do estacionamento público, que para sua sorte encontrava-se quase vazia, com apenas um veículo estacionado ali. O murmurinho era grande. A expectativa era geral. Uns ligavam para seus conhecidos avisando sobre o fato. Outros faziam piadas, pois tinham certeza que era um trote. Afinal, como o terrorista poderia colocar uma bomba em um prédio cheio de câmeras. Com vigilância armada e sistemas de alarme e presença em todas as portas e corredores. Nada entrava ou saía dali sem uma revista prévia e sem passar pelo detector de metais. Era óbvio que se tratava de uma brincadeira.

O tempo estipulado pelo terrorista estava acabando. O suspense aumentando. Todos olhando fixamente para o prédio vazio que se encontrava próximo a eles. Contagem regressiva. Dez. Nove. Oito. Sete... Alguns trancaram a respiração. Seis. Cinco. Quatro. Três... O silêncio era total. Dois. Um... BOOM!

Uma explosão violenta fez tremer o chão com tanta força, que pôde ser sentida a alguns quilômetros dali. Porém, o prédio Fortaleza de ouro se manteve de pé, intacto. Na sua frente agora era visível uma enorme cratera, onde há poucos instantes atrás havia um estacionamento público.

Posteriormente, especialistas puderam constatar que o epicentro da explosão aconteceu no local onde se encontrava o único veículo estacionado naquele local. Morreram todos. Mas uma vez se confirmou o que todos sabiam, Rashed sempre cumpria o que prometia.

 

 
  

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Antonio Brás Constante é  natural de Porto Alegre. Residente em Canoas RS. Bancário. Bacharel em Ciência da Computação. Membro da ACE (Associação Canoense de Escritores).
 

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