ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 01 de maio de 2009 23:12:12                                               

 
  Principal
 Agenda
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Cultura
 Crônicas
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Humor
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Mirim
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 Memória Sindical
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Agenda
.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COLUNISTAS

"Ases do Volante"

 

Adilson Luis Gonçalves

publicado em 01/05/2009

 

 

Sua meta é a vitória, o prêmio, a consagração popular, e para isso ele precisa demonstrar sua superioridade técnica e arrojo perante os demais concorrentes.

A pista está limpa; os fiscais, alertas; ele sabe que o "safety car" entrará sempre que for necessário; o risco de invasão da pista é praticamente nulo.

Ele se sente capaz de tudo e precisa dessa motivação para superar seus adversários, que também estão concentrados e ansiosos. Alguns destes não têm máquinas tão potentes. Por conta disso, podem até atrapalhar os pilotos de ponta; mas, nesse caso as regras são claras: quem estiver lento ou for retardatário deve abrir passagem, sob risco de desclassificação e multa.

A pista não tem limite de velocidade, semáforos, faixas de pedestres, etc.; portanto, cada um deve descobrir o limite do binômio piloto/máquina em relação ao circuito. Aí, o ímpeto é indispensável: "encostar o bico" no carro da frente é um recurso lícito para intimidar e desconcentrar seu piloto; retardar a frenagem até a entrada na curva pode garantir uma ultrapassagem fenomenal; emparelhar na reta, dar um "chega pra lá"; enfiar-se onde não há espaço: pela esquerda, pela direita ou pelo meio; tocar o adversário; fazer um "x"; subir na "zebra", enfim, vale-tudo! Pois todos os competidores sabem que suas carreiras dependem dos resultados. Assim, jogar o outro na grama, na caixa de brita, na proteção de pneus ou coisa pior faz parte do jogo.

Todos são solitários em seus "cockpits", onde tentam raciocinar, evitar erros, antecipar ações e reações dos demais; defendem posição ("fechando a porta") ou partem para cima. Quem não agüentar a pressão que pise no freio, "recolha" e deixe o melhor passar. Se não agüentar, que largue o ofício e vá pilotar carrinho de supermercado.

Assim, a velocidade e a ousadia são os trunfos para os triunfos dos grandes pilotos de corrida! E é isso que os torna lendas, ídolos aclamados pelos torcedores, além de milionários. Mas, eles não se arriscam tanto assim: seus macacões, sapatilhas, luvas e balaclavas são resistentes ao fogo; seus capacetes protegem a cabeça e as primeiras vértebras; bombeiros, paramédicos, ambulâncias e helicópteros de resgate estão a postos, para socorro imediato.

Tudo é um grande e organizado espetáculo, e o autódromo é o templo desses ases do volante, que sabem que estão ali para "voar baixo", atrás da consagração, graças às suas "super licenças" de pilotos.

Mas, o que dizer dos que pilotam da mesma forma, só que nas estradas e nas ruas das cidades, onde as regras também são claras, mas diferentes?

Suas motivações não são pressa ou disputa de colocações e prêmios. O que os faz acelerar é o mimo (omissão) paterno, problemas de auto-afirmação oou, simplesmente, “eca” na cabeça.

Eles não veem que quem está a sua frente ou ao seu lado não está competindo, mas: trabalhando; levando filhos para a escola; viajando, em férias. Desconhecem que, até nas competições, quem "queima" o sinal vermelho é punido; não percebem que suas manobras "radicais" não provocam acidentes não porque eles sejam ases do volante, mas porque os outros antecipam suas barbaridades. Não usam capacetes com sobreviseiras removíveis, mas bonés virados, óculos escuros, expressões desafiadoras. Eles não têm fãs, pois seus enormes e distorcidos egos lhes bastam. Não usam seta para mudar de faixa. "Carro de corrida usa?", devem pensar. Dirigem com uma mão só, pois a outra normalmente está “pendurada”, fora do carro; segurando um cigarro, o celular ou uma lata de cerveja. Mas também há os que devem pensar: "Meu carro é potente e sou rico, então, eu posso fazer o que eu quiser".

Parece que todos eles encaram suas habilitações como "super-licenças" para "barbarizar" no trânsito, prejudicar e, no limite, matar inocentes. Homicídio culposo ou, definitivamente, doloso?

São ases do volante? Não! São asnos no volante!

 

 
Pesquisa personalizada
  

spacer
::sobre o autor::

Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, professor universitário (UNISANTOS e UNISANTA). Cursando Mestrado em Educação (UNISANTOS).
 

::contato com o autor::

Fale com o autor clicando aqui.

 
::anuncie::

Saiba como anunciar no site clicando aqui.

 
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 
 

::outros textos do autor::

Fio de Vida
publicado em 08/07/2008

Amor e caldo verde
publicado em 23/06/2008

O Dom e a Técnica
publicado em 02/06/2008

Nosso sagrado feminino
publicado em 07/05/2008

Mais que nada
publicado em 10/04/2008

Ele está vivo
publicado em 17/03/2008

Memória curta
publicado em 14/03/2008

Tapetes vermelhos
publicado em 06/03/2008

Questão de tempo
publicado em 26/12/2007

Pinheiro de Natal
publicado em 15/12/2007

Causa e efeito
publicado em 02/12/2007

Sonho meu?
publicado em 21/11/2007

Questão de razão e proporção
publicado em 15/11/2007

Tropa de Elite
publicado em 30/10/2007

Capital a qualquer preço
publicado em 11/10/2007

Bilhões de sóis
publicado em 07/10/2007

Sobre Preconceitos
publicado em 04/04/2007

 

 

::apoiadores::






© copyright Revista P@rtes 2000-2009
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil