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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 11 de abril de 2008 22:57:31                                               

 
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Capital a qualquer preço

   

Adilson Luis Gonçalves

publicado em 11/10/2007

 

 

Marx ou Weber? Engels ou Keynes? Ser ético ou não? Ser honesto ou corrupto? Para alguns tanto faz desde que isso renda dividendos, juros e correção monetária, de preferência em dólar ou euro. Melhor ainda se for num paraíso fiscal.

Infelizmente esses adeptos do lucro a qualquer preço têm uma legião de adoradores e aspirantes. Para eles o lucro justifica todos os meios, absolve de todos os crimes e pecados.
 

No ideário da religião financeira só existem três mandamentos:

1º) Amarás o lucro acima de todas as coisas!

2º) Cultuarás quem tem mais!

3º) Desprezarás quem tem menos!

O único pecado capital é desprezar o capital, é deixar de lucrar o máximo possível em qualquer circunstância, na alegria ou na desgraça (dos outros)! Assim, só existe um caminho para atingir o "éden financeiro": por cima de tudo e de todos! E boatos, engodos, fraudes, chantagens e outros tipos de crimes são meios lícitos nesse trajeto.

Seus seguidores não discutem valores morais e éticos. Isso só vale se representar uma oportunidade de levar vantagem. Afinal, o que vale é o dinheiro que se ganha, é a capa de revista, é a lista da Forbes.
 

Sua "bíblia"? Bom, existem várias. Aliás, a vida de cada "bem-sucedido" acaba virando um livro sagrado que relata, em clima de epopéia, todos os erros dos outros e todos os seus acertos. Para os adores do "deus" dinheiro, cujo ícone é o cifrão, eles serão mitos, novos santos milagreiros das finanças, padroeiros do lucro. Não importam as origens e conseqüências de seu "sucesso".

Nesse mundo onde a ambição é sem limites ou escrúpulos, às vezes o ganho é maior do que se pode gastar em muitas existências. Diante disso, podem ocorrer dois extremos: uma vida austera e rude, dedicada a acumular ainda mais, como um vício; ou uma existência excêntrica e perdulária, cheia de aventuras, prazeres e vícios. Em ambos os casos, podem construir impérios e imagens, mas suas vidas serão sempre castelos de areia, e sua opulência financeira um disfarce para sua pobreza de espírito. Heróis de papel-moeda...

Criticar esse tipo de postura pode parecer inveja, mas não é o caso.
 

O problema não é o dinheiro, é o que se faz com ele ou por ele. O que preocupa não é o que ele pode acrescentar, mas no que ele pode nos transformar sem percebermos. Ele só é necessário na exata medida em que permite resolver problemas ou realizar sonhos, desde que sem perder o sono ou ter pesadelos por isso e para isso.

A verdadeira redenção vem da compreensão do que somos sem e com ele. Se o resultado dessa subtração for negativo, esse será o valor de nosso caráter e alma! Só que, para quem dedica a vida apenas para somar e multiplicar, subtrair é uma operação que só faz sentido se for "de alguém", de preferência sem ver as conseqüências para o próximo...

 

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::sobre o autor::

Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, professor universitário (UNISANTOS e UNISANTA). Cursando Mestrado em Educação (UNISANTOS).
 

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