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Marx ou
Weber? Engels ou Keynes? Ser ético ou não? Ser honesto ou corrupto? Para alguns
tanto faz desde que isso renda dividendos, juros e correção monetária, de
preferência em dólar ou euro. Melhor ainda se for num paraíso fiscal.
Infelizmente esses adeptos do lucro a qualquer preço têm uma legião de
adoradores e aspirantes. Para eles o lucro justifica todos os meios, absolve de
todos os crimes e pecados.
No ideário
da religião financeira só existem três mandamentos:
1º) Amarás
o lucro acima de todas as coisas!
2º)
Cultuarás quem tem mais!
3º)
Desprezarás quem tem menos!
O único
pecado capital é desprezar o capital, é deixar de lucrar o máximo possível em
qualquer circunstância, na alegria ou na desgraça (dos outros)! Assim, só existe
um caminho para atingir o "éden financeiro": por cima de tudo e de todos! E
boatos, engodos, fraudes, chantagens e outros tipos de crimes são meios lícitos
nesse trajeto.
Seus
seguidores não discutem valores morais e éticos. Isso só vale se representar uma
oportunidade de levar vantagem. Afinal, o que vale é o dinheiro que se ganha, é
a capa de revista, é a lista da Forbes.
Sua
"bíblia"? Bom, existem várias. Aliás, a vida de cada "bem-sucedido" acaba
virando um livro sagrado que relata, em clima de epopéia, todos os erros dos
outros e todos os seus acertos. Para os adores do "deus" dinheiro, cujo ícone é
o cifrão, eles serão mitos, novos santos milagreiros das finanças, padroeiros do
lucro. Não importam as origens e conseqüências de seu "sucesso".
Nesse mundo
onde a ambição é sem limites ou escrúpulos, às vezes o ganho é maior do que se
pode gastar em muitas existências. Diante disso, podem ocorrer dois extremos:
uma vida austera e rude, dedicada a acumular ainda mais, como um vício; ou uma
existência excêntrica e perdulária, cheia de aventuras, prazeres e vícios. Em
ambos os casos, podem construir impérios e imagens, mas suas vidas serão sempre
castelos de areia, e sua opulência financeira um disfarce para sua pobreza de
espírito. Heróis de papel-moeda...
Criticar
esse tipo de postura pode parecer inveja, mas não é o caso.
O problema
não é o dinheiro, é o que se faz com ele ou por ele. O que preocupa não é o que
ele pode acrescentar, mas no que ele pode nos transformar sem percebermos. Ele
só é necessário na exata medida em que permite resolver problemas ou realizar
sonhos, desde que sem perder o sono ou ter pesadelos por isso e para isso.
A
verdadeira redenção vem da compreensão do que somos sem e com ele. Se o
resultado dessa subtração for negativo, esse será o valor de nosso caráter e
alma! Só que, para quem dedica a vida apenas para somar e multiplicar, subtrair
é uma operação que só faz sentido se for "de alguém", de preferência sem ver as
conseqüências para o próximo... |