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De tempos em tempos surgem
lideranças políticas ou religiosas cheias de carisma, com discursos que conduzem
legiões de desesperados ao enfrentamento suicida de governos míopes.
Inicialmente, querem ser a voz
do povo, mas a História mostra que quando alcançam o poder o idealismo inicial
quase sempre dá lugar às mesmas práticas antes abominadas. A partir daí o
principal objetivo será continuar no poder, não importa como: alterações
constitucionais, expurgos, nacionalismo exacerbado, doutrinação... Em breve a
“democracia” voltará a ser de um grupo só, disposto a se eternizar no poder.
As “elites” banidas darão
lugar a “novas”, igualmente arrogantes, autoritárias e corruptas, embora menos
“sofisticadas”.
Os noticiários mostram que um
novo capítulo está sendo escrito pelas mãos de novos incendiários: lunáticos ou
falastrões, que pensam ser estadistas, alguns eleitos, outros não.
Eles fazem parte do problema,
sim, mas também são produtos dele!
O nazismo foi “adubado” pelo
Tratado de Versalhes. O Stalinismo foi conseqüência de uma disputa fratricida
pelo legado de Lênin, prematuramente morto; pela reação a um modelo
político-econômico que substituiu uma elite nobre e burguesa por outra, de
burocratas.
Quantos milhões de vidas
inocentes seriam poupadas se em vez da ganância e da megalomania prevalecesse o
bom senso?
Se os que ascendem ao poder
fossem sensatos e buscassem o bem de toda a sociedade, não haveria espaço para
lideranças destrambelhadas ou apocalípticas. Não haveria razão para
”homens-bomba”, gangues, crime organizado... Saberiam que a origem do cancro
normalmente está em governos ética e moralmente frágeis, e que degradação e
distúrbios sociais são partes da metástase. Notariam que as reações sociais
nascem da incompetência, da incontinência, da inconsistência ou da inconsciência
de quem dirige; florescem quando quem governa mente demais, adia demais, rouba
demais, reprime demais; explodem quando a base da pirâmide – maioria -, no
limite, se cansa de ser representada por quem vive a sufocá-la sem nenhum
escrúpulo.
Se existem irados, moralistas
e gente que quer arrombar portas mesmo afirmando que tem as chaves é porque
décadas de governos insensíveis prepararam solo fértil para eles; é porque quem
hoje manda calar quem fala mal e demais, esquece que sua herança também inclui
um passado reprovável, não raro ainda presente; é porque quem se diz guardião da
democracia nega a autodeterminação dos povos; é porque a “globalização” que
defendem é de mão única.
Na falta de governantes
honestos e humanistas, líderes “populistas” surgem como a última esperança de
quem já está cansado de ser ludibriado, sem saber que continuará a sê-lo.
Eles não são causa, mas efeito
explosivo de modelos herméticos!
Mas não precisa ser sempre
assim, pois se a História às vezes se repete, ela também ensina; e, nessa
escola, quem quiser aprender, se for sensato, não repetirá! |