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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 15 de dezembro de 2007 19:38:41                                               

 
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COLUNISTAS

Causa e efeito

   

Adilson Luis Gonçalves

publicado em 02/12/2007

 

 

De tempos em tempos surgem lideranças políticas ou religiosas cheias de carisma, com discursos que conduzem legiões de desesperados ao enfrentamento suicida de governos míopes.

Inicialmente, querem ser a voz do povo, mas a História mostra que quando alcançam o poder o idealismo inicial quase sempre dá lugar às mesmas práticas antes abominadas. A partir daí o principal objetivo será continuar no poder, não importa como: alterações constitucionais, expurgos, nacionalismo exacerbado, doutrinação... Em breve a “democracia” voltará a ser de um grupo só, disposto a se eternizar no poder.

As “elites” banidas darão lugar a “novas”, igualmente arrogantes, autoritárias e corruptas, embora menos “sofisticadas”.

Os noticiários mostram que um novo capítulo está sendo escrito pelas mãos de novos incendiários: lunáticos ou falastrões, que pensam ser estadistas, alguns eleitos, outros não.

Eles fazem parte do problema, sim, mas também são produtos dele!

O nazismo foi “adubado” pelo Tratado de Versalhes. O Stalinismo foi conseqüência de uma disputa fratricida pelo legado de Lênin, prematuramente morto; pela reação a um modelo político-econômico que substituiu uma elite nobre e burguesa por outra, de burocratas.

Quantos milhões de vidas inocentes seriam poupadas se em vez da ganância e da megalomania prevalecesse o bom senso?

Se os que ascendem ao poder fossem sensatos e buscassem o bem de toda a sociedade, não haveria espaço para lideranças destrambelhadas ou apocalípticas. Não haveria razão para ”homens-bomba”, gangues, crime organizado... Saberiam que a origem do cancro normalmente está em governos ética e moralmente frágeis, e que degradação e distúrbios sociais são partes da metástase. Notariam que as reações sociais nascem da incompetência, da incontinência, da inconsistência ou da inconsciência de quem dirige; florescem quando quem governa mente demais, adia demais, rouba demais, reprime demais; explodem quando a base da pirâmide – maioria -, no limite, se cansa de ser representada por quem vive a sufocá-la sem nenhum escrúpulo.

Se existem irados, moralistas e gente que quer arrombar portas mesmo afirmando que tem as chaves é porque décadas de governos insensíveis prepararam solo fértil para eles; é porque quem hoje manda calar quem fala mal e demais, esquece que sua herança também inclui um passado reprovável, não raro ainda presente; é porque quem se diz guardião da democracia nega a autodeterminação dos povos; é porque a “globalização” que defendem é de mão única.

Na falta de governantes honestos e humanistas, líderes “populistas” surgem como a última esperança de quem já está cansado de ser ludibriado, sem saber que continuará a sê-lo.

Eles não são causa, mas efeito explosivo de modelos herméticos!

Mas não precisa ser sempre assim, pois se a História às vezes se repete, ela também ensina; e, nessa escola, quem quiser aprender, se for sensato, não repetirá!

 
  

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::sobre o autor::

Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, professor universitário (UNISANTOS e UNISANTA). Cursando Mestrado em Educação (UNISANTOS).
 

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