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COLUNISTAS

Vida: Divino Presente

 

Adilson Luis Gonçalves

publicado em 04/12/2008

Todo fim de mundo é fim de nada: É madrugada!", diz uma música de Caetano, dos tempos da Tropicália.

Faz sentido, pois cada fim de ano que, na escala de tempo, é fim de um período que anuncia outro; é momento de refletir sobre o passado e planejar o futuro. No entanto, tem gente que só fala em fim, fim, fim... Enquanto alguns tentam consertar o que está errado, esses arautos do caos, profetas da crise, preferem cultivar o pessimismo, o conformismo, a desesperança, pregar que nada tem mais jeito!

Mas o ser humano não é a maior criação de Deus? Então, qual o direito que temos de desacreditar de sua obra máxima?

Nesse sentido, a esperança de uma nova vida não dispensa que cuidemos bem da atual, o que inclui os dois principais templos divinos: nosso corpo e o meio ambiente. Também faz parte desses cuidados o semelhante: nosso irmão, já que todos somos filhos de Deus, qualquer que seja o nome que lhe atribuam, e tripulantes da mesma nave: o Planeta Terra!

Se tivéssemos essa consciência, não haveria espaço para fanatismos de qualquer espécie; nem para doutrinações e tradições só servem para dividir, em vez de aproximar seres humanos. Ao que consta, Cristo só dividiu pães e peixes! Abriu caminhos que, hoje, alguns cobram pedágio para deixar passar. Fica difícil ver luz em meio às sombras que projetam.

Aí vem outro milagre: toda criança que nasce é uma luz que renova ou, pelo menos, deveria renovar a esperança num futuro melhor, num paraíso terreno, que anteceda o espiritual. Senão, qual o sentido de concebermos e criarmos filhos?

Assim, nossa responsabilidade muito maior do que simplesmente jogá-los no mundo, como se os mandássemos para uma guerra suicida e sem sentido. Existe virtude nisso?

Nossa missão deve ser, também, preparar um mundo melhor para nossos eles, mais racional, menos preconceituoso. Um mundo com mais amor e menos medo. Um mundo menos dividido.

Salvo engano, o sonho de todo pai é que seus filhos tenham uma vida melhor. Isso não quer dizer, simplesmente, que ganhem mais dinheiro. Afinal, tem gente que enriquece com guerras, devastações e crimes. O curioso é que muitos desses ainda se dizem religiosos e são bem vistos, por doarem parte do lucro com a destruição que promovem para causas "humanitárias". Promovem sangrias desatadas e pensam estancá-las com cotonetes!

Cristo trouxe uma nova mensagem: pregou mudanças!

Alguns perguntaram se sua doutrina representava um fim, mas não: era um começo, ou melhor, recomeço, mostrando que Deus ainda tem esperança em nós! E tanto isso é verdade que a vinda de Jesus ampliou a aliança divina com o ser humano: ela passou a ser de todos nós!

É por isso que o Natal é tão importante: porque Jesus veio como madrugada-criança, luz que a cada dia reacende as trevas. Luz que cada um de nossos filhos representa e que não temos o direito de ofuscar ou apagar em nome idéias e ideais envelhecidos que alguns, por ignorância, estupidez ou ganância, insistem em perpetuar.

Assim, cada novo dia é um novo Natal, pois a vida renasce e com ela a esperança!

Por isso, cada fim de ano é fim de nada, é madrugada de um novo tempo que só terá fim se desistirmos de acreditar na vida como dom de Deus. E a vida: nossa, de nossos filhos, do semelhante e da Terra é um presente que não se pode ignorar ou rejeitar. É preciso cuidar dela e torná-la proveitosa até o último alento!

Acreditar no futuro e ser artífice de um mundo melhor! Que bela retribuição para quem deu sua vida para nos dar vida!

Feliz Natal e um maravilhoso 2009 para todos!

 
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Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, professor universitário (UNISANTOS e UNISANTA). Cursando Mestrado em Educação (UNISANTOS).
 

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