Todo fim de mundo é
fim de nada: É madrugada!", diz uma música de Caetano, dos tempos da
Tropicália.Faz sentido, pois cada fim de
ano que, na escala de tempo, é fim de um período que anuncia outro; é
momento de refletir sobre o passado e planejar o futuro. No entanto, tem
gente que só fala em fim, fim, fim... Enquanto alguns tentam consertar o
que está errado, esses arautos do caos, profetas da crise, preferem
cultivar o pessimismo, o conformismo, a desesperança, pregar que nada
tem mais jeito!
Mas o ser humano não é a maior criação de Deus?
Então, qual o direito que temos de desacreditar de sua obra máxima?
Nesse sentido, a esperança de uma nova vida não
dispensa que cuidemos bem da atual, o que inclui os dois principais
templos divinos: nosso corpo e o meio ambiente. Também faz parte desses
cuidados o semelhante: nosso irmão, já que todos somos filhos de Deus,
qualquer que seja o nome que lhe atribuam, e tripulantes da mesma nave:
o Planeta Terra!
Se tivéssemos essa consciência, não haveria
espaço para fanatismos de qualquer espécie; nem para doutrinações e
tradições só servem para dividir, em vez de aproximar seres humanos. Ao
que consta, Cristo só dividiu pães e peixes! Abriu caminhos que, hoje,
alguns cobram pedágio para deixar passar. Fica difícil ver luz em meio
às sombras que projetam.
Aí vem outro milagre: toda criança que nasce é
uma luz que renova ou, pelo menos, deveria renovar a esperança num
futuro melhor, num paraíso terreno, que anteceda o espiritual. Senão,
qual o sentido de concebermos e criarmos filhos?
Assim, nossa responsabilidade muito maior do que
simplesmente jogá-los no mundo, como se os mandássemos para uma guerra
suicida e sem sentido. Existe virtude nisso?
Nossa missão deve ser, também, preparar um mundo
melhor para nossos eles, mais racional, menos preconceituoso. Um mundo
com mais amor e menos medo. Um mundo menos dividido.
Salvo engano, o sonho de todo pai é que seus
filhos tenham uma vida melhor. Isso não quer dizer, simplesmente, que
ganhem mais dinheiro. Afinal, tem gente que enriquece com guerras,
devastações e crimes. O curioso é que muitos desses ainda se dizem
religiosos e são bem vistos, por doarem parte do lucro com a destruição
que promovem para causas "humanitárias". Promovem sangrias desatadas e
pensam estancá-las com cotonetes!
Cristo trouxe uma nova mensagem: pregou
mudanças!
Alguns perguntaram se sua doutrina representava
um fim, mas não: era um começo, ou melhor, recomeço, mostrando que Deus
ainda tem esperança em nós! E tanto isso é verdade que a vinda de Jesus
ampliou a aliança divina com o ser humano: ela passou a ser de todos
nós!
É por isso que o Natal é tão importante: porque
Jesus veio como madrugada-criança, luz que a cada dia reacende as
trevas. Luz que cada um de nossos filhos representa e que não temos o
direito de ofuscar ou apagar em nome idéias e ideais envelhecidos que
alguns, por ignorância, estupidez ou ganância, insistem em perpetuar.
Assim, cada novo dia é um novo Natal, pois a
vida renasce e com ela a esperança!
Por isso, cada fim de ano é fim de nada, é
madrugada de um novo tempo que só terá fim se desistirmos de acreditar
na vida como dom de Deus. E a vida: nossa, de nossos filhos, do
semelhante e da Terra é um presente que não se pode ignorar ou rejeitar.
É preciso cuidar dela e torná-la proveitosa até o último alento!
Acreditar no futuro e ser artífice de um mundo
melhor! Que bela retribuição para quem deu sua vida para nos dar vida!
Feliz Natal e um maravilhoso 2009 para todos!